Imagem daqui
quarta-feira, 15 de maio de 2013
terça-feira, 14 de maio de 2013
Animais e Pensões
Um
dia, ia eu com os pescarretas num minibus, pela estrada de terra que circunda a
albufeira da barragem dos Pisões, já para lá de Lama da Missa, quando
encontramos uma manada bovina à nossa frente que seguia no mesmo sentido. Aos
poucos os animais foram-se afastando para os lados, tendo ficado parada uma
vitela barrosã, prenha pela primeira vez, mesmo no meio do caminho, pata
traseira alçada a ameaçar coice, pescoço virado o suficiente para um olhar de soslaio.
Como o autocarro não avançava, a manada reagrupou-se e lá fomos atrás, a curtir
a lentidão e o bamboleio dos bichos. Nesse dia aprendi que os grupos podem ser
conduzidos por um elemento qualquer.
Outra
vez, num percurso entre Pitões das Júnias e Paradela, numa marcha lenta para
fruir das vistas, reparei num cão pastor que encetava uma perseguição ao jipe,
cheio de vontade de se lançar às janelas abertas. O condutor aumentou um pouco
a velocidade e fomos perseguidos pelo cão durante quilómetros. No banco de trás,
rodei o tronco para ver a corrida louca. A cada curva, perdia o cão de vista
mas por pouco tempo. A distância ia aumentando, mas lá vinha o cão a correr
quanto podia, a cortar as curvas por dentro, determinado a alcançar o carro.
Deixei de o ver num troço de curvas apertadas, com dores nos rins pela posição
torcida e muito depois, já para os lados de Salamonde, ainda me voltei para
trás… Ainda me lembro desse cão quando me quero convencer de que não devo
deixar de perseguir um objectivo só porque o perdi momentaneamente de vista.
Por
estes dias os canais de rádio e de televisão põem os ouvintes a dizer, em
directo, o que pensam dos cortes nos subsídios e nas pensões. Também se lhes
pergunta se acham que é com medidas destas que o país resolve os seus problemas.
Quase todos alinham as suas intervenções. O que se ouve nessas espécies de
grupos de discussão é consentâneo, não só entre os mais diversos intervenientes
como com a situação objectiva do país. Assim sendo, está tudo certo, e podemos
dizer que desses programas se pode extrair boas soluções para os problemas que
aí se põem. Logo, os problemas é que estão mal postos, e as perguntas não são
as que interessa ver-se respondidas.
Moral
da história – as coisas são como são; se nos colocamos mal perante uma coisa
qualquer, até podemos obter uma imagem correcta, pode é não ser a imagem do que
queríamos ver.
P.S. Se tem um pássaro preso numa gaiola, providencie-lhe
um pequeno espelho de forma que não se sinta tão só.
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| Pitões das Júnias |
segunda-feira, 13 de maio de 2013
quinta-feira, 9 de maio de 2013
António de Cértima
Texto assinado por António de Cértima, publicado no n.º 115 da revista ABC, de 28/09/1922 – Ilustração de Martins Barata
António de Cértima (Oiã 1894 – Tondela 1983), foi cônsul em Dakar e em Sevilha
Nome de baptismo, António Augusto Gomes Cruzeiro
Maria Dolorosa
(RETRATO DE MULHER EM SEDA CRUA)
Falar dela a esta hora fulva e sob
este céu ardente, copiado das páginas reverberantes de «Il Fuoco», é mal
pronunciar, simplesmente, o alfabeto das suas frivolidades: as suas vinte e
cinco «Tailleurs» e os seus vinte e cinco anos representados em outros tantos
«batons» e bistres – idioma de perfumes e elegâncias em que ela nacionaliza as
suas atitudes. Por isso, a despeito dos magnetismos cerúleos com que a evoco…;
a despeito da febre de meus nervos de Outono onde ela se atulipa com passos
rítmicos de folha seca, eu apenas sei repetir, aqui, aquela fotografia
contorsiante em que uma vez a revelei sobre a seda crespa de minha
sensibilidade – uma seda crua, com relevos neuróticos, de onde a Duse cortou os
seus vestidos…
………….
- La
«Douleureuse»! A sua vida é um livro mas um livro raro, com páginas de Wilde e
Soror Mariana, sem «vient de paraitre» nem editor: é um livro por editar. A
capa deste livro, «brochée» por dentro a inéditos de Camilo e folhas aliciantes
de begónia, é, à nipónica, de um tecido original, com ramagens berrantes de
paixão… o tecido do seu corpo – tapeçaria plástica dos tecidos das anatomias
requintadas de Paris. O seu corpo é, pois, uma capa rara com um desenho a
sanguínea – a sua boca, tirada em papel «couché», o «couché» da sua beleza.
António
Soares deformou-a para a capa de uma edição plagiada com talento: a «Leviana»
de António Ferro. Mas ainda assim a sua boca não se perdeu cm o roubo de tintas
do pintor. Continua posta no seu corpo, sortílega, inatingível, suprema, como
precioso ex-libris de fascinação a etiquetar toda a sua vida – esse livro cujas
folhas intactas, por abrir, eu rasgo agora delicadamente com o corta-papel da
minha amizade.
