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sábado, 6 de abril de 2024

 


 Nós, portugueses, talvez devido à cultura fundada na história trágico-marítima, temos uma imagética imbricada e uma herança de lugares que tratamos como se memórias fossem.

 O passado está sempre aqui, o presente é já passado e o futuro é o que sempre foi, passado ele também, portanto,
Quando falamos de camelos começamos por trazer à frente a imagem de água, mas nunca chegamos ao deserto. 

Trazida a água à nossa roda deixamo-nos levar nela, nas suas grandes massas e nas suas pequenas correntezas. 

 Provavelmente seguimos por um rio, e nele, vemos margens, e ficamos pelas margens. E se num mar nos vemos, seremos levados a glosar, talvez os cavalos marinhos, e neles, a sua realeza, e nela, talvez, tudo o que interessa, toda a verdade.
Podemos não voltar ao assunto de camelos e ficaremos bem.

 Gosto de ti, Portugal.



segunda-feira, 20 de abril de 2020

A Moral veio da Rússia!

O Estudo Em Casa começou hoje.
À falta de uma moral portuguesa suficientemente boa e certificada, arrancou com um livro que "é uma adaptação realizada a partir de um conto popular russo recuperado por Alexander Afanásiev"






SINOPSE


"A casa da mosca fosca" é uma adapatação realizada a partir de um conto popular russo recuperado por Alexander Afanásiev. As diferentes personagens introduzem os leitores num atraente jogo de números e tamanhos, rimas, repetições e ritmos, que são elementos próprios da tradição oral. Trata-se de um conto acumulativo que apresenta uma galeria de personagens que convidam ao jogo fonético.
O ilustrador Sergio Mora cria animais delirantes, com personalidade própria, repletos de humor e expressividade, utilizando cores "explosivas, quase fluorescentes". Um conto para ler e contar, que cresce em intensidade a cada página até culminar num final surpreendente.

(Imagem e sinopse retirados da BERTRAND Livreiros Aqui )

Sendo o mundo tão grande, anotei a subtileza, com a certeza de que vou ser insultado por uns e outros dirão que para onde vou já eles de lá vieram.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Portugal (13)



          Já poucos se lembram do “bota-fora”; perdeu ao jogo e desapareceu numa situação de “mata-mata”.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Portugal (12)


          A "geral" do Coliseu do Porto a esforçar-se por marcar o compasso, com palmas, ao Benjamim Clementine durante os seus exercícios mais jazzísticos!


Imagem daqui

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Não me coformo com o AO!


Ressuscitava o meu blogue só por causa disto

Jornal EXPRESSO | 22 de Novembro de 2014
ATUAL n.º 2195
Coluna . ISTO ANDA TUDO LIGADO
de: Ana Cristina Leonardo

(a digitalização segue no fundo mas transcrevi para facilitar a leitura)


MAS A LÍNGUA, SENHOR MALACA?


Vou falar do Acordo Ortográfico. Poucas coisas podem hoje ser dadas por adquiridas. Estabilidade é uma palavra em desuso. O amor já não é até que a morte nos separe e os empregos muito menos são para a vida. Sabemos que estabilidade a sério só na morte, e era agora ou nunca que desatava a falar de entropia e de termodinâmica. Deixo isso para o José Rodrigues dos Santos, cujo último livro, que não li, sei que se atira à jugular da quântica. Se não li o mais recente de JRS, li há já uns anos “Imposturas Intelectuais” de Alan Sokal e Jean Bricmont, o que até hoje me deixou sempre de pé atrás quando ouço alguém referir gatos fechados em caixas. Acrescento que fora eu do sexo masculino, a afirmação de Lacan lá transcrita de que o “órgão eréctil (…) é igualável à raiz de -1 “ ter-me-ia tornado impotente. Descartado tal problema, exponho outro. Como saltar do “órgão eréctil” para o AO? Fácil. Ao “órgão eréctil” foi-lhe capado o cê. Recordemos. As consoantes mudas são eliminadas quando não proferidas na pronúncia culta. No caso, o cê foi à vida, o que quer dizer que se alguém insistir em pronunciar “eréctil” isso significará que é um grandessíssimo bronco (a boa notícia é que, sendo bronco, não é necessariamente impotente). Estamos, pois, assim. Viva a fonética! Hipótese: em Portugal existe um grave problema de surdez. Ou isso ou quem assinou o AO deve responder por crime de lesa-língua (as duas teses não se excluem entre si). Vou ser franca. Nunca vi tanta asneira escrita. Nem o “Diário da República” escapa. Exemplos? Aos molhos. “Fato” por “facto”. “Fição” por “ficção”. “Corrução” por “corrupção”. “Recessão” por “receção” (já agora, que raio é “receção”?) “Ténico” por “Técnico” (pela minha saúde!). “Contato” por “contacto” (um clássico perfilhado pelos impressos do CTT e vários ministérios…). Dir-me-ão. A culpa não é do AO. Os portugueses é que são uma cambada de broncos (ou surdos, na versão branda). Ora bem, e agora que me perdoem o Sokal e o Bricmont. Um homem conduz um carro a alta-velocidade e embate num poste de alta-tensão. O poste cai e o condutor sofre queimaduras fatais. A autópsia revela uma taxa de alcoolemia 100 vezes superior à necessária para anestesiar Bukowski. A escolástica diria que a causa da morte foi Deus. Eu, modestamente, limito-me a concluir: alguém revogue o suicídio acelerado da língua. Sem esquecer de que estamos a morrer sozinhos.
 



