Isso de haver ou não haver coincidências, é um território escorregadio, que ora traz ao de cima a crença no touro e o temor ao trovão, ora cega o mais evidente e reduz tudo pó.
Não havia dois dias, o meu pai chegou-se ao meu pé com uma moeda na mão a que dedicava uma especial atenção:
- Donde é esta moeda de um euro com a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo?
- Itália; não é o nosso senhor, é um desenho do Leonardo da Vinci, o homem de Vitrúvio, que representa a figura do homem com as medidas ideais.
- Pois…
Os setenta e seis anos de idade têm-lhe deixado um belo e espaçoso campo de manobra. A visão, mesmo corrigida, já perdeu a paciência para “rodriguinhos” com pouco mais de um centímetro de diâmetro.
A viajar em recreio por Trás-os-Montes, dei por mim no santuário mariano de Cerejais. Não uma pequena capela pintada de branco, perdida no alto de um cabeço, de porta fechada e a secar ao sol impiedoso em solo poeirento. O santuário de Cerejais é grande, tem as portas abertas, está repleto de vitrais coloridos por onde entra a limpa luz que ilumina a vidraria colorida e azulejos com representações da Senhora, dos pastorinhos, das visões e da fé de Fátima. O exterior da capela é tratado e ajardinado; na parede sul foi-lhe acrescentado um altar para celebrações campais, servido por uma praça empedrada que tem ao fundo uma imagem de Jesus Cristo.
A imagem de Jesus Cristo que domina o espaço para celebrações ao ar livre do santuário de Cerejais, não representa Jesus de forma costumeira. Jesus não é representado crucificado ou em pose piedosa, nem flutuante, nem proclamativo, nem menino…
No santuário de Cerejais, há uma representação do Filho de Deus como tal: forte, afirmativo, de braços abertos mas sem madeiro humilhante, de queixo levantado, em posição estável com os pés afastados, perfeito, poderoso, Rei.
Ao pé do Jesus do santuário de Cerejais o “Homem de Vitrúvio” é um boneco antropométrico.
A base da escultura ostenta:
- Cristo vence, Cristo impera, Cristo reina.