segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Caixa de Correio


Uma caixa de correio que não se abre durante uns meses pode conter uma quantidade admirável de papel, guarda a evidência da eficácia dos correios locais, espelha a pujança da grande distribuição na localidade, conserva as notícias de aberturas no pequeno comércio, etc.
As caixas de correio fechadas há muito, transformam-se então em cápsulas do tempo muito criteriosas e selectivas, compostas por diferentes estratos que se prestam a ser analisados um por um antes de se mandar tudo para o lixo.
De vez em quando tenho direito a uma caixa de correio bem cheia. Acerco-me munido de um saco plástico e rápida e discretamente transfiro tudo até ao último papelinho, fecho a porta e afasto-me – é que uma caixa atulhada denuncia uma casa abandonada e isso não é nada bom. Depois há que fazer uma triagem, meia dúzia de papeizinhos interessantes como o do homem que arranja persianas serão guardados, as revistas locais e as publicações promocionais mais cuidadas merecerão uma vista d’olhos, a comunicação de que a companhia das águas quer fazer uma leitura real do contador terá de ser atendida … e o resto vai para a papeleira da rua.
Entre os papeizinhos interessantes existem quase sempre notícias da mediunidade, astrologia e ciências ocultas locais; não custa nada fazer uma leitura mesmo que enviesada. Fica-se sempre a saber os “mestres” e “professores” que temos à mão e que, por exemplo, o mestre Mamadu partilha os telemóveis com o mestre Indjai e que ambos partilham o apartamento com o mestre Souane que dá pelo nome de “PROFESSOR MAZID”, assim mesmo entre aspas, o mais rápido que possível!



domingo, 22 de janeiro de 2012

Anos 20

Estamos em 1922
A imprensa não anda propriamente a gatinhar; existe mercado e publicidade. São mais que muitas as provas de que a humanidade, tal como a conhecemos, vem de muito antes de nós. Se dúvidas se põem quanto ao futuro, vejamos o passado tal como é, ou foi?









sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Correio electrónico 3

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que a minha vida é a maior empresa do mundo.
E que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos de crise.


Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e
se tornar um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar
um oásis no recôndito da sua alma .
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um 'não'.
É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
 Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo...

(Fernando Pessoa)

domingo, 15 de janeiro de 2012

Moçambique (Ecos) 2

Cidade da Beira – Rua Valsassina
Fotos extraídas do DOCUMENTÁRIO FOTOGRÁFICO
Apresentado na Primeira Exposição Colonial Portuguesa
Pela COMPANHIA DE MOÇAMBIQUE

Hoje, não encontro na toponímia da Cidade da Beira a Rua Valsassina.








terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dito 24

"Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão."

(Eça de Queiróz)

Correio electrónico 2

A CIGARRA E A FORMIGA
(Versões alemã e portuguesa)

Versão alemã

A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa
e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas
bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada. A cigarra
está cheia de frio, não tem casa nem comida e morre de fome.
Fim

Versão portuguesa


A formiga trabalha durante todo o Verão debaixo de Sol. Constrói a sua casa
e enche-a de provisões para o Inverno.
A cigarra acha que a formiga é burra, ri, vai para a praia, bebe umas
bejecas, dá umas quecas, vai ao Rock in Rio e deixa o tempo passar.
Quando chega o Inverno a formiga está quentinha e bem alimentada.
A cigarra, cheia de frio, organiza uma conferência de imprensa e pergunta
porque é que a formiga tem o direito de estar quentinha e bem alimentada
enquanto as pobres cigarras, que não tiveram sorte na vida, têm fome e frio.

A televisão organiza emissões em directo que mostram a cigarra a tremer de
frio e esfomeada ao mesmo tempo que exibem vídeos da formiga em casa, toda
quentinha, a comer o seu jantar com uma mesa cheia de coisas boas à sua
frente.
A opinião pública tuga escandaliza-se porque não é justo que uns passem fome
enquanto outros vivem no bem bom. As associações anti pobreza manifestam-se
diante da casa da formiga. Os jornalistas organizam entrevistas e mesas
redondas com montes de comentadores que comentam a forma injusta como a
formiga enriqueceu à custa da cigarra e exigem ao Governo que aumente os
impostos da formiga para contribuir para a solidariedade social.
A CGTP, o PCP, o BE, os Verdes, a Geração à Rasca, os Indignados e a ala
esquerda do PS com a Helena Roseta e a Ana Gomes à frente e o apoio
implícito do Mário Soares organizam manifestações diante da casa da formiga.

