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sábado, 30 de abril de 2016

Rui Veloso -- Bucólica


JMP - 1997






Bucólica - Miguel Torga / Rui Veloso


A vida é feita de nadas

De grandes serras paradas

À espera de movimento

De searas onduladas

Pelo vento

De casas de moradias

Caídas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais

De poeira

De sombra de uma figueira

De ver esta maravilha

Meu pai a erguer uma videira

Como uma mãe que faz

A trança à filha .




quarta-feira, 23 de março de 2016

Sara, Maria, morena, eu esperei...




Tiago Bettencourt na Casa da Música em 18 de Março de 2016


Sara

Sei que deste o teu melhor
Sei que foste o que o dia deixou
Sei que deste a tua dor
Não te soube dar o meu perdão
Mas talvez esta gota de água
De uma fonte afastada
Tenha mostrado o caminho
Talvez esta ponte escura
Onde a solidão trespassa
Talvez esta aventura
Tenha me levado a casa

Sara
Tudo o que dói Sara
No meu peito grita
Tudo o que acredita
Se fogo leva a dor, fica o que há depois
Longe da paixão, diz-me se há perdão
Sara

Não te soube encontrar
Quando o grito nos cegou
Fraco corpo sobre a praia
Leve sombra que o mar apagou
Mas talvez esta nova espada
Já de frente para a batalha
Nos possa mostrar o caminho
Talvez hoje o mar adentro
Onde o coração dispara
Onde o nosso amor de sempre
Pode nos levar a casa

Sara
Tudo o que dói Sara
E no meu peito grita
Tudo o que acredita
Se fogo leva a dor, fica o que há depois
Longe da paixão, diz-me se há perdão
Sara

Sara
Tudo o que dói Sara
E no meu peito grita
Tudo o que acredita
Se fogo leva a dor, fica o que há depois
Longe da paixão, diz-me se há perdão
Depois do que foi, diz-me se o que dói
Sara



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Táxi - Fio da Navalha






TAXI  -  FIO DA NAVALHA

Tu és completa e perfeita
Ela não é sequer bem feita
Tu pões-me à noite a sonhar
Ela tem angústia no olhar
Tu és do tipo cerebral
Ela é apenas emocional

Entre ficar e partir
Nem sempre é facil decidir
O fio da navalha
O fio da navalha

Tu és submissa nas tuas atitudes
Ela diz sempre palavras rudes

Entre ficar e partir
Nem sempre é facil decidir
O fio da navalha
O fio da navalha

Letra daqui

Entre ficar e partir

(No canto inferior direito o novo terminal de cruzeiros do porto de Leixões)

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Natal de Quem?



Natal de Quem? 

 Mulheres atarefadas
Tratam do bacalhau,
Do peru, das rabanadas. - Não esqueças o colorau,
O azeite e o bolo-rei!
- Está bem, eu sei!
- E as garrafas de vinho?
- Já vão a caminho! - Oh mãe, estou pr'a ver
Que prendas vou ter.
Que prendas terei?
- Não sei, não sei... Num qualquer lado,
Esquecido, abandonado,
O Deus-Menino
Murmura baixinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu? Senta-se a família
À volta da mesa.
Não há sinal da cruz,
Nem oração ou reza. Tilintam copos e talheres.
Crianças, homens e mulheres
Em eufórico ambiente.
Lá fora tão frio,
Cá dentro tão quente! Algures esquecido,
Ouve-se Jesus dorido:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu? Rasgam-se embrulhos,
Admiram-se as prendas,
Aumentam os barulhos
Com mais oferendas.
Amontoam-se sacos e papeis
Sem regras nem leis. E Cristo Menino
A fazer beicinho:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu? O sono está a chegar.
Tantos restos por mesa e chão!
Cada um vai transportar
Bem-estar no coração. A noite vai terminar
E o Menino, quase a chorar:
- Então e Eu,
Toda a gente Me esqueceu?
Foi a festa do Meu Natal
E, do princípio ao fim,
Quem se lembrou de Mim?
Não tive tecto nem afecto! Em tudo, tudo, eu medito
E pergunto no fechar da luz:
- Foi este o Natal de Jesus?!!! 


