quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Problema de álcool



Alcohol, discovered by federal agents during a raid on an illegal distillery, pours out of upper windows of three-story storefront in Detroit during Prohibition,1929

Reblogado daqui

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Crentes no Estado e tementes à Europa



Passei a vida toda confrontado com os argumentos tecidos pela esquerda incréu e tacanha, contra as riquezas da igreja, a arte em ouro sobre as imagens, o imenso valor de objectos e peças de arte acumulados no Vaticano, a riqueza das vestes dos prelados e tudo o que aos olhos dos impolutos guardiões da sociedade sem moral, por tudo ser carne, pudesse render dinheiro, esse, consensualmente digno e globalmente entendido como real valor. Eu, submetido ao jugo da dúvida metódica, da coisa das equidistâncias, da aceitação da diversidade dos olhares, da obrigação - imposta pela tal moral – de sair de mim para encarnar o esfomeado, o doente, o que sofre por desprezo, deixei-me a digerir mais essa dúvida sob o insuportável peso do silêncio auto-infligido.
         O tempo passa; os seus efeitos de bom conselheiro para os sensatos, realizam-se perfidamente nos tontos como meninice tardia, como sentimento de totipotência, castrismo, soarismo, ou simplesmente canavilhismo. Nas esquerdas chiques, aquelas que sabem exactamente o que todo o homem deve desejar e se dispõem a fazer que homem algum possa, por acidente, optar por um caminho só seu, o tempo também lá acabou por fazer o seu efeito: depois das experiências de mumificações apalermadas no Leste e falhadas na América latina, deu-lhes para a “panteonite” em Portugal, a ponto de “santa Engrácia” poder ter de voltar às obras. Estranha esta fé, tão cultivada quão renegada! É estranha essa “fé” como estranho é o valor, tanto dado, como logo deixado de dar, às obras de arte. Mais recentemente, a devota crença de que Portugal deveria comprar os quadros de Miró, “caídos no colo”, mostra à saciedade quão grande colo pode ainda a pátria ser, para alguns – sempre os mesmos.
         Para já, tudo vai calmo. Nas próximas legislativas é a vez, dizem, outra vez dos socialistas. Mais lá para a frente, vou voltar a ouvir falar do que se poderia fazer com o resultado da venda dos bens da Igreja. Poderemos por exemplo ir ao mercado tentar recuperar os santos ícones do catalão, e ampliar o panteão, porque não?



sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Dito (57)

   
       
      Estou sob termo de identidade e residência há demasiado tempo.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

O Cimbalino


Reblogado dos Cadernos da Libânia


La Cimbali e o cimbalino
 

Em 1956 a boa fama profissional da ofi­cina de Manuel Ferraz levou a que fos­se escolhida para agente da marca La Cimbali, moderna máquina italiana de ti­rar cafés. Porfírio foi a Itália fazer uma es­pecialização para poder reparar as no­vas máquinas, cuja primeira foi montada no Café Central, em Anadia. Seguiu-se a montagem de máquinas nos cafés Águia d'Ouro, Palladium, Âncora dOuro, Tropi­cal, Brasileira e Confeitaria Lobito (Largo do Padrão) no Porto, e nos cafés Sport e Pátria, em Matosinhos. O Porfírio era co­nhecido em todos os cafés, e o seu passa­do profissional merecia confiança. Hones­to, simpático, alegre e bom conversador, facilmente convenceu todos os indus­triais do ramo a deixarem montar uma das modernas máquinas nos seus esta­belecimentos, à experiência. Um engenheiro italiano, de nome Cam­po Nuovo, acompanhava o Porfírio e in­formava os donos dos cafés que só se procederia à venda da máquina se se comprovasse a eficácia do novo mo­do de servir café à italiana, se o interes­se dos clientes justificasse e se houves­se vontade de aquisição por parte do proprietário do estabelecimento. E foi a que começou o problema. Ninguém pe­dia café de máquina!... Passavam-se os dias e o café à italiana não tinha clien­tes. Aquilo parecia um fiasco e o italia­no Campo Nuovo começou a desani­mar e pensou regressar a Itália com as máquinas. Entendendo es­se desânimo, e cheio de boa vontade em ajudar, o Porfírio percebeu a fal­ta de informação que fa­zia o desconhecimento do produto pelos poten­ciais consumidores, e sugeriu ao italiano:
- Ó senhor engenheiro, porque é que o senhor não faz um cartaz a dizer assim: "Não peça café. Pe­ça um cimbalino e veja a diferen­ça". Campo Nuovo arregalou os olhosl De imediato viu que acaba­ra de nascer um nome para o no­vo produto que era o café da má­quina La Cimbali!
Aceitou a ideia, mandou tipografar car­tazes com a frase sugerida pelo Porfírio, distribuiu-os pelos cafés... e algum tem­po depois já pôde facturar as máquinas instaladas!
Os bons apreciadores de café aderiram ao "cimbalino" que se tornou num êxito e numa marca do Porto, e o Porfírio re­cebeu um prémio de 5.000 escudos pe­la ideia!


terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Sócrates, Sócrates, que raio, Sócrates!



Sócrates não é só o nosso Don Quixote em versão feita na China, ele é também o nosso Sancho Pança em versão mexicano de luta livre, o nosso Roncinante biónico, e agora, grande cavaleiro do próprio caixão – uma coisa muito à frente, quase uma versão refinada do Mário Soares montado numa tartaruga ninja.

