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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O Fenómeno Humano


O FENÓMENO HUMANO
Pierre Teilhard de Chardin
(escrito entre 1938 e 1940, sofreu "retoques" em 1947 e 1948)

Editora Herder – São Paulo
Filosofia e Religião (16º Volume) – Biblioteca fundada por Leonardo Coimbra
Livraria Tavares Martins, Porto – 1970 (3ª Edição)
Título Original: LE PHÉNOMENE HUMAIN  (Éditions du Seuil, Paris)
Tradução portuguesa de LÉON BOURDON (Professor) e JOSÉ TERRA (Leitor), do Instituto de
                                                                                Estudos Portugueses da Sorbonne

Os direitos em língua Portuguesa pertencem à Livraria Tavares Martins, Porto – Portugal



Extracto do RESUMO OU POSFÁCIO

…

1. UM MUNDO QUE SE ENROLA: OU A LEI CÓSMICA DE
COMPLEXIDADE-CONSCIÊNCIA

            Temo-nos familiarizado ultimamente, na escola dos astrónomos, com a ideia de um Universo que, desde há alguns biliões de anos (apenas!), teria vindo desabrochando em galáxias a partir de uma espécie de átomo primordial. Esta perspectiva de um mundo em estado de explosão é ainda discutida: mas a nenhum físico ocorreria a ideia de a rejeitar como eivada de filosofia ou de finalismo. Não é mau ter sob os olhos este exemplo para compreender ao mesmo tempo o alcance, os limites e a perfeita legitimidade científica das concepções que aqui proponho. Reduzido, com efeito, ao seu cerne mais puro, a substância das longas páginas que precedem reduzem inteiramente a esta simples afirmação, que, se o Universo nos aparece sideralmente como em vias de expansão espacial (do ínfimo ao imenso), do mesmo modo, e ainda mais claramente, ele se nos apresenta, físico-químicamente, como em vias de enrolamento orgânico sobre si próprio (do muito simples ao extremamente complicado) – achando-se este enrolamento particular «de complexidade» experimentalmente ligado a um aumento correlativo de interiorização, quer dizer de psique ou consciência.
            No domínio exíguo do nosso planeta (o único até agora em que podemos praticar a Biologia), a relação estrutural aqui notada entre complexidade e consciência é experimentalmente incontestável, e desde sempre conhecida. O que confere originalidade à posição adoptada neste livro é o facto de nele se afirmar, desde início, que esta propriedade particular que possuem as substâncias terrestres de cada vez mais se vitalizarem complicando-se cada vez mais não é senão a manifestação e a expressão local de uma deriva tão universal (e excepcionalmente significativa) como aquelas, já identificadas pela Ciência, que levam as camadas cósmicas não só a alastrarem explosivamente como uma onda, mas também a condensarem-se corpuscularmente sob as formas do electromagnetismo e da gravidade, ou ainda a desmaterializarem-se por irradiação: achando-se provavelmente estas diversas derivas (um dia o reconheceremos) estritamente conjugadas entre si.
            Se assim é, vê-se que a consciência, definida experimentalmente como efeito específico da complexidade organizada, ultrapassa muito o intervalo , ridiculamente pequeno, em que os nossos olhos conseguem distingui-la directamente.
            Por um lado, com efeito, mesmo onde valores quer muito pequenos, quer até médios,  de complexidade no-la tornam estritamente imperceptível (quer dizer, a partir e abaixo das muito grandes moléculas), somos logicamente levados a conjecturar em qualquer corpúsculo a existência rudimentar (no estado de infinitamente pequeno, isto é, infinitamente difuso) de alguma psique – exactamente como o físico admite e poderia calcular as alterações de massa (completamente inapreensíveis para uma experiência directa) que se produzem no caso de movimentos lentos.
            Por outro lado, precisamente nos pontos do Mundo onde, em consequência de circunstâncias físicas diversas (temperatura, gravidade…), a complexidade não chega a atingir os valores ao nível dos quais uma irradiação de consciência poderia influenciar os nossos olhos, somos induzidos a pensar que, tornando-se favoráveis as condições, o enrolamento, momentaneamente detido, retomaria logo a sua marcha para a frente.
            Observando, insisto, segundo o seu eixo das Complexidades, o Universo encontra-se, no conjunto e em cada um dos seus pontos, em estado de tensão contínua de dobramento orgânico sobre si mesmo e, portanto, de interiorização. O que significa que, para a Ciência, a Vida se acha desde sempre e por toda a parte em estado de pressão; e que, nos sítios em que conseguiu romper de modo apreciável, nada a pode impedir de levar até ao máximo o processo de que saiu.
            …

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Aulo Gélio sobre Séneca (*)

 Já estou a ficar cansado de Séneca. Ache quem quiser que Séneca merece ser lido e estudado pelos jovens, ele que achou por bem comparar a gravidade e o tom dos autores arcaicos com os leitos de Sotérico, isto é, com moveis destituidos de beleza, já passados de moda, monos de que ninguém gosta. Apesar de tudo, vale a pena citar alguma coisa, pouca, de Séneca digna de menção, como é aquele seu excelente dito dirigido a um avarento, ambicioso até mais não, atormentado pela sede de dinheiro: "Que importam os bens que possuis se muito mais numerosos são aqueles que não possuis?"



(*) Postal "picado" de  Ascensão à Vida da Sabedoria de João Machado