Tenho aqui um maço de cartas-programa, formato teatral, bilhetes, pensamentos, retratos, e alguns dos seus artigos inéditos, destinados aos jornais onde colabora, - enfim, toda uma argamassa de jornalismo e arte em que ela se tem publicado para mim em folhetins, no folhetim branco do seu corpo! E agora, como em todos os intervalos da minha febre, como sempre, eu, encostado na «maple» doce da sua lembrança, leio-a toda nesta biblioteca com que tem guarnecido, com os seus nervos e com os seus dedos melodiosos, as estantes literárias de meu coração de moço. E nesta leitura vai uma tarefa emotiva e contumaz: ando a ver se a foco na objectiva da minha nevrose, a ver se a fixo como quero na minha estesia a fim de a resumir numa epígrafe vibrátil e única – essa epígrafe em que ela viaja pelo mundo, laconicamente, sinteticamente, sem comentários e sem programas, muito senhora de si e de suas tendências singulares, como uma grande página esguia, sem texto, que fosse submetida à censura de Deus.
Tenho aqui um maço de cartas-programa, formato teatral, bilhetes, pensamentos, retratos, e alguns dos seus artigos inéditos, destinados aos jornais onde colabora, - enfim, toda uma argamassa de jornalismo e arte em que ela se tem publicado para mim em folhetins, no folhetim branco do seu corpo! E agora, como em todos os intervalos da minha febre, como sempre, eu, encostado na «maple» doce da sua lembrança, leio-a toda nesta biblioteca com que tem guarnecido, com os seus nervos e com os seus dedos melodiosos, as estantes literárias de meu coração de moço. E nesta leitura vai uma tarefa emotiva e contumaz: ando a ver se a foco na objectiva da minha nevrose, a ver se a fixo como quero na minha estesia a fim de a resumir numa epígrafe vibrátil e única – essa epígrafe em que ela viaja pelo mundo, laconicamente, sinteticamente, sem comentários e sem programas, muito senhora de si e de suas tendências singulares, como uma grande página esguia, sem texto, que fosse submetida à censura de Deus.
Maria
Dolorosa, é assim a mulher «hors-programme». Poucos a compreendem visto que
toda a gente vem para o tablado onde ela passa como um meteoro ardente, a
faulhar de arte, a horas certas – as horas do censo comum – e ela, supremamente
egoísta e aristocraticamente «aparte», vem sempre fora de horas.
A vida é hoje
um enxundioso monopólio de burgueses; os seus sentimentos, as suas paixões são
outras tantas figuras que o preconceito – o grande novo-rico – mandou gravar
num medalhão servil, em barro das Caldas – as caldas da moral! Ora, Maria
Dolorosa, maquilhada de uma independência «raffinée» tem vindo pela vida fora
lendo esse medalhão no anverso para fugir ao horror da vulgaridade, e de aqui
os seus dois escandalosos processos, escandalosos para os seus leitores
ignorantes: ela fez do Amor um meio e da Dor um fim! Amorosa e santa desta
maneira, tem-se enchido de lágrimas com que escreve a negro o seu drama, esse
intenso drama «só para raros» que o Hamlet da sua boca teima em fazer
representar a sério mergulhando os floretes do seu «charme» no peito dos
espectadores…
Maria Dolorosa é um livro raro, meus
senhores – o meu melhor livro do século XX, aquele em que trabalha
pacientemente com a laboriosa pertinácia de um construtor de séculos.
Ela ficará, portanto, sendo um
século – o século do seu corpo e da sua boca imortal – fechado com requinte, e
a fechos de prata, dentro de um livro – a sua vida- e que eu ainda não
publiquei por não ter acertado com o título… o título do seu beijo!
ANTÓNIO DE CÉRTIMA
P.S. – Chega-me a notícia de que Maria Dolorosa acaba de
casar – isto é, encheu de gralhas o livro da sua vida. Ficará uma edição
errada: tentando o público pela capa mas com as linhas do texto desconjuntadas
pelo dedo ignominioso do marido…
A.
de C.
| O livro de que se fala no texto, com capa de António Soares |
Sobre LEVIANA de António Ferro aqui
Sobre o Mestre António Soares, aqui
quarta-feira, 8 de maio de 2013
Dito (50)
O homem a meter para casa com uma pá, e a mulher a tirar com o bico da agulha, pode sair mais do que o que entra.
terça-feira, 7 de maio de 2013
segunda-feira, 6 de maio de 2013
Um grande medo
Poeta Fernando Caldeira, Águeda, 1842 – 1894
…
/ …
Águeda
quiz-lhe muito – quere-lhe hoje ainda atravez da sua memoria. Quando na tarde
embaceada de 4 de Abril de 1894 o seu cadaver, ido de Lisboa, atravessou as
ruas hirtas da vila em direcção ao jardinsito fúnebre do Adro, Águeda dobrou-se
toda, de coração ajoelhado, numa homenagem sentida ao seu poeta. Fecharam-se os
estabelecimentos. As mulheres vestiram de luto …
Vem
a proposito transcrever aqui o seguinte testamento meio supersticioso, meio
sinistro, escrito pelo punho do poeta e que sempre o acompanhava, enquadrado
numa pequena moldura de pau-preto, como aviso macabro-filosófico de que um horrível
pensamento fizesse um «bibelote» de viagem atravez de solares de que fosse
hospede e anónimos quartos de hotel:
Na idéa de
morrer aflige-me mais a saudade imensa da vida do que o medo. Se
porem,
não tenho medo de morrer, tenho verdadeiro terror com a idéa de que
poderão
enterrar-me vivo. – Penso, que no mistério dos tumulos se passam,
para
sempre ignorados, muitos, muitos desses horrores; é esta a mais constante
preocupação
do meu espírito. – Peço pois a meus irmãos e aos meus amigos
que,
ou seja por doença (e qualquer doença) ou por morte repentina, quando
eu
fôr dado morto, «só trinta e seis horas» depois consintam que eu seja
removido
da minha cama – onde me velarão constantemente duas pessoas
caridosas
e não timoratas; sendo de nove em nove horas observado por médico,
que
antes dos sintomas de decomposição me
apliquem choques eléctricos e
«afinal
me cortem as carotidas»: - Lisbôa, 30 de Abril de 1890.
(a) FERNANDO CALDEIRA
…/…
Excerto de artigo assinado por António de
Cértima
Revista
ABC, n.º 111 – Lisboa, 31 de Agosto de 1922
domingo, 5 de maio de 2013
quinta-feira, 2 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
terça-feira, 30 de abril de 2013
segunda-feira, 29 de abril de 2013
Dito (49)
Quanto menos se pode ou se quer falar do
presente, vai-se ao útil baú das citações. Nas comemorações do 25 de Abril na
Assembleia chovem citações por todo o lado: Shakespeare, Habermas, Kant,
Saramago, Sophia, Arendt, e muitos mais. A Wikipedia reina. Quanto mais se cita, menos se diz.
Retirado do Blogue do Pacheco Pereira - ABRUPTO
sábado, 27 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Tó Zé e os Mercados
Cartoon de Alfonso Figueras - Revista Zakarella, ano 1 - n.º 14 de 1/11/1976
Revista Quinzenal, para adultos
Preço 10$00
Propriedade: PORTUGAL PRESS
Última Hora
António José Seguro vai anunciar hoje em Santa
Maria da Feira a criação, ainda este ano, do ministério para a igualdade, em
versão aumentada e melhorada.
Maria de Belém disponibilizou-se para o conselho
de verificação e triagem de caridades e acrescentou que - isto sim, é uma
medida sustentada.
O sindicato dos desempregados da zona sul, já veio
afirmar a indisponibilidade dos seus associados para participar na
responsabilidade pelas hipotecas dos ex-patrões.
Mário Soares diz que vê luzes e António Vitorino
não faltará para dizer – força zé!
quinta-feira, 25 de abril de 2013
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Bater punho?
Bater punho, é aquilo que eu estou a pensar?
E impulso jovem, é bom ou mau?
Mas isto de Portugal, é uma casa de gente séria, ou está tudo parvo?
Fui sempre um tipo direitinho, fui à tropa e tudo, agora, quarentão, é que começo a perceber de que é que isto é feito!
Já agora não percam O Apóstolo da Asneira no DELITO DE OPINIÃO, que foi onde pesquei a imagem.
Ninho
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Antónia
domingo, 21 de abril de 2013
Bernardino
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Continuamos ...
... a alimentar o monstro!
Cartoon de Alfonso Figueras - Revista ZAKARELLA, Ano 2 - n.º 19 - 1/4/1977
Revista mensal, para adultos
Preço 10$00
Propriedade - Portugal Press
quinta-feira, 18 de abril de 2013
O Sombra
The Shadow
Note-se que o Sombra prime o gatilho com a falanginha e, por vezes, usa lanterna.
De notar também o preço da revista - Há 35 anos custava pouco mais que os nossos 7 cêntimos!
O SOMBRA
Capa e uma prancha do n.º 4, de Novembro, 1977
Revista mensal, para jovens.
Edição e Propriedade do CLUBE DO CROMO / EDITORIAL IBÉRICA
Redacção e Administração - Calçada do Galvão 37-A - LISBOA
Preço para Portugal: 15$00, outros países: 25$00
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Assembleia Geral
Algures pelos anos 70 do Séc XX, regista-se em Freamunde o momento de uma mulher só, só uma mulher; só?
terça-feira, 16 de abril de 2013
Homem a andar
Man walking
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| Bessinha caminha pela baixa do Porto |
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| Bessinha olha de relance para o outro lado da rua |
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| Bessinha caminha na rua sem chapéu e com pasta |
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| Bessinha fita a lente da câmara |
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| Bessinha guarda a carteira |
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| Bessinha dispensa a atenção a um pormenor numa montra |
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| Bessinha em passo largo (1) |
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| Bessinha em passo largo (2) |
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| Bessinha gosta de se fazer fotografar a andar |
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