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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Poesia Popular



 
Isto é uma coutada?
 
 
Neste nosso País de liberdade
as mulheres, na terra dos capões,
são proibidas por certos figurões
de tocarem na banda da cidade.
 
E os que mandam alinham nisto tudo,
vão dizendo que sim com toda a gente,
entre eles não há nada de diferente,
andam todos ao som do tal "canudo".
 
O que diz a constituição, é entulho!...
o que importa é subsidiar o orgulho
desses ditos senhores da coutada,
 
que dizem para aí, à boca cheia,
a mulher é um bombo em que se arreia...
só serve p'ra parir e p'ra mais nada!
 
2-12-2012
 
Rodela, poeta popular freamundense.


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Parteira improvisada



olá Doutor Miguel Brito 
com que então fez de parteira
duma gata parideira
e nem precisou de apito
pois logo ao primeiro grito
mesmo sem mão calejada
lá foi salvar a ninhada
que se safou inteirinha
graças à sua mãozinha
de parteira improvisada.




Rodela 15-05-2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Cruzeiro de Freamunde

 


 
            Enquanto fotografo o cruzeiro, atravessa a estrada de frente para mim, o poeta António Rodela.
            - Venha cá, também ficou na fotografia.
            - A tirar fotografias ao cruzeiro, é simples, há mais bonitos…
            - É bonito, robusto, e alto
            - Já escrevi umas coisas ao cruzeiro, um soneto, até tenho aqui
            O Rodela abriu a maleta de mão e expôs um grosso monte de papéis escritos com letra muito certinha, e um caderno; localizou a folha com os versos ao cruzeiro como se nunca tivesse tido outra em mente.


            Cruzeiro dos meus tempos de menino,
            Quantas noites inteiras de verão
            Eu faço a minha cama no teu chão,
            Até que para a missa toque o sino.

            E as vezes que eu girei em procissão
            Aqui ao teu redor, de opa ou de anjinho,
            No papel de autêntico santinho,
            Embora fosse só de ocasião.

            Os teus braços velhinhos e cansados
            São a mais linda renda de bordados
            Que a nossa terra põe na mesa.

            Quando tem que assear os seus portais
            Pra receber visitas cordiais,
            Em ti até o sol tem mais justeza.

                  Rodela, 11-10-2002