Um homem a fazer o seu caminho
quarta-feira, 20 de março de 2013
segunda-feira, 18 de março de 2013
Samarcanda
…
- É sempre preferível que uma desgraça
chegue tarde! Não conheces a história do burro falante de Nollah Nasruddine?
Este último é o herói semi-lendário de
todas as anedotas e de todas as parábolas da Pérsia, da Transoxiânia e da Ásia
Menor. Chirine contou:
- Dizem que um rei meio louco condenara
Nasruddine à morte por ter roubado um burro. No momento em que vão conduzi-lo
ao suplício, Nasruddine exclama: «Este animal é em realidade meu irmão, um
mágico deu-lhe a aparência que vedes, mas se mo confiarem durante um ano ensiná-lo-ei
de novo a falar como vós e eu!». Intrigado, o monarca manda o acusado repetir a
promessa antes de decretar: «Muito bem! Mas se dentro de um ano, nem mais um
dia, o burro não falar, serás executado.» À saída, Nasruddine é interpelado
pela esposa: «como podes prometer semelhante coisa? Sabes muito bem que o burro
nunca há-de falar.» - «É claro que sei», responde Nasruddine, «mas daqui a um
ano o rei pode morrer, o burro pode morrer, ou então posso eu morrer.» a
princesa prosseguiu:
- Se tivéssemos sabido ganhar tempo, a
Rússia talvez se atolasse nas guerras dos Balcãs ou na China. E depois o czar
não é eterno, …
Título do original: Samarcande
Tradução de G. Cascais Franco
Autor. Amin Maalouf
(Distribuição de forma conjunta e inseparável com uma publicação do Grupo COFINA)
BIBLIOTECA SÁBADO
quinta-feira, 14 de março de 2013
domingo, 10 de março de 2013
Acordo Ortográfico?
Triste acordo, que o não é!
Lembro a mensagem que aqui postei no dia 28 de Fevereiro,
em que trouxe o livro de Teilhard de Chardin “O Fenómeno Humano”, para trazer à
liça uma lacónica nota dos tradutores, impressa numa daquelas folhas para lá do
índice, páginas já sem numeração, a que ainda se segue uma outra que diz – Esta obra acabou de se imprimir na Imprensa
Portuguesa, no Porto, em Janeiro de 1970.
Eis a
tal nota:
Esta pérola convém ser levada em conta, quanto mais não
seja para se juntar ao facto de o Brasil nunca ter aplicado os anteriores
acordos ortográficos, nem o de 1931 nem o de 1945, e lembrar que há muito mais
a separar-nos além da ortografia. No caso da nota dos tradutores de “O Fenómeno
Humano”, se não tive dificuldade alguma com “verisímel” e “inverisímel”, já com
“evolver” mais facilmente teria entendido outra coisa diferente de evoluir!
Lembro-me de uma vez, a consultar o manual de um aparelho
de espectrofotometria, tradução do inglês para português do Brasil, ter tido
dúvidas sobre uma referência a “… diferir 45º do normal”; no original o que
estava escrito era “… diferir 45º da normal”. Naquele caso, tive a oportunidade
de me deparar com dificuldades provenientes de uma tradução incompetente, mas
principalmente, provenientes de liberdades e imprecisões linguísticas
incompatíveis com o texto técnico. Ainda hoje, quando o que está em causa são
livros técnicos e posso escolher entre uma tradução para espanhol e uma para
português do Brasil, escolho o espanhol.
Entendo que na defesa do Português como uma língua de
referência no mundo, se tente evitar que dela divirjam padrões, a ponto de se
ter que considerar línguas diferentes. Mas também sei, que a opção de agir
politicamente sobre os padrões, sendo que se trata da ortografia, é a forma mais
fácil mas mais falível de tentar atingir os intentos. Corresponde a, no intuito
de reduzir politicamente as diferenças entre ricos e pobres, declarar como
pertencentes à classe média todos aqueles que vão do salário mínimo até aos que
conseguem gastar em vida todas as suas posses. O problema, se se quiser
considerar problema, de o Português ter variantes, aparece logo de região para
região, do continente para as ilhas e de ilha para ilha. As diferenças na
grafia de determinadas palavras, não serão com toda a certeza mais importantes
do que a fria constatação de se ver grafadas uma série de palavras das quais
não se entende o significado.