A não perder esta ligação ao ma-schamba , um post delirante do Miguel Valle de Figueiredo – é para rir, pois, ao Domingo na RTP1, que desta foi à Segunda (ou ao Sábado).

 

Dicionário de lugares imaginários



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Entre os diversos tipos de viagens imaginárias, a do viajante de poltrona constitui uma classe em si. Alguns, como Plínio, o Velho, no século I, escreveram textos interessantes sobre lugares distantes que nunca viram, com uma convicção que, séculos mais tarde, levou leitores como Otelo a acreditarem que havia «homens cujas cabeças/ crescem por baixo dos ombros», como aparece representado na Crónica de Nuremberga, de 1493. O contumaz mentiroso John de Mandeville, por exemplo, descreveu como visitou grande parte do Oriente, como bebeu da Fonte da juventude, na costa do Malabar, e como serviu no exército do imperador da China. «Do Paraíso», refere, no entanto, «não posso falar, dado não ter estado lá».
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Dicionário de lugares imaginários
Autores: Alberto Manguel e Gianni Guadalupi
Ilustrações: Graham Greenfield e Eric Beddows
Mapas: James Cook
Tradução de Carlos Vaz Marques e Ana Falcão Bastos
Capa: Vera Tavares
1ª edição: Agosto de 2013
TINTA DA CHINA - Lisboa



sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Peter Gabriel - Mercy Street - Live in Milan 2003




Hosana


         
Deus que tudo dá, também dá santos para incréus.
Hosana nas alturas.


(Nunca deixei de ter em mente o Nelson Mandela quando escrevi isto. Ninguém há-de prender a atavismo nenhum um Homem livre; muito menos depois de morto,
Hosana nas alturas)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Problemática dos Papagaios



         Compreendo se me disserem que o momento mais marcante na vida de um papagaio é a longa viagem desde a América do Sul. O simples homem da rua ao ver a ave palradora presa por uma pata a um curto cadeado, pensará naturalmente na tormentosa viagem da magnífica criatura, dentro de um caixote de madeira no fundo do porão escuro de um navio cargueiro. Nada mais despropositado; são ideias que as pessoas criam nos seus insondáveis cérebros.
         A primeira imagem que retenho depois de ter saído da casca, e creiam que estou a ser literal, é de um tipo de barba hirsuta, a fumar um cigarro (?) enrolado à mão. A ideia é vaga mas consigo distinguir nesta velha memória uma lâmpada incandescente por cima e uma cama de algodão em rama por baixo; à minha frente o tipo olha para mim e diz, respira puto, e já tinha nas mãos outro ovo rachado para ajudar a descascar. Tenho também uma memória auditiva de música tipo hard-rock, em que se canta ao ritmo das baforadas do que sei hoje ser um charro, inhale…, exhale…, inhale…, exhale... Mais tarde descobri tratar-se dos Rollins Band. Volto muitas vezes aos Rollins puxado por “Wrong Man”.
         Aqui, onde me encontro, limitado ao comprimento do guito que me ataram ao tornozelo, dou muitas vezes por mim a imaginar-me no que seria o meu meio natural e rodeado por um monte de tipos como eu - demolidor.  A simples ideia da minha imagem repetida, eu aqui e ali, e ali também, todos a fazer o mesmo saracotear e a deixar cair guano e cascas de sementes choca-me ao ponto de largar um som daqueles que não estão classificados como linguagem e que eu disfarço com simulado pigarro. Isso sim, é o que marca de forma indelével a vida de um papagaio, saber que poderia ser só mais um no meio de ninguém sabe quantos, sem anilha, sem prato de sementes, sem aulas de expressão vocal, sem um alpendre nem tão pouco um guito.
         O acto da minha abdução, ainda na forma oval, no meio da infindável selva, pode ter ficado registado. Juntamente com essas santas criaturas que abduzem ovos, outras há que as acompanham e filmam tudo. Pelo mesmo processo que os papagaios aparecem no mundo civilizado, aparecem também filmes que são vendidos não muito longe de onde se vendem papagaios.

         Ainda um dia hei-de encontrar o sentido disto. Assim que aprender a falar, a falar mesmo, vai ser mais fácil.

Imagem daqui

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

so long...


 

 
Come over to the window, my little darling,
I'd like to try to read your palm.
I used to think I was some kind of Gypsy boy
Before I let you take me home.

Now so long, Marianne, it's time that we began
To laugh and cry and cry and laugh about it all again.

Well you know that I love to live with you,
But you make me forget so very much.
I forget to pray for the angels
And then the angels forget to pray for us.

Now so long, Marianne, it's time that we began ...

We met when we were almost young
Deep in the green lilac park.
You held on to me like I was a crucifix,
As we went kneeling through the dark.

Oh so long, Marianne, it's time that we began ...

Your letters they all say that you're beside me now.
Then why do I feel alone?
I'm standing on a ledge and your fine spider web
Is fastening my ankle to a stone.

Now so long, Marianne, it's time that we began ...

For now I need your hidden love.
I'm cold as a new razor blade.
You left when I told you I was curious,
I never said that I was brave.

Oh so long, Marianne, it's time that we began ...

Oh, you are really such a pretty one.
I see you've gone and changed your name again.
And just when I climbed this whole mountainside,
To wash my eyelids in the rain!

Oh so long, Marianne, it's time that we began
 
Songwriters: COHEN, LEONARD
(from the album 'SONGS OF LEONARD COHEN') 

quarta-feira, 20 de novembro de 2013