quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Santa Luzia
Gostava de quando podia chamar à terra onde nasci e fui criado, Vila de Freamunde. Há uns anos lembraram-se que bom, bom, era que passasse a cidade e pronto. Agora chamo-lhe com o mesmo sentimento Freamunde, só, e pronto.
A 13 de Dezembro acontece em Freamunde a feira de Santa Luzia, uma feira franca, anual e centenária que pulsa com a região entre o vale do Ave e o vale do Sousa, e as suas gentes.
A santa Luzia não sendo a padroeira da terra, é-o o São Salvador, é venerada na capela de Santo António neste dia. A feira é também conhecida pela comercialização de gado asinino e equídeo e de aves com interesse na culinária natalícia, perus e capões.
Um capão é um franganote a quem, antes de começar a piar mais grosso são feitas operações de ordem “disfuncional” e estética. A principal é a que lhe subtrai os “tim-tins”, por motivos estéticos e diferenciadores são-lhe cortadas a crista e as barbelas.
Há muito tempo que não assisto ao ritual mas lembro-me que as cirurgias não dependem de mais do que uma lâmina de barbear ou um canivete bem afiado, agulha e linha, um desinfectante e uma malga com água onde acabam os ditos.
Os capões são animais com uma alimentação cuidada; interessa que num ano ou dois, no máximo três, se obtenha animais com bom peso para cozinhar ao forno, o milho tem de estar presente. O excesso de idade descaracteriza-os, também a eles!
Um capão recheado é uma coisa deliciosa… só em Freamunde!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2011
Duendes
Vem aí o solstício de Inverno.
Esta é uma época mágica; nos jardins aparecem os primeiros duendes e cogumelos.
Cá em casa já vi cogumelos daqueles de chapéu vermelho, o Mário Soares a dizer que gosta muito do Sócrates, sete coelhos bravos e o Sócrates a contar como se tratam as dívidas.
Ainda não vi nenhuma rena mas mantenho as esperanças.
Isto é um fim de ciclo que culmina num carnaval.
Meias e gorros de lã fazem muito jeito, mas nada como um bom caldo de nabos, ao lume!
terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Virium
Para ti, Viriato.
Isto é tudo ciclos.
Tudo, tudo, tudo.
Se entendermos onde estão e como se imbricam, entendemos tudo.
Começa nas órbitas das subpartículas,
não sei onde acaba.
A roda não foi a primeira invenção tecnológica;
poderá ter sido o pauzinho que se rola entre as palmas das mãos para fazer fogo?
Talvez não.
Estou a pensar nos anéis e braceletes.
Onde está a tecnologia?
E o que é a tecnologia?
JMP
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Guru
Sabes que vivo bem na penumbra de uma luz
como a tua
É-me suficiente a ourela das pequenas
chamas
Podes bem pôr a tua candeia debaixo do
alqueire
Não quero falar de como iluminas o que
vês
A visão não é o meu melhor sentido e
mesmo assim
a razão porque não quero falar de luz
não é por questões de
entendimento
A luz da aurora rasga tudo
Um fósforo que se acende é uma explosão cósmica
à sua escala
Olha, obrigas-me a usar muitas
palavras
Sabes que já disse
tudo
JMP
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Dito 19
Odiamos os livros que nos usurparam espaço, para além de nos terem consumido tempo
dito em Estrada de Santiago de José Eduardo Lopes
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Moçambique (Ecos) 1
Primeira exposição colonial portuguesa – Porto, 1934
SISAL
Monografia elaborada pela Direcção dos serviços de Agricultura
Imprensa Nacional de Moçambique – Lourenço Marques
17 Páginas
terça-feira, 22 de novembro de 2011
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Recortes
1938
Estes são os recortes que um adolescente guarda no seu livro de “Ciências Geográfico-naturais”. São as mulheres que lhe povoam os sonhos!
