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Não se dirá melhor o que ali se disse. Além do mais (e talvez isto seja o
essencial das minhas reflexões), o tempo, que despoja as fortalezas, enriquece
os versos. O de Zuhair, quando este o compôs na Arábia, serviu para confrontar
duas imagens, a do velho camelo e a do destino; repetido agora, serve para
recordar Zuhair e para confundir os nossos pesares com os daquele árabe morto.
Dois termos tinha a imagem e hoje tem quatro. O tempo amplia o âmbito dos
versos e sei de alguns que, como a música, são tudo para todos os homens.
Assim, atormentado há anos em Marrakesh com saudades de Córdova, comprazia-me
em repetir a apóstrofe que Abdurrahman dirigiu, nos jardins de Ruzafa, a uma
palmeira:
Tu também és, ó palmeira!,
Estrangeira
neste solo…
Singular benefício da poesia: palavras
escritas por um rei que desejava o Oriente serviram-me a mim, desterrado na
África, para a minha nostalgia de Espanha.
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Excerto de “A BUSCA DE AVERRÓIS”
Editorial Estampa - Ficções, n.º7