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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Maldito Acordo Ortográfico!


            Tristemente, o jornal EXPRESSO aderiu ao acordo ortográfico. Digo tristemente porque fiquei triste a lê-lo. O dito acordo não é menos que uma hecatombe, e mesmo quando pensamos que está descontado o efeito fica-se a qualquer momento com um desconfortável sentimento de dúvida, e tristeza.
         Estava eu a ler a revista “E” – a revista do “Expresso” – quando logo a seguir a ter levado com “cetro” na cabeça, levo logo de seguida com “receções”. E fiquei triste, pronto! Não gosto de ter pena de mim e a primeira coisa que me veio à ideia foi um “JMP a sentir-se triste a ler o Expresso”, exposto no “feed de notícias” do facebook, entre um filme com gatos e uma publicidade a óleo para motores.
          O que é “cetro”? E o que são “receções”? Eu estava a ler “O esplendor de uma glória perdida”, era suposto ser sobre as jóias da coroa e não havia necessidade destes dois tesourinhos.




segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Não me coformo com o AO!


Ressuscitava o meu blogue só por causa disto

Jornal EXPRESSO | 22 de Novembro de 2014
ATUAL n.º 2195
Coluna . ISTO ANDA TUDO LIGADO
de: Ana Cristina Leonardo

(a digitalização segue no fundo mas transcrevi para facilitar a leitura)


MAS A LÍNGUA, SENHOR MALACA?


Vou falar do Acordo Ortográfico. Poucas coisas podem hoje ser dadas por adquiridas. Estabilidade é uma palavra em desuso. O amor já não é até que a morte nos separe e os empregos muito menos são para a vida. Sabemos que estabilidade a sério só na morte, e era agora ou nunca que desatava a falar de entropia e de termodinâmica. Deixo isso para o José Rodrigues dos Santos, cujo último livro, que não li, sei que se atira à jugular da quântica. Se não li o mais recente de JRS, li há já uns anos “Imposturas Intelectuais” de Alan Sokal e Jean Bricmont, o que até hoje me deixou sempre de pé atrás quando ouço alguém referir gatos fechados em caixas. Acrescento que fora eu do sexo masculino, a afirmação de Lacan lá transcrita de que o “órgão eréctil (…) é igualável à raiz de -1 “ ter-me-ia tornado impotente. Descartado tal problema, exponho outro. Como saltar do “órgão eréctil” para o AO? Fácil. Ao “órgão eréctil” foi-lhe capado o cê. Recordemos. As consoantes mudas são eliminadas quando não proferidas na pronúncia culta. No caso, o cê foi à vida, o que quer dizer que se alguém insistir em pronunciar “eréctil” isso significará que é um grandessíssimo bronco (a boa notícia é que, sendo bronco, não é necessariamente impotente). Estamos, pois, assim. Viva a fonética! Hipótese: em Portugal existe um grave problema de surdez. Ou isso ou quem assinou o AO deve responder por crime de lesa-língua (as duas teses não se excluem entre si). Vou ser franca. Nunca vi tanta asneira escrita. Nem o “Diário da República” escapa. Exemplos? Aos molhos. “Fato” por “facto”. “Fição” por “ficção”. “Corrução” por “corrupção”. “Recessão” por “receção” (já agora, que raio é “receção”?) “Ténico” por “Técnico” (pela minha saúde!). “Contato” por “contacto” (um clássico perfilhado pelos impressos do CTT e vários ministérios…). Dir-me-ão. A culpa não é do AO. Os portugueses é que são uma cambada de broncos (ou surdos, na versão branda). Ora bem, e agora que me perdoem o Sokal e o Bricmont. Um homem conduz um carro a alta-velocidade e embate num poste de alta-tensão. O poste cai e o condutor sofre queimaduras fatais. A autópsia revela uma taxa de alcoolemia 100 vezes superior à necessária para anestesiar Bukowski. A escolástica diria que a causa da morte foi Deus. Eu, modestamente, limito-me a concluir: alguém revogue o suicídio acelerado da língua. Sem esquecer de que estamos a morrer sozinhos.
 



domingo, 30 de março de 2014

Efeito AO 1990

 


O acordo ortográfico não determina que se escreva assim, mas é o culpado que asneiras como esta venham acrescer às que já se faziam.
São os contatos e os fatos e os patos, estes últimos especialmente.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Acordos falhados




Quando leio imprensa do início do Séc. XX vejo-me muitas vezes obrigado a recorrer a dicionários da mesma época. Objectos relativos a acções e gestos que já ninguém realiza, e a artes e ofícios desaparecidos, assim como os nomes desses mesmos actos e ofícios, levam-me a procurar desfazer as dúvidas. A tendência natural de depreender o significado das palavras pelo contexto, conduz muitas vezes ao erro pelo facto de estarmos precisamente fora de um contexto deixado há muito para trás.
Noto que o meu dicionário da língua portuguesa da livraria Simões Lopes, de 1939, refere a legislação de acordo com a qual foi publicado – “acordismo” daquele tempo.
Atento nisso e não posso deixar de pensar nos problemas enormes, que, de forma dispensável e gratuita, fomos arranjar com o dito “acordo ortográfico” de 1990.
Consulto o meu dicionário, muito bem feitinho para respeitar o “… acordo celebrado entre a Academia das Ciências de Lisboa e a Academia Brasileira de Letras” e não posso deixar de pensar que estamos a falhar onde já outrora falhamos. O que prevalece é bem diferente do que se quer impor, porque o Português é uma língua viva.




segunda-feira, 20 de maio de 2013

Contra o (dito) Acordo Ortográfico



          Pedro Correia é jornalista e activíssimo bloguista nacional; escreve no DELITO DE OPINIÃO e tem feito um trabalho consistente e persistente para denunciar o despropósito disso a que se resolveu chamar  acordo ortográfico.
          Já está disponível nas livrarias e tem sessão de lançamento  marcada para Terça-Feira, dia 21, a partir das 18h30' na Bertrand do Picoas Plaza (Lisboa). Fará a apresentação o Pedro Mexia. 