No verso de um dos recortes ficamos a saber que “Criada para todo o serviço” nem sempre teve só a má conotação, que o dinheiro já na altura era oferecido em empréstimo mas com escolha criteriosa dos bens a hipotecar, que se procurava emprego mesmo estando empregado, etc.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
terça-feira, 15 de novembro de 2011
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Pacto Social
É o livro de “Leituras escolares” do ensino primário oficial, para a 4ª Classe. O ano é 1922 e o autor José Nunes da Graça (professor primário) em parceria com António Maria Pereira. Livraria Editora, Lisboa.
Deixo aqui reproduzidas quatro páginas onde podemos ler os textos “Pacto Social” e “Sentenças contra animais”, sendo que o segundo veio por arrastamento.
No final da segunda página é iniciado um parágrafo, “A constituição ou código …”, que me impressionou pela quantidade de informação explícita no tão reduzido número de palavras. Este é um texto que, vindo do passado profundo é totalmente descomprometido, nos ajuda a compreender o que nos trouxe à situação económica actual e as restrições a que nos estamos a sujeitar.
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Tragédia Grega
Agora, sempre que falarmos em Tragédia Grega, será dúbia a nossa intenção.
Se tentarmos esclarecer, serão chamados à conversa fantasmas vários, mascarados, palavrosos e indiscretos, que apontarão com um dedo lasso uma galeria de espelhos nada planos.
Agora, quando falarmos em Tragédia Grega, será bom ter havido um preâmbulo cuidado, com muito detalhe e descrição. Poderá não ser demais aludir os elementos essenciais, da hybris à Katharsis.
O nosso interlocutor deve ter sido posto, gentil e cuidadosamente lá longe no tempo, no meio dos deuses e das histórias contadas, onde todas as personagens usam naturalmente máscara.
Quando ouvirmos falar na Grécia, um outro manto, a borratar o diáfano, não nos deixará ver só estátuas, deuses, colunas, corpos e barcos. Não serão só brumas da memória; uma incerta tela de estranha fibra nos confundirá os espelhos das lanternas e lançará sombras nas nossas palavras.
Uma tragédia!
JMP
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Do arco-da-velha 6
Já nada é como antigamente, nem a escrita, nem a inocência, nada!
Também já nada é tão moderno como era, quando estava na moda dizer moderno.
Também já nada é tão moderno como era, quando estava na moda dizer moderno.
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
O Leça
Não há mares interiores, só o mar.
O sol nasceu há pouco; chegará ainda hoje antes que ele se ponha.
Se antes que o sol se tenha posto não vir o mar, fixe o ponto onde se pôs,
no dia seguinte siga-o.
Se no segundo dia não tiver alcançado o oceano
alguma coisa errada há-de ter acontecido.
Sente-se e reflicta, sem nunca olhar de frente o astro,
que pode cegar, pense no que o poderá ter afastado do caminho;
poderá logo aí encontrar o que busca!
Tenha atenção ao estado do cajado,
desconfie de qualquer farpa ou aspereza no sítio onde o agarra
e se a ponta que toca o caminho estiver muito gasta,
deve avaliar a possibilidade de estar a exigir dele em excesso.
Não há mares interiores,
não se satisfaça com qualquer espraiado que não tome conta de todo o horizonte!
Agora vá, vá.
Encontre alguma determinação neste riacho,
ele vai lá ter direitinho.
JMP
JMP
terça-feira, 1 de novembro de 2011
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Mordaça
O fio que liga a minha casa ao mundo está no chão. Dei por isso na madrugada de ontem quando precisei do telefone e vi que estava morto; era como se estivesse ligado à corda da roupa. Uso tão pouco aquele aparelho que fiquei intrigado como tive vontade de lhe deitar a mão. Provavelmente foi ele que chamou por mim! Tinha estado mau tempo a noite toda, agora da janela vejo o fio preto a traçar uma parábola profunda, a confundir-se com os arames da ramada e a mergulhar no talho das pencas.
O tempo acalmou, adivinha-se um dia frio. Da janela da copa avisto o fio na sua trajectória ondulante e descendente enquanto uso o telemóvel para contactar a minha operadora de comunicações, que não é a proprietária daquele fio. Atende-me uma voz gravada, dá-me as boas vindas e desfia as opções que tenho em troca de premir as teclas que me indica; já estou habituado.
