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sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um Poeta Lírico


            Um Poeta Lírico

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Este período de glória foi breve, mas suficiente para o pôr em evidência; a sua palavra colorida, poética recamada de imagens engenhosas e lustrosas, encantou Atenas: tinha o segredo de florir, como ele dizia, os terrenos mais áridos; de uma discussão de imposto ou de viação fazia saltar éclogas de Teócrito. Em Atenas este talento leva ao poder: Korriscosso era indicado para gerir uma alta administração do Estado: o Ministério, porém, e com ele a maioria de que Korriscosso era o tenor querido, caíram, sumiram-se, sem lógica constitucional, num destes súbitos desabamentos políticos tão comuns na Grécia, em que os governos se aluem, como as casas em Atenas – sem motivo. Falta de base, decrepitude de materiais e de individualidades… Tudo tende para o pó num solo de ruínas…
        Nova lacuna, mergulho obscuro na história de Korriscosso…

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          Obras de Eça de Queiroz
          CONTOS
          Editora Livros do Brasil
          Lisboa – Fevereiro de 2011


segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Conde de Abranhos

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Quantas vezes me disse o Conde ser este o segredo das Democracias Constitucionais: «Eu, que sou governo, fraco mas hábil, dou aparentemente a soberania ao povo, que é forte e simples. Mas, como a falta de educação o mantém na imbecilidade, e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito… E quanto ao seu proveito… adeus, ó compadre!
            Ponho-lhe na mão uma espada; e ele, baboso, diz: eu sou a Força! Coloco-lhe no regaço uma bolsa, e ele, inchado, afirma: eu sou a fazenda! Ponho-lhe diante do nariz um livro, e ele exclama, de papo: eu sou a Lei! Idiota! Não vê que por trás dele, sou eu, astuto manejador de títeres, quem move os cordéis que prendem a Espada, a Bolsa e o Livro!»
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Eça de Queirós (José Maria Eça de Queirós)
Póvoa de Varzim, 25/11/1845 - Paris, 16/08/1900
Figura cimeira do romance português, também contista e cronista notável.
O fragmento acima é de "O Conde de Abranhos" - 1925 (póstumo)