Os funcionários públicos e os transportes decidem fazer uma greve de
solidariedade de uma hora por dia (os transportes à hora de ponta) de
duração ilimitada.
Fernando Rosas escreve um livro que demonstra as ligações da formiga com os
nazis de Auschwitz.
Para responder às sondagens o Governo faz passar uma lei sobre a igualdade
económica e outra de anti descriminação (esta com efeitos retroactivos ao
princípio do Verão).
Os impostos da formiga são aumentados sete vezes e simultaneamente é multada
por não ter dado emprego à cigarra. A casa da formiga é confiscada pelas
Finanças porque a formiga não tem dinheiro que chegue para pagar os impostos
e a multa.
A formiga abandona Portugal e vai-se instalar na Suíça onde, passado pouco
tempo, começa a contribuir para o desenvolvimento da economia local.
A televisão faz uma reportagem sobre a cigarra, agora instalada na casa da
formiga e a comer os bens que aquela teve de deixar para trás. Embora a
Primavera ainda venha longe já conseguiu dar cabo das provisões todas
organizando umas "parties" com os amigos e umas "raves" com os artistas e
escritores progressistas que duram até de madrugada. Sérgio Godinho compõe a
canção de protesto "Formiga fascista, inimiga do artista...".
A antiga casa da formiga deteriora-se rapidamente porque a cigarra está-se
cagando para a sua conservação. Em vez disso queixa-se que o Governo não faz
nada para manter a casa como deve de ser. É nomeada uma comissão de
inquérito para averiguar as causas da decrepitude da casa da formiga. O
custo da comissão (interpartidária mais parceiros sociais) vai para o
Orçamento de Estado: são 3 milhões de euros por ano.
Enquanto a comissão prepara a primeira reunião para daí a três meses, a
cigarra morre de overdose.
Rui Tavares comenta no Público a incapacidade do Governo para corrigir o
problema da desigualdade social e para evitar as causas que levaram a
cigarra à depressão e ao suicídio.
A casa da formiga, ao abandono, é ocupada por um bando de baratas,
imigrantes ilegais, que há já dois anos que foram intimadas a sair do País
mas que decidiram cá ficar, dedicando-se ao tráfego da droga e a aterrorizar
a vizinhança.
Ana Gomes um pouco a despropósito afirma que as carências da integração
social se devem à compra dos submarinos, faz uma relação que só ela entende
entre as baratas ilegais e os voos da CIA e aproveita para insultar Paulo
Portas.
Entretanto o Governo felicita-se pela diversidade cultural do País e pela
sua aptidão para integrar harmoniosamente as diferenças sociais e as
contribuições das diversas comunidades que nele encontraram uma vida melhor.

A formiga, entretanto, refez a vida na Suíça e está quase milionária...
FIM
L.D.A.O

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Márcia - "CABRA-CEGA" - Video Oficial

Correio electrónico


  "O maior prazer de uma pessoa inteligente é fingir ser idiota, diante de um
idiota que finge ser inteligente."

Só de passagem...

 Conta-se que no século passado, um turista americano foi à cidade do Cairo
no Egito, com o objetivo de visitar um famoso sábio.
O turista ficou surpreso ao ver que o sábio morava num quartinho muito
simples e cheio de livros.
As únicas peças de mobília eram uma cama, uma mesa e um banco.
- Onde estão seus móveis? Perguntou o turista.
E o sábio, bem depressa olhou ao seu redor e perguntou também:
- E onde estão os seus...?
- Os meus?! Surpreendeu-se o turista.
- Mas estou aqui só de passagem!
- Eu também... - concluiu o sábio.

 "A vida na Terra é somente uma passagem... No entanto, alguns vivem como se
fossem ficar aqui eternamente, e esquecem-se de ser felizes."

Bom Ano de 2012!

Beijinho grande!

Teresa

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Um desejo

O ano da graça de 2011 apaga-se como uma velinha. Bem vistas as coisas, foi mais um ano, ponto. Não tenho vontade nenhuma de me aventurar a fazer uma resenha, certo de que jamais diria algo que não tenha sido já dito. Tirando essa coisa da crise, que nem é tão recente quanto isso até foi um bom ano. Tenho bem mais receio do que aí vem, mas até esse temor de o novo ano vir a ser pior do que o que findou também já vem de há muitos anos.
Venho só deixar uma dúvida que me atormenta e um desejo que me é muito caro.
A dúvida que me tem assaltado todos os dias é sobre isso a que se tem chamado “ajuda externa” e que fez vir a dita “tróica”. O que nós pedimos não foi propriamente uma Ajuda externa, pois não? Ajuda externa poderia quando muito ser considerada a sequência de empréstimos que nos faziam para que mantivéssemos um comportamento de claro novo-riquismo desde há muito anos! O que fizemos é muito mais parecido com um pedido de salvação, ou um pedido de que nos tutelassem, ou que viessem cá deitar a mão a isto…
O desejo, é que todos saibamos arcar com as alegrias e com as dificuldades que a vida nos oferecer, de forma madura e humanamente digna, e que sejamos todos iluminados pela serenidade e sensatez dos justos.
O que pedimos, foi que viessem mandar em nós, não foi?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dito 22

Um relógio parado está certo duas vezes por dia.