João Coelho dos Santos, in Lágrima do Mar - 1996

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Radio Macau "Cantiga de Amor"

Video: Radio Macau "Cantiga de Amor"



Xana - (Fotografia extraída do vídeo)


Preferias que cantasse noutro tom
Que te pintasse o mundo de outra cor
Que te pusesse aos pés um mundo bom
Que te jurasse amor, o eterno amor

Querias que roubasse ao sete estrelo
A luz que te iluminasse o olhar
Embalar-te nas ondas com desvelo
Levar-te até à lua para dançar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

Talvez até pudesse dar-te mais
Que tudo o que tu possas desejar
Não te debruces tanto que ainda cais
Não sei se me estás a acompanhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

Podia, se quisesses, explicar-te
Sem pressa, tranquila, devagar
E pondo, claro está, modéstia à parte
Uma ou duas coisas, se calhar

Que a lua está longe e mesmo assim
Dançar podemos sempre, se quiseres
Ou então, se preferires, fica aí
Que ninguém há-de saber o que disseres

letra daqui

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Sobre se Ele Há ou Não


Poema – Ulisses


O mito é o nada que é tudo.
O mesmo sol que abre os céus
É um mito brilhante e mudo –
O corpo morto de Deus,
Vivo e desnudo.
Este que aqui aportou,
Foi por não ser existindo.
Sem existir nos bastou.
Por não ter vindo foi vindo
E nos criou.
Assim a lenda se escorre
A entrar nas realidade,
E a fecundá-la decorre.
Em baixo, a vida, metade
De nada, morre.

Fernando Pessoa ortónimo
Mensagem

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Soon ~ Yes, from the album Relayer



Soon, oh soon the light
Pass within and soothe this endless night
And wait here for you
Our reason to be here
 
Soon, oh soon the time
All we move to gain will reach and calm
Our heart is open
Our reason to be here
 
Long ago, set into rhyme
 
Soon, oh soon the light
Ours to shape for all time, ours the right
The sun will lead us
Our reason to be here
 
Soon, oh soon the light
Ours to shape for all time, ours the right
The sun will lead us
Our reason to be here
 
Songwriters
ANDERSON, JON
Published by
Lyrics © Warner/Chappell Music, Inc., EMI Music Publishing






segunda-feira, 17 de junho de 2013

Poesia Popular



 
Isto é uma coutada?
 
 
Neste nosso País de liberdade
as mulheres, na terra dos capões,
são proibidas por certos figurões
de tocarem na banda da cidade.
 
E os que mandam alinham nisto tudo,
vão dizendo que sim com toda a gente,
entre eles não há nada de diferente,
andam todos ao som do tal "canudo".
 
O que diz a constituição, é entulho!...
o que importa é subsidiar o orgulho
desses ditos senhores da coutada,
 
que dizem para aí, à boca cheia,
a mulher é um bombo em que se arreia...
só serve p'ra parir e p'ra mais nada!
 
2-12-2012
 
Rodela, poeta popular freamundense.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Parteira improvisada



olá Doutor Miguel Brito 
com que então fez de parteira
duma gata parideira
e nem precisou de apito
pois logo ao primeiro grito
mesmo sem mão calejada
lá foi salvar a ninhada
que se safou inteirinha
graças à sua mãozinha
de parteira improvisada.




Rodela 15-05-2013

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Um grande medo


Poeta Fernando Caldeira, Águeda, 1842 – 1894


            … / …
            Águeda quiz-lhe muito – quere-lhe hoje ainda atravez da sua memoria. Quando na tarde embaceada de 4 de Abril de 1894 o seu cadaver, ido de Lisboa, atravessou as ruas hirtas da vila em direcção ao jardinsito fúnebre do Adro, Águeda dobrou-se toda, de coração ajoelhado, numa homenagem sentida ao seu poeta. Fecharam-se os estabelecimentos. As mulheres vestiram de luto …

            Vem a proposito transcrever aqui o seguinte testamento meio supersticioso, meio sinistro, escrito pelo punho do poeta e que sempre o acompanhava, enquadrado numa pequena moldura de pau-preto, como aviso macabro-filosófico de que um horrível pensamento fizesse um «bibelote» de viagem atravez de solares de que fosse hospede e anónimos quartos de hotel:

                        Na idéa de morrer aflige-me mais a saudade imensa da vida do que o medo. Se
                        porem, não tenho medo de morrer, tenho verdadeiro terror com a idéa de que
                        poderão enterrar-me vivo. – Penso, que no mistério dos tumulos se passam,
                        para sempre ignorados, muitos, muitos desses horrores; é esta a mais constante
                        preocupação do meu espírito. – Peço pois a meus irmãos e aos meus amigos
                        que, ou seja por doença (e qualquer doença) ou por morte repentina, quando
                        eu fôr dado morto, «só trinta e seis horas» depois consintam que eu seja
                        removido da minha cama – onde me velarão constantemente duas pessoas
                        caridosas e não timoratas; sendo de nove em nove horas observado por médico,
                        que antes  dos sintomas de decomposição me apliquem choques eléctricos e
                        «afinal me cortem as carotidas»: - Lisbôa, 30 de Abril de 1890.
(a) FERNANDO CALDEIRA

            …/…

            Excerto de artigo assinado por António de Cértima
            Revista ABC, n.º 111 – Lisboa, 31 de Agosto de 1922


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vozes de animaes



Palram pega e papagaio
E cacareja a gallinha,
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola innocentinha.


Muge a vaca, berra o toiro,
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavallo,
Os elephantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves
Mas pia o mocho agoureiro. (1)

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar,
Fazem gorjeios ás vezes,
Ás vezes põem-se a chilrar.

O pardal damninho aos campos
Não aprendeu a cantar,
Como os ratos e as dòninhas,
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintaínho,
Cucurica e canta o gallo,
Late e gane o cachorrinho.

A vitellinha dá berros,
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animaes:
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima
As vozes dos principaes.


                                 Pedro Diniz

_________


(1) Os antigos tinham entre outros preconceitos o de julgar agoureiro o mocho.


 ****


(Tal como no Livro de Leitura da 2.ª Classe, de José Bartholomeu dos Mártyres – 1907)

terça-feira, 5 de março de 2013

Omar Khayyam


Omar Khayyam (1048-1131), persa de Nichapur,
 poeta, matemático e astrónomo.
 
 

Trago um dos seus Rubaiyat ou robai (no singular) - quadra:
 
 
***
Se não tiveste a recompensa que merecias,
não te importes, não esperes nada;
já estava tudo nas páginas daquele livro
que o vento da eternidade vai virando ao acaso.
 
***
 
Encontre os seus rubaiyat aqui
 


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Processo Revolucionário Em Curso


               Pensamento
               Que a Revolução
               Provoca,

               O Povo
               É um ovo
               Que a Liberdade
                                 choca!

                                  Poema de Mário  Martins


                                        Poster de Victor Mesquita
 
Revista: VISÃO - Para uma Nova Banda Desenhada Portuguesa
N.º 1, de 1 de Abril de 1975


sábado, 20 de outubro de 2012

Saudade


           Saudade, é um mal de que se gosta, e um bem de que se padece.


Palavras de D. Francisco Manuel de Melo (23/11/1608 - 24/08/1666)
Desenho de Alice Rey Colaço (1893 - 1978)


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Velhos gritos do Portugal ocupado


L. P.  DE  O.  PINTO  DA  FRANÇA

SONETO

improvisado junto ao tumulo del rei D. Afonso Henriques,
pelo brigadeiro das tropas de Coimbra, no dia
em que Junot dissolveu o corpo do Exército
Português.

                                   A teus pés, fundador da Monarchia,
                            Vai ser a lusa gente desarmada!
                            Hoje rende a traição a forte espada
                            Que jamais se rendeu á valentia.

                            Oh! Rei! Se minha dor, minha agonia,
                            Penetrar pôde sepulcral morada,
                            Arromba a campa, e com a mão mirrada
                            Surge a vingar a affronta  d’este dia.

                            Eu, fiel qual te foi Moniz, teu pagem,
                            Fiel sempre serei: grata esperança
                            Me sopra o fogo d’immortal coragem.

                            E o pranto, que a teus pés minha dor lança,
                            Recebe-o, grande Rei, por vassalagem,
                            Acceita-o em protesto de vingança.

do Cancioneiro de Coimbra (de Afonso Lopes Vieira)

sábado, 29 de setembro de 2012

Ai, flores...


-Ai flores, ai flores do verde pino,
se sabedes novas do meu amigo!
     Ai Deus, e u é?

