A CIDADE FANTÁSTICA
- Tom – disse Douglas -, promete-me uma coisa, está bem?
- Prometo. Mas o quê?
- Embora sejas meu irmão e eu, por vezes, te odeie, conserva-te perto de mim, está bem?
- Queres dizer que me deixas ir contigo e com os outros rapazes mais crescidos nos vossos passeios?
- Bem… claro… até isso. O que eu quero dizer é que te não vás embora, hein? Não te deixes atropelar pelos automóveis, não caias de nenhum rochedo.
- Está claro que não! Mas afinal quem julgas tu que eu sou?
- Porque mesmo que as coisas corram pelo pior e mesmo que ambos sejamos já muito velhos… assim com uns quarenta ou quarenta e cinco anos, um dia… podemos arranjar uma mina de ouro no Oeste e podemos ficar por lá a fumar barbas de milho e a deixar crescer as barbas.
- A deixar crescer as barbas! Ena!
- Como te digo, conserva-te perto e não deixes que te aconteça nada.
- Podes contar comigo – disse Tom.
- Eu não me preocupo contigo – disse Douglas. – Preocupo-me é com a maneira como Deus governa o mundo.
Tom ficou a pensar nisto por momentos.
- Mas ele está certo, Doug – disse Tom. – Pelo menos tenta.
Ray Bradbury – Escritor, mestre em ficção científica
22/08/1920 - 05/06/2012
O excerto acima é do livro A CIDADE FANTÁSTICA
Título original: Dandelion Wine
1957
Editorial Caminho 1986