Resposta encontrada por Lewis Carroll para o problema proposto por ele próprio:

- Qual dos relógios regista o tempo mais fielmente? Um que se atrasa um minuto por dia ou um que não funciona?

(Já que, o relógio que se atrasa um minuto por dia dá a hora exacta de dois em dois anos, pois como se atrasa um minuto por dia só voltará a estar certo depois de se atrasar doze horas, o que só acontece ao fim de 720 dias)

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Do arco-da-velha 9

Revista CAPA
K
Setembro de 1991, Número 12
400$00 (Quatrocentos escudos)



Notar a "corruptela" de FMI - Fontes Mal Informadas.
Desta vez não tem sido usada!



...e mais um pormenor:




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

JESUS

Jesus é a figura central.
Não sabemos tudo sobre ele, como não imaginamos o quanto moldou o nosso mundo. Podemos acreditar ou não; teremos sempre dúvidas, mas é incontornável.

Para quem se interessa, deixo ligação para um texto:
Jesus, a biografia (im)possível - Sociedade - PUBLICO.PT

É Natal


Postal copiado daqui.

Até aos Reis ainda é.
Tenham um Santo e Feliz Natal.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Santa Luzia


Gostava de quando podia chamar à terra onde nasci e fui criado, Vila de Freamunde. Há uns anos lembraram-se que bom, bom, era que passasse a cidade e pronto. Agora chamo-lhe com o mesmo sentimento Freamunde, só, e pronto.
A 13 de Dezembro acontece em Freamunde a feira de Santa Luzia, uma feira franca, anual e centenária que pulsa com a região entre o vale do Ave e o vale do Sousa, e as suas gentes.
A santa Luzia não sendo a padroeira da terra, é-o o São Salvador, é venerada na capela de Santo António neste dia. A feira é também conhecida pela comercialização de gado asinino e equídeo e de aves com interesse na culinária natalícia, perus e capões.
Um capão é um franganote a quem, antes de começar a piar mais grosso são feitas operações de ordem “disfuncional” e estética. A principal é a que lhe subtrai os “tim-tins”, por motivos estéticos e diferenciadores são-lhe cortadas a crista e as barbelas.
Há muito tempo que não assisto ao ritual mas lembro-me que as cirurgias não dependem de mais do que uma lâmina de barbear ou um canivete bem afiado, agulha e linha, um desinfectante e uma malga com água onde acabam os ditos.
Os capões são animais com uma alimentação cuidada; interessa que num ano ou dois, no máximo três, se obtenha animais com bom peso para cozinhar ao forno, o milho tem de estar presente. O excesso de idade descaracteriza-os, também a eles!
Um capão recheado é uma coisa deliciosa… só em Freamunde!

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Duendes


    
Vem aí o solstício de Inverno.
Esta é uma época mágica; nos jardins aparecem os primeiros duendes e cogumelos.
Cá em casa já vi cogumelos daqueles de chapéu vermelho, o Mário Soares a dizer que gosta muito do Sócrates, sete coelhos bravos e o Sócrates a contar como se tratam as dívidas.
Ainda não vi nenhuma rena mas mantenho as esperanças.
Isto é um fim de ciclo que culmina num carnaval.
Meias e gorros de lã fazem muito jeito, mas nada como um bom caldo de nabos, ao lume!


terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Dito 20

Virium


Para ti, Viriato.


Isto é tudo ciclos.
Tudo, tudo, tudo.
Se entendermos onde estão e como se imbricam, entendemos tudo.
Começa nas órbitas das subpartículas,
não sei onde acaba.
A roda não foi a primeira invenção tecnológica;
poderá ter sido o pauzinho que se rola entre as palmas das mãos para fazer fogo?
Talvez não.
Estou a pensar nos anéis e braceletes.
Onde está a tecnologia?
E o que é a tecnologia?


JMP

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Guru


Sabes que vivo bem na penumbra de uma luz
como a tua
É-me suficiente a ourela das pequenas
chamas
Podes bem pôr a tua candeia debaixo do
alqueire
Não quero falar de como iluminas o que
vês
A visão não é o meu melhor sentido e
mesmo assim
a razão porque não quero falar de luz
não é por questões de
entendimento
A luz da aurora rasga tudo
Um fósforo que se acende é uma explosão cósmica
à sua escala
Olha, obrigas-me a usar muitas
palavras
Sabes que já disse
tudo


JMP

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Moçambique (Ecos) 1


Primeira exposição colonial portuguesa – Porto, 1934
SISAL
Monografia elaborada pela Direcção dos serviços de Agricultura
Imprensa Nacional de Moçambique – Lourenço Marques
17 Páginas