Quem estiver familiarizado com a escrita em imprensa do
início do Séc. XX, saberá a variabilidade que caracterizava a escrita da nossa
língua por esses tempos. A estabilidade reconhecida na escrita do Português,
antes da entrada em vigor do (dito acordo) ortográfico de 1990, tinha um valor
imenso, do qual comecei desde logo a ter saudades, por ter a certeza que seria
o primeiro a sofrer consequências.
Em Angola já se diz que se Portugal não defende a própria
língua, a defendem eles. O Brasil, a quem se dirigia esta portuguesíssima
vontade de agradar, adiou para as calendas gregas a aplicação do que por cá se
continua a chamar “acordo”! Deparo-me com escritas como a da carta a mim
endereçada pela Administração Regional de Saúde do Norte (por motivo de
actualização da lista de utentes), onde é visível a vontade de obedecer ao AO,
mas faz conviver na mesma página as palavras: contacto, contatar e contato. A
ler a mesma carta soou-me mal a forma como li: receção, ativa, atualizar, e
outras.
Por mim, até preferia continuar a escrever “sciencia” e
“pharmácia”, do que me ver nesta situação, sem ter a quem pedir contas; os que
fazem disto, ou fogem, ou escondem-se atrás “da festa que foi”. Continuarei a escrever como sempre escrevi.
Se é por questões de simplificação, esqueçam. Não me mexam
na escrita das palavras, nem no som dos instrumentos musicais, muito menos
queiram tocar na minha inteligência.
sexta-feira, 8 de março de 2013
quinta-feira, 7 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Omar Khayyam
Omar Khayyam (1048-1131), persa de Nichapur,
poeta, matemático e astrónomo.
Trago um dos seus Rubaiyat ou robai (no singular) - quadra:
***
Se não
tiveste a recompensa que merecias,
não te importes, não esperes nada;
já estava tudo nas páginas daquele livro
que o vento da eternidade vai virando ao acaso.
não te importes, não esperes nada;
já estava tudo nas páginas daquele livro
que o vento da eternidade vai virando ao acaso.
***
Encontre os seus rubaiyat aqui
segunda-feira, 4 de março de 2013
Chico Redondo
Chico Redondo
Fotografia da revista ABC n.º 87 – 9 de Março de 1922
A criança é quem viria a ser conhecido por Chico Redondo - D. Francisco de Sousa Coutinho (1866 - 1924)
Esta revista manteve um acompanhamento constante da vida e obra de Chico Redondo desde a data do artigo donde extraí a foto, até à sua morte.
Mais sobre Chico Redondo aqui
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
O Fenómeno Humano
O FENÓMENO HUMANO
Pierre Teilhard de Chardin(escrito entre 1938 e 1940, sofreu "retoques" em 1947 e 1948)
Editora Herder – São Paulo
Filosofia e Religião (16º Volume) – Biblioteca fundada por Leonardo Coimbra
Livraria Tavares Martins, Porto – 1970 (3ª Edição)
Título Original: LE PHÉNOMENE HUMAIN (Éditions du Seuil, Paris)
Tradução portuguesa de LÉON BOURDON (Professor) e JOSÉ TERRA (Leitor), do Instituto de
Estudos Portugueses da Sorbonne
Os direitos
Extracto do RESUMO OU
POSFÁCIO
…
1. UM MUNDO QUE SE ENROLA: OU A LEI
CÓSMICA DE
COMPLEXIDADE-CONSCIÊNCIA
Temo-nos
familiarizado ultimamente, na escola dos astrónomos, com a ideia de um Universo
que, desde há alguns biliões de anos (apenas!), teria vindo desabrochando em
galáxias a partir de uma espécie de átomo primordial. Esta perspectiva de um
mundo em estado de explosão é ainda discutida: mas a nenhum físico ocorreria a
ideia de a rejeitar como eivada de filosofia ou de finalismo. Não é mau ter sob
os olhos este exemplo para compreender ao mesmo tempo o alcance, os limites e a
perfeita legitimidade científica das concepções que aqui proponho. Reduzido,
com efeito, ao seu cerne mais puro, a substância das longas páginas que
precedem reduzem inteiramente a esta simples afirmação, que, se o Universo nos
aparece sideralmente como em vias de expansão espacial (do ínfimo ao imenso),
do mesmo modo, e ainda mais claramente, ele se nos apresenta, físico-químicamente,
como em vias de enrolamento orgânico
sobre si próprio (do muito simples ao extremamente complicado) – achando-se
este enrolamento particular «de complexidade» experimentalmente ligado a um
aumento correlativo de interiorização, quer dizer de psique ou consciência.
