sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ocorrência i

- Meritíssimo, não é suposto Ele estar entre nós?
- Mas quem o mandou falar, quem é você?
- Vim trazer as refeições, são 12 euros.
- Ponha aqui ... e o que é que estava para aí a dizer…
- Que nem tudo se vê com os olhos, ao acordar, como os poderes de que está investido…
- Ponha-se lá fora, respeito, respeito…
    … que raio! Pão… e … e vinho! Quem pediu isto?

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Ocorrência

... chegados aqui, meus senhores, minhas senhoras, que querem que lhes diga?
Então ... se Deus não existe, não é??? ... parece que não há maneira de aparecer!!! ...
Como sabem, isto não pode ser um julgamento à revelia; se não..., que chatice, fica tudo na mesma!
Se Deus não existe, o Homem terá que ocupar o seu lugar. Vamos lá, vamos lá...

Cromos 2

     Cães
     Clube Pirata
     50 cromos


segunda-feira, 26 de setembro de 2011

ISO

ISO 9001 2000

Artigo não conforme data e assinatura Controlo de Insectos Registo de produção por máquina NOTIFICAÇÃO Garantia da qualidade qualidade total iso Classificação Produto em Quarentena Ficha de calibração REGISTO DE RECLAMAÇÃO…  evidências OK registos CONTROLO DE DOCUMENTOS DA QUALIDADE Instrução de trabalhoManual da Qualidade FLUXOGRAMA aprovação das tabelas de preços reunião de departamento MANUAL DE PROCEDIMENTOS ficha de segurança descrição de funções Sinalética Reunião anual… instruções de utilização AUDITORIA documento interno procedimentos matriz de contingência FICHA DE MANUTENÇÃO fórmulas de fabrico Procedimento de higienização do fardamento implementação Procedimento de Libertação de lote Infra-estruturas Plano de manutenção MELHORIA CONTÍNUA registo de máquina DATA E ASSINATURA planta de emergência prova de pressão MEDICINA NO TRABALHO monitorização Controlo do prazo de validade embalagem Caderno de Encargos rótulo FICHA DE PRODUTO licenciamento industrial OBJECTIVOS Registo individual de produção diária iso  EVIDÊNCIA ficha de viatura Organograma ACÇÃO CORRECTIVA… Nível de amostragem organismo notificado ISO Responsável iso CONTROLO DE DOCUMENTOS comunicação interna backup DEFEITO padrão triagem AMOSTRA lote rotulagem de amostras  Série Diagrama de circulação de pessoas prazo de validade RASTREABILIDADE Diagrama de Circulação de Materiais monitorização contínua aferição  devolução EXPEDIÇÃO calibração REGISTO DE DESPERDÍCIOS… descodificação do n.º de lote ASSINATURA E DATA termo-higrometria Fornecedores autorizados NP EN ISO  Ficha de expedição Registo de viatura avaliação de fornecedores Declaração CE de conformidade Arquivo de amostras Auditoria externa checklist  ORDEM DE TRABALHO verificação da eficácia da acção correctiva Avaliação do Risco contagem Reunião mensal Folha de Obra PROTECÇÃO INDIVIDUAL controlo de existências CONTROLO DE ACESSO matriz de competências LISTA DE MÁQUINASlaboratório certificado ERP relatório… PROCEDIMENTO DE RECEPÇÃO DE MATÉRIAS PRIMASassinatura e data

Não é fado, é aquilo em que a Europa se afunda...

terça-feira, 20 de setembro de 2011

ness...

     Outra vez, NESS...
     Não largas as latinhas de spray!


     Gráfica e esteticamente nem está nada mau,
     mas estás excessivamente retro, NESS!
     É para chegar à China?

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Para ness

Para o que te havia de dar, ness?
Sujar as  paredes!
Ai, ai... que feio!
E logo a spray.
Então não devia ser com pigmentos naturais e dados a pincel ou à boneca?
Tiveste o cuidado de ler o conteudo das latas?
Tens a certeza que o agente propulsor não é daqueles proibidos?
E olha, viste onde é que foi produzida essa tinta? É que se veio de muito longe, então esse teu gesto ainda gastou mais petróleo.
Estamos muito desanimados contigo; olha esse teu cabelo, consegues lavá-lo?
Também não podes plantar, ness.
Sabemos que sabes, então?
Vai lá, não faltes à aula de capoeira...

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Dito 11

     Nem a preces nem a blasfémias lhes dá ouvidos o Mar


     Pesqueiros dos Fóles
     Ericeira

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Dito 10

     As marés e o Tempo não esperam por nenhum Homem


     Pesqueiros dos Fóles
     Ericeira

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

domingo, 11 de setembro de 2011

Dito 8

     Quando se navega sem destino, nenhum vento é favorável.


     Pesqueiro dos Foles
     Ericeira

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Aos cristãos

De passagem por um dos meus blogues preferidos, ma-schamba, fiquei a ler a mensagem de 01/Set. de JPT - A Europa, hoje - texto de Joseph Ratzinger (hoje Bento XVI), o que me trouxe à memória um recorte do DN de 31 de Maio de 2004. É um artigo de João César das Neves intitulado "Aos cristãos pode-se!" e cuja actualidade é lamentável.
Trago-vos hoje esse artigo de jornal, também ele ilustrado, mas sem a força da imagem que JPT usou e que não pode deixar ninguém indiferente.
É o meu contributo para o convite à reflexão sobre a forma com os cristãos são vistos e se vêem.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A Raça

O Sr. Presidente da República possui um mapa social segundo o qual nos enquadra a todos nós e que paulatinamente vai desvendando. Até à data é um mapa simples mas temo que se venha a complicar, podendo até vir a necessitar de um grupo de