sexta-feira, 31 de maio de 2013

No inferno


A tristeza que aí vai. Quanto mais se fala, se critica, se comenta, se javarda em verborreias incontinentes, pior; só mais tristeza!
Eu resumo o que aconteceu. Aqui há três anos morremos e fomos para o inferno. Estamos agora a atravessar o campo de todas as expiações, vai cheia a barca e transborda de lamentos, e nem podemos contar com o barqueiro, demos-lhe duas moedas e cuspiu nelas.
É assim o inferno, um cenário velho como a noite onde todos os diabos e figurantes são eles também almas penadas.
Não nos enganemos.
Aparece o demónio velho rodeado da esquerdalhada  sem nome, que se diz bloco, incréu, homofilo, confuso e baralhante, estupurador indignado, que toca tambor de guerra disfarçado de bater no peito, que rasga as vestes mais para a orgia do caos  do que para abrir o peito – cheio de podres. Aparece o demónio velho e reúne a escumalha, faz parte do cenário.
Morremos e fomos para o inferno. Estamos a atravessá-lo.
Fora de cena quem não é de cena, choremos e ranjamos os dentes, somos os actores deste acto, a tragédia vai ser interpretada até ao fim.

JMP



terça-feira, 21 de maio de 2013

Coutada de Paintball



     Ao mesmo tempo que se aprova no parlamento a adopção de crianças humanas por parelhas de gays (um casal é um macho e uma fêmea), o Presidente da República fala a despropósito de um milagre da Senhora de Fátima, e isso é que é notícia!


quinta-feira, 28 de junho de 2012

Problemas de comunicação

                 
                    Recebi há uns minutos.
                    O que é que está mal?


                    Está tudo mal - falar grátis por 1 euro, a selecção já não está no europeu, etc
                    Assim Portugal não vai lá, nem vai a lado nenhum!


terça-feira, 5 de junho de 2012

Portugal, Portugal

Ainda estava eu a ressacar da cobertura noticiosa da partida da selecção nacional para o EURO 2012, quando fui atingido por uma notícia mesmo no sítio onde me nasce o senso.
Ontem vi o autocarro da selecção a chegar ao aeroporto, um jornalista atarefado por arrancar mais umas palavrinhas salvíficas aos jogadores todos enfatuados, muito escarafunchosos nas suas cabecinhas contidas entre grandes headphones. Depois, vi o avião a descolar, e entretanto, o tanto que se disse… A palavra Portugal saía a cada dez segundos, entre “os nossos heróis”, Portugal, Portugal, e a bandeira plasmada em todos os suportes, em tantas caras, nas roupas, no avião alvo e penetrante a subir ao céu. Os noticiários abriram com a notícia de que “os nossos heróis” já tinham partido, já voavam, por aquela hora atravessavam pujantemente as alturas, Portugal lá ia, todos nós com o cinto posto enquanto não se apagarem os sinais de luz A repetição da descolagem e Portugal, Portugal, é Portugal, somos nós a dez mil metros de altitude, a novecentos e cinquenta à hora, a temperatura exterior é de menos oito e quando aterrarmos espera-nos a noite e tempo fresco, Portugal. Há um gajo com o microfone na mão – já lá está! Está à espera que o avião aterre; é Portugal a receber Portugal enquanto Portugal espera, e crê, e ama, e sofre Portugal.
 Notícia de última hora, o avião vai aterrar. É de noite fechada mas um potente foco rasga tudo e cresce, cresce… Cresce Portugal, e aterra.
Ainda ressacava da noite mal dormida, da insónia povoada de pessoas com a cara desfigurada por vermelho e verde, de joelhos no chão molhado por lágrimas copiosas. Gritam e batem com as mãos no peito. Das bocas com os dentes por tratar sai Portugal, Portugal… É Portugal a rebentar os joelhos no asfalto, a rebentar o peito com sentimentos vendidos em kit no Continente, a rebentar a boca com refrigerantes gaseificados, açucarados, coloridos, é Portugal.
Ainda ressacava, e ouço que as brigadas da GNR e da polícia que mandam parar os carros, poderão ter a cooperação de um agente das finanças para reter as viaturas de quem tiver dívidas ao fisco. Ao mesmo Estado que nunca paga a horas e gasta à tripa-forra, sobra-lhe para pagar a quem nos trave a marcha, nos tire da estrada com um gesto resoluto e nos lembre do que fizemos de Portugal.
Ai Portugal, Portugal  £#?%$'"@?????

Jorge Palma | Portugal, Portugal