No
domínio exíguo do nosso planeta (o único até agora em que podemos praticar a
Biologia), a relação estrutural aqui notada entre complexidade e consciência é
experimentalmente incontestável, e desde sempre conhecida. O que confere originalidade
à posição adoptada neste livro é o facto de nele se afirmar, desde início, que
esta propriedade particular que possuem as substâncias terrestres de cada vez
mais se vitalizarem complicando-se cada vez mais não é senão a manifestação e a
expressão local de uma deriva tão universal (e excepcionalmente significativa)
como aquelas, já identificadas pela Ciência, que levam as camadas cósmicas não
só a alastrarem explosivamente como uma onda, mas também a condensarem-se
corpuscularmente sob as formas do electromagnetismo e da gravidade, ou ainda a
desmaterializarem-se por irradiação: achando-se provavelmente estas diversas
derivas (um dia o reconheceremos) estritamente conjugadas entre si.
Se
assim é, vê-se que a consciência, definida experimentalmente como efeito
específico da complexidade organizada, ultrapassa muito o intervalo , ridiculamente
pequeno, em que os nossos olhos conseguem distingui-la directamente.
Por
um lado, com efeito, mesmo onde valores quer muito pequenos, quer até
médios, de complexidade no-la tornam
estritamente imperceptível (quer dizer, a partir e abaixo das muito grandes
moléculas), somos logicamente levados a conjecturar em qualquer corpúsculo a
existência rudimentar (no estado de infinitamente pequeno, isto é,
infinitamente difuso) de alguma psique – exactamente como o físico admite e
poderia calcular as alterações de massa (completamente inapreensíveis para uma
experiência directa) que se produzem no caso de movimentos lentos.
Por
outro lado, precisamente nos pontos do Mundo onde, em consequência de
circunstâncias físicas diversas (temperatura, gravidade…), a complexidade não
chega a atingir os valores ao nível dos quais uma irradiação de consciência
poderia influenciar os nossos olhos, somos induzidos a pensar que, tornando-se
favoráveis as condições, o enrolamento, momentaneamente detido, retomaria logo
a sua marcha para a frente.
Observando,
insisto, segundo o seu eixo das Complexidades, o Universo encontra-se, no
conjunto e em cada um dos seus pontos, em estado de tensão contínua de
dobramento orgânico sobre si mesmo e, portanto, de interiorização. O que significa
que, para a Ciência, a Vida se acha desde sempre e por toda a parte em estado
de pressão; e que, nos sítios em que conseguiu romper de modo apreciável, nada
a pode impedir de levar até ao máximo o processo de que saiu.
…
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013
Correio Electrónico 9
Fwd: Fila de espera: ALENTEJO: Repartição de Finanças de Redondo
Demais!!!!! Pura Inteligência. Para quê estar de pé?
Mensagem de P.D
terça-feira, 26 de fevereiro de 2013
En passant
Uma gaja, pá, quando não sabe fazer nada, pá, ainda pode dar para
enfeitar. Um gajo, pá, um gajo? Quando um gajo não sabe fazer nada, pá,
deus me libre…
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013
domingo, 24 de fevereiro de 2013
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Carne Picada
Cartoon da Revista VISÃO - Para uma Nova Banda Desenhada Portuguesa
N.º 2 - 15 de Abril de 1975
Assinado por Victor Mesquita
(Confesso que dei por mim a pensar que se trata de um cartoon claramente datado. Desenhado há
meia dúzia de anos, representações vagamente
femininas estariam em número aproximadamente igual ao de masculinas, desenhado nos
dias que correm haveria obrigatoriamente
um ou outro cavalo entre as pessoas...)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2013
Miguel Relvas
Miguel Relvas é um homem odiado!