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Devaneio em prado de papel



Tuês;
tuês é a tua linguagem
vista pelos meus olhos.
Lidade, é o resultado do que se lida.
A tua lidade é no fim de contas
o que fazes.
Atualidade são três palavras,
aglutinadas por ti.
Atualidade és tu,
ou o que se vê de ti.
O acordês é,
a modos que, a linguagem
de cordeiro, se for branco,
num prado de papel
com palavras de brincar.


domingo, 10 de março de 2013

Acordo Ortográfico?


Triste acordo, que o não é!

Lembro a mensagem que aqui postei no dia 28 de Fevereiro, em que trouxe o livro de Teilhard de Chardin “O Fenómeno Humano”, para trazer à liça uma lacónica nota dos tradutores, impressa numa daquelas folhas para lá do índice, páginas já sem numeração, a que ainda se segue uma outra que diz – Esta obra acabou de se imprimir na Imprensa Portuguesa, no Porto, em Janeiro de 1970.
Eis a tal nota:
Esta pérola convém ser levada em conta, quanto mais não seja para se juntar ao facto de o Brasil nunca ter aplicado os anteriores acordos ortográficos, nem o de 1931 nem o de 1945, e lembrar que há muito mais a separar-nos além da ortografia. No caso da nota dos tradutores de “O Fenómeno Humano”, se não tive dificuldade alguma com “verisímel” e “inverisímel”, já com “evolver” mais facilmente teria entendido outra coisa diferente de evoluir!
Lembro-me de uma vez, a consultar o manual de um aparelho de espectrofotometria, tradução do inglês para português do Brasil, ter tido dúvidas sobre uma referência a “… diferir 45º do normal”; no original o que estava escrito era “… diferir 45º da normal”. Naquele caso, tive a oportunidade de me deparar com dificuldades provenientes de uma tradução incompetente, mas principalmente, provenientes de liberdades e imprecisões linguísticas incompatíveis com o texto técnico. Ainda hoje, quando o que está em causa são livros técnicos e posso escolher entre uma tradução para espanhol e uma para português do Brasil, escolho o espanhol.
Entendo que na defesa do Português como uma língua de referência no mundo, se tente evitar que dela divirjam padrões, a ponto de se ter que considerar línguas diferentes. Mas também sei, que a opção de agir politicamente sobre os padrões, sendo que se trata da ortografia, é a forma mais fácil mas mais falível de tentar atingir os intentos. Corresponde a, no intuito de reduzir politicamente as diferenças entre ricos e pobres, declarar como pertencentes à classe média todos aqueles que vão do salário mínimo até aos que conseguem gastar em vida todas as suas posses. O problema, se se quiser considerar problema, de o Português ter variantes, aparece logo de região para região, do continente para as ilhas e de ilha para ilha. As diferenças na grafia de determinadas palavras, não serão com toda a certeza mais importantes do que a fria constatação de se ver grafadas uma série de palavras das quais não se entende o significado.
Quem estiver familiarizado com a escrita em imprensa do início do Séc. XX, saberá a variabilidade que caracterizava a escrita da nossa língua por esses tempos. A estabilidade reconhecida na escrita do Português, antes da entrada em vigor do (dito acordo) ortográfico de 1990, tinha um valor imenso, do qual comecei desde logo a ter saudades, por ter a certeza que seria o primeiro a sofrer consequências.
Em Angola já se diz que se Portugal não defende a própria língua, a defendem eles. O Brasil, a quem se dirigia esta portuguesíssima vontade de agradar, adiou para as calendas gregas a aplicação do que por cá se continua a chamar “acordo”! Deparo-me com escritas como a da carta a mim endereçada pela Administração Regional de Saúde do Norte (por motivo de actualização da lista de utentes), onde é visível a vontade de obedecer ao AO, mas faz conviver na mesma página as palavras: contacto, contatar e contato. A ler a mesma carta soou-me mal a forma como li: receção, ativa, atualizar, e outras.
Por mim, até preferia continuar a escrever “sciencia” e “pharmácia”, do que me ver nesta situação, sem ter a quem pedir contas; os que fazem disto, ou fogem, ou escondem-se atrás “da festa que foi”. Continuarei a escrever como sempre escrevi.
Se é por questões de simplificação, esqueçam. Não me mexam na escrita das palavras, nem no som dos instrumentos musicais, muito menos queiram tocar na minha inteligência.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Do arco da velha 16


Acordos, reformas, e coisas assim...


... vem de longe, muito longe, e confunde, e avança o que avança, fica o que tem de ficar, é a escrita das palavras...