Ai, flores, ai flores do verde ramo,
se sabedes novas do meu amado!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amigo,
aquel que mentiu do que pos comigo!
     Ai Deus, e u é?

Se sabedes novas do meu amado
aquel que mentiu do que mi ha jurado!
     Ai Deus, e u é?

-Vós me preguntades polo voss'amigo,
e eu ben vos digo que é san'e vivo.
     Ai Deus, e u é?

Vós me preguntades polo voss'amado,
e eu ben vos digo que é viv'e sano.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é san'e vivo
e seerá vosc'ant'o prazo saído.
     Ai Deus, e u é?

E eu ben vos digo que é viv'e sano
e seerá vosc'ant'o prazo passado.
     Ai Deus, e u é?
                      
    (Dom Dinis)

Pinha de pinheiro bravo em diferentes estados de abertura

Os dois lados de uma semente de pinheiro bravo



Curiosidade: As pinhas têm a capacidade de abrir e fechar as suas folhas, segundo as condições meteorológicas. Se o tempo está chuvoso, as pinhas fecham-se totalmente para proteger as sementes; se o tempo está seco elas abrem-se até soltarem as sementes, quando maduras, que voarão ao vento usando a delicada asa. Esta capacidade de abrir e fechar mantem-se por alguns anos, mesmo nas pinhas armazenadas.
 


domingo, 9 de setembro de 2012

O Sangue da Vida



Esta linda fonte encontra-se na Aldeia do Romeu, no largo em frente ao restaurante Maria Rita. Tem gravada uma quadra, com tanto de mistério como de revelação, e que a seguir transcrevo:

                              MAIS OUTRA FONTE A DEITAR
                              O BRANCO SANGUE DA VIDA
                              O RESTO DE ALGUM LUAR
                              DUMA NOITE INTERROMPIDA



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Annalia


"Virtude sem prazer não é virtude"



Almeida Garrett
João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett (Porto, 4 de Fevereiro de 1799 – Lisboa, 9 de Dezembro de 1854)


segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Afonso Lopes Vieira

          
           Afonso Lopes Vieira ( Leiria 26/01/1878 - Lisboa 25/01/1946)



Linda Inês
Choram ainda a tua morte escura
Aquelas que chorando a memoraram;
As lágrimas choradas não secaram
Nos saudosos campos da ternura.

Santa entre as santas pela má ventura,
Rainha, mais que todas que reinaram;
Amada, os teus amores não passaram
E és sempre bela e viva e loira e pura.

O Linda, sonha aí, posta em sossego
No teu muymento de alva pedra fina,
Como outrora na Fonte do Mondego.

Dorme, sombra de graça e de saudade,
Colo de Garça, amor, moça menina,
Bem-amada por toda a eternidade!
 
 
 
(In Cancioneiro de Coimbra)


sábado, 31 de março de 2012

Alfredo Pimenta

Tristes, dobram os sinos a finados,
Pelo meo coração que vai morrer.
Já mal o sinto dentro em mim bater,
Mal lhe escuto os queixumes magoados.

Já Deos lhe perdoou os seos  pecados,
Pelo seo muito amar e padecer.
Cansado coração que vai morrer,
Por el’e dobram os sinos a finados.

Nas frias sepulturas dos Poetas,
Dos Artistas, das Almas inquietas,
D’aque’las que o Amor não satisfez,

Abrem alas os mortos socegados,
Porque dobram os sinos a finados,
Por ter chegado, enfim, a minha vez!



Dr. Alfredo Pimenta
Autor do «Livro das Chymeras»

Mãos lyriais de tão delgados dedos,
Como fios de luz crepuscular,
Vinde meos olhos pállidos fechar,
Para que ninguem conheça os meos segredos.

Para que ninguem conheça os meos segredos,
E os olhos me não possa vir fechar,
Fechai-mos, vós, á luz crepuscular,
Quando parecem luz os vossos dedos.

São segredos de amor, os meos segredos…
E é porisso que só os vossos dedos
Devem meos olhos pallidos fechar…

E assim meos olhos só aos vossos dedos
Poderão confiar os meos segredos
Suaves como a luz crepuscular…



(Sonetos extraídos do Livro das Chymeras)

Mais sobre Alfredo Pimenta aqui