O que vem a seguir é para pôr na minha conta, por favor:
- No que toca a Relvas, nem é um problema de auto-estima; o que se passa, é que uma parte dos portugueses, quando se olha ao espelho, ou não gosta, ou não se lembra, ou não compreende o que vê. No início dos nossos tempos, um Homem, que nasceu, e morreu porque, e por quê, e como quis, protagonizou uma cena onde teve a oportunidade de mandar atirar a primeira pedra, a quem atirava pedras por muito menos e “seria abençoado por isso”.
Temos um problema na memória, no espelho, na auto-estima, na cara, na educação, na herança, na identificação dos problemas, no tempo de a fazer, nas pedras que agarramos, nos alvos que escolhemos; temos um problema com os espelhos partidos – dá azar!
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Carta de Godofredo
Caro Márcio, manda a verdade que diga que
o principal motivo porque te escrevo, é certificar-me da tua saúde e render-me
à tua inteligência e compreensão da condição humana. Gostarás, com toda a
certeza, de saber que recuperei a serenidade que me era natural.
Da última vez que estivemos juntos, eram
os dias curtos, valeu-nos aos dois o fogo sempre aceso, e a mim, também a tua
paciência; não foi em vão.
A paixão que me matava, que deixei crescer
até que me fizesse mal, foi um tempo apesar de tudo feliz, que não posso desprezar,
só isso. Estou curado. Ontem estive com o juiz, deixei-me ficar na posição de
pretendente rejeitado, reiterei o meu respeito por Laura, garanti-lhe a pureza
da minha dedicação, e ficou tudo bem. Sou um homem livre e desconfio que por
pouco tempo; há males que vêm por bem - Amália!
Amália voltou. Está bonita, está ainda
mais bonita. A primeira pessoa que visitou assim que chegou, fui eu. Deparei-me
com ela na sala de espera do gabinete quando voltava de casa do juiz. Ter
resolvido com o juiz, a desastrosa e impossível relação com a filha, foi
libertador e refrescante; ver Amália de pé, muito sorridente, airosa e
perfumada, linda, decote rendado e braços estendidos para mim, levou-me à idade
do despertar, senti ruborescer e renasci.
Tenho que te fazer
justiça. Fui tolo. Aproveitei a tua disponibilidade para ouvir e desabafei o
que precisava. Não te ouvi, ou nem te dei oportunidade de falar. Sei o que me
terias dito se tivesses encontrado em mim a razoabilidade de ouvir um bom e
sábio amigo. Tinha criado uma imagem interior que não correspondia àquela a quem
dirigi toda a paixão. Laura não tem culpa; é uma mulher menina, tem a pureza da
inocência que nunca ultrapassou. O viço da juventude no corpo de mulher,
despertou-me o sangue e toldou-me a razão. Lembro-me de me teres dito, só mais
tarde compreendi onde querias chegar, que uma mulher, como um homem, não pode
espraiar a existência num contínuo das idades tenras; num momento, haveria que
acontecer uma ruptura, uma estaladela no cristal, uma fímbria no plano, uma
reverberação nas superfícies da percepção, um nó na linha de costura…um sopro…,
que faltava algo a Laurinha. Lembro-me de teres terminado essa prelecção
dizendo que eu merecia uma mulher valente.
Hoje de manhã
incumbi o padre Feliciano da celebração de uma missa por intenções pessoais,
minhas. O padre olhou-me por cima dos óculos e agarrando firmemente a minha
mão, perguntou-me: - Têm as tuas intenções a dignidade do sacramento? – Ao que
eu retorqui: - Veio Cristo à terra por outra coisa que não os homens, padre? –
Não o deixei responder; disse-lhe que estou de bem com o Pai e convidei-o para
o jantar que darei hoje lá em casa, em que terei Amália do meu lado direito, o
padre do lado esquerdo, os Fão, os Sobral, e a ti meu amigo, no coração.
