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sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Dito 47



          As despedidas e o suicídio perdem a sua dignidade se os repetirem
 
Jorge Luis Borges, em "História da eternidade"

sábado, 3 de novembro de 2012

O Aleph


… Não se dirá melhor o que ali se disse. Além do mais (e talvez isto seja o essencial das minhas reflexões), o tempo, que despoja as fortalezas, enriquece os versos. O de Zuhair, quando este o compôs na Arábia, serviu para confrontar duas imagens, a do velho camelo e a do destino; repetido agora, serve para recordar Zuhair e para confundir os nossos pesares com os daquele árabe morto. Dois termos tinha a imagem e hoje tem quatro. O tempo amplia o âmbito dos versos e sei de alguns que, como a música, são tudo para todos os homens. Assim, atormentado há anos em Marrakesh com saudades de Córdova, comprazia-me em repetir a apóstrofe que Abdurrahman dirigiu, nos jardins de Ruzafa, a uma palmeira:

 
                   Tu também és, ó palmeira!,
                   Estrangeira neste solo…

 
        Singular benefício da poesia: palavras escritas por um rei que desejava o Oriente serviram-me a mim, desterrado na África, para a minha nostalgia de Espanha.
          …
Excerto de “A BUSCA DE AVERRÓIS”
 
 
 
Editorial Estampa - Ficções, n.º7