Tenho a minha cadelinha nova na cova da mão esquerda encostada ao peito, dorme. Vou ouvindo e marcando números, depois espero, espero, tenho música de guitarras ao longe interrompida a espaços curtos pela voz gravada que me diz que estou em fila de espera e serei atendido logo que possível. Faço um afago com o queixo no dorso da cachorrinha, é real. A voz diz-me que poderei ser contactado pela operadora num prazo de 48 horas se premir “um”, não primo nada, continuo à espera. Quarenta e oito horas no tempo da televisão digital terrestre, penso eu nem sei a propósito de quê.
A empresa que me fornece o serviço de telefone fixo e de Internet pertence a um grupo de empresas a quem em tempos comprei a minha bicicleta, compramos lá quase toda a mercearia cá para casa, também vendem seguros para automóveis e hei-de ver se têm coleiras para cãezinhos tão pequeninos.
Sou apanhado desprevenido por uma voz feminina em directo; cumprimenta-me, diz-me o nome e pergunta em que me pode ajudar. Esqueço de imediato o nome e explico que estou sem telefone nem Internet e que vejo o fio caído. Pergunta com quem está a falar e pelo número de telefone ou o número de contribuinte. Identifico-me como José Moura Pereira, dou o número de telefone e sinto aquela coisa no peito, vou ser tratado por Sr. José… Não, trata-me por Sr. José Pereira, desanuvio, pede para que aguarde um pouco, ouço teclar, diz que é conhecida uma avaria na minha zona, que está a ser tratada. Adivinho que não anotou em lado nenhum a existência de fios caídos
Imagino que pegou numa folhinha de papel, um documento interno do sistema da qualidade, modelo n.º não sei quantos, intitulado recepção de reclamação ou de avaria ou coisa que o valha, preencheu algures a hora, escreveu em local próprio o meu nome, fez uma cruzinha à frente de “n.º de telefone” e depois escreveu-o… Mas sei que tudo se passou no teclado, que um dia um gráfico dirá que o tempo médio de resolução de uma avaria é inferior a oito horas, que os objectivos para o semestre seguinte contemplarão uma redução de alguns minutos nesse tempo. Sei também que a rapariga com quem falei pode estar em qualquer parte do mundo, que vou ficar vários dias sem telefone nem Internet e que isso só preocupa as pessoas cá de casa.
P.S. Nem chegou a dois dias sem internet, mesmo com fios caídos!
terça-feira, 25 de outubro de 2011
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Maria Vitória
Depois da nota de “sem”, tomem lá uma de mil.
De mil, mesmo! Gargalhudos, mesmo assim, mil.
De notar que é um banco teatralizado, nosso, além de outros pormenores muito engraçados.
Teatro Maria Vitória
Alto e Pára o Baile! Setembro de 1977
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
quarta-feira, 19 de outubro de 2011
Ocorrência v
Ocupou os minutos seguintes com formalidades processuais, pôs o secretário a ler para a sala uma peça que lhe daria tempo a voltar a si, concentrou-se a olhar para as próprias mãos impecáveis, dedos longos, pele firme e macia, unhas cuidadas, tinha voltado a si. Já lhe rolava outra vez o olhar pela sala. A comunicação social quase não se via, iria aumentar já na próxima audiência. Aquela massa de gente tão heterogénea era tão intrigante quanto o pouco ruido que emitia; nem tosse nem bichanar nem o bulício de rabos nos bancos, trajes estranhos, tão diversos, não era costume ver-se pessoas tão velhas nos julgamentos.
Voltado a si, foi traído pelos próprios pensamentos. Sem saber de onde, a cabeça tinha desencantado a palavra encarnação e se verbalizasse o que sentia teria dito, encarnei!
Sentiu-se num vórtice.
Como tinha permitido que aquele processo chegasse a tribunal? Já tinha mandado às urtigas questões bem mais consistentes.
Recusou uma terceira vertigem, deu por encerrada a cessão e marcou a próxima para dali a um mês; questões de agenda.
domingo, 16 de outubro de 2011
sábado, 15 de outubro de 2011
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