Manda notícias, e
visita-me logo que puderes. O branco, reserva de há três anos, só o provo
contigo
Um grande abraço,
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
A não perder
Francisco José Viegas além do mais, também é blogger. O
blogue dele é A Origem das Espécies“ e é um dos que mais gosto, por isso está
entre “os que sento à minha direita”. Hoje, dia 14 de Fevereiro, FJV publica
nesse seu espaço um texto intitulado “No Estado, o absurdo não paga imposto?” –
Não percam.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
Conúbio
Matrimónio,
aliança, núpcias, bodas, ligação, conjúgio, enlace, união, parceria, tálamo, nó, corporação, casamento, himeneu
ou … consórcio!
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Perdidos
Não foi por falta de aviso sobre os perigos de viajar no tempo. Fui-me aventurando, de cada vez um pouco mais longe, agora estou no século XI com um portátil debaixo do braço e uma câmara fotográfica, com uma teleobjectiva, ao pescoço. É uma situação desconfortável porque não me sinto nada discreto, e não estou habituado a dar nas vistas.
Nunca devia ter centrado toda a atenção em não me encontrar comigo próprio, agora estou perante mim, porque só eu me digo respeito neste mundo, e nem é assim tão difícil. Senti algum pânico ao início, mas agora estou mais interessado em ver se terei ligação wi-fi e se os registos digitais resistem aos “buracos de verme”.
Ainda ontem (ou dez séculos à frente), pensava eu que nunca deveria viajar por perto para evitar encontrar-me, ou encontrar quem pudesse vir a reconhecer-me como uma imagem do passado. O tempo de uma vida, para a frente ou para trás, provocaria em qualquer caso, mais tarde ou mais cedo, a impressão em quem me visse e conhecesse, que estava a ver coisas passadas. Eu explico: Se os meus avós se tivessem encontrado comigo em 1928, assim que eu adquiri feições de adulto teriam a sensação de me conhecer dos tempos da juventude. Se as crianças que me conhecem no meu tempo, me encontrarem com o aspecto de quarentão quando já forem velhos, terão a sensação que conheceram, em tempos, alguém muito parecido. Incomoda-me a possibilidade de me transformar num déjà-vu, quanto a encontrar-me comigo próprio penso que nos saberíamos comportar.
Exagerei, é óbvio. Arrisco-me a encontrar uma horda de muçulmanos, que lhes direi? Agradeço-lhes os benditos números de 1 a 9 e deixo-lhes a profecia mais certa que já conheceram… Compreendam a minha situação, vim parar a um mundo onde, para mim, está tudo a começar; o que não é tão diferente assim do mundo donde venho, onde está tudo por fazer.
Pode parecer estranho, tenho acesso à rede, sem fios, o telemóvel também funciona; nada disso me espanta muito. É uma questão de realidades paralelas, ou de ciclos que volteiam concêntricos. Fiz de forma estouvada aquele gesto que me arremessa no tempo, agora só tenho de compreender onde o aprendi e como moderar os ímpetos. Enquanto aqui estiver, estou seguro. Já antes estive no futuro, o que me garante que lá chegarei, porque já lá estive.
Exagerei, é óbvio. Arrisco-me a encontrar uma horda de muçulmanos, que lhes direi? Agradeço-lhes os benditos números de 1 a 9 e deixo-lhes a profecia mais certa que já conheceram… Compreendam a minha situação, vim parar a um mundo onde, para mim, está tudo a começar; o que não é tão diferente assim do mundo donde venho, onde está tudo por fazer.
Pode parecer estranho, tenho acesso à rede, sem fios, o telemóvel também funciona; nada disso me espanta muito. É uma questão de realidades paralelas, ou de ciclos que volteiam concêntricos. Fiz de forma estouvada aquele gesto que me arremessa no tempo, agora só tenho de compreender onde o aprendi e como moderar os ímpetos. Enquanto aqui estiver, estou seguro. Já antes estive no futuro, o que me garante que lá chegarei, porque já lá estive.
JMP
Continua (?)
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 31 de janeiro de 2013
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Uma mulher actual
"Um sorriso antigo" Vs. "Um sorriso moderno"!
Intitulado “A Magia da Expressão”, apresenta no topo a frase “A thing of beauty is a joy for ever – (Keats)”.
É um artigo da revista ABC, 20 de Julho de 1922, assinado por G Monteiro.
O autor encontra no calendário que a Remington (marca de máquinas de escrever) enviou para a redacção, um rosto que o encanta, e desata a discorrer sobre o conceito de beleza ao longo dos tempos.
Deixo um pequeno excerto. A ilustração está acima.
…
Contrastando com essa tão decantada expressão da Monna Lisa, apresentamos hoje aos nossos leitores um outro rosto de mulher que traduz, por uma fórma eloquente, o tempo em que vivemos, em que surgiram descobertas geniais como a electricidade, os aeroplanos, o telefone, a máquina de escrever «Remington» e todas as maravilhas, enfim, de que somos testemunhas…
Intitulado “A Magia da Expressão”, apresenta no topo a frase “A thing of beauty is a joy for ever – (Keats)”.
É um artigo da revista ABC, 20 de Julho de 1922, assinado por G Monteiro.
O autor encontra no calendário que a Remington (marca de máquinas de escrever) enviou para a redacção, um rosto que o encanta, e desata a discorrer sobre o conceito de beleza ao longo dos tempos.
Deixo um pequeno excerto. A ilustração está acima.
…
Contrastando com essa tão decantada expressão da Monna Lisa, apresentamos hoje aos nossos leitores um outro rosto de mulher que traduz, por uma fórma eloquente, o tempo em que vivemos, em que surgiram descobertas geniais como a electricidade, os aeroplanos, o telefone, a máquina de escrever «Remington» e todas as maravilhas, enfim, de que somos testemunhas…
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
FORMAT C:
Mais-valia foi o termo a que Karl Marx deitou mão quando teve que dar um nome e relevância à diferença que encontrou entre o valor do que os trabalhadores produziam e aquilo que lhes era pago. Esta explicação pode não estar completamente fiel, não está com toda a certeza completa, mas é certo que “Mais-Valia” se refere a uma coisa da esfera do lucro, tanto mais que todo o contexto em que nasce é o de “O Capital”, uma série de livros de Marx, onde discorre sobre o Capitalismo.
Não é fácil, agora, identificar o momento ou as condições em que a expressão saltou literalmente para a rua e passou a ser usada fora do contexto natural. Tenho motivos para dizer que foi por meados do segundo governo de António Guterres, ano 2000, portanto. Por alturas do seu primeiro governo já uma outra expressão tinha sido incubada e dada “à saciedade” para uso indiscriminado; consistia em adjectivar tudo de “sustentado”, tomar todas as decisões de forma “sustentada” e fazer tudo “sustentadamente”. Maria de Belém Roseira, ao tempo ministra da saúde e depois “para a igualdade” (vemos hoje o sustento que o ministério teve) era dos que mais acarinhava e difundia os “sustentos” e deve ter sido, em todos os tempos, quem mais falou em coisas sustentadas. A coisa fez época, e passou.
Usei acima a expressão “à saciedade”, ela própria também teve a sua época, que situo em torno de 2002 – governo de Durão Barroso. Talvez devido às farturas distribuídas, sem qualquer sustentabilidade e com vista a uma igualdade que se tinha querido impor pelos governos anteriores, a expressão “à saciedade” de que Paulo Portas muito gostava, foi usada a fazer jus a ela própria, e desapareceu praticamente com o contexto político que a difundiu. Viriam a seguir os governos de Sócrates (de má memória e feliz afastamento), com ele veio o “ao invés” e muito português maltratado (deixo o sentido à escolha).
De trás de todas estas, dos anos 90, veio o “ir ao terreno/ estar no terreno/ conhecer o terreno”, hoje já usada com maior propriedade!
Voltando à “mais-valia”, em franco progresso, mesmo em tempo de todas as contenções, é usada e abusada e tida em muito boa conta, apesar da pejorativa nascença. Assim, um bom elemento é uma mais-valia, um benefício é uma mais-valia, uma beneficiação também, uma dádiva é uma mais-valia, a sorte também o é… enfim, mais valia que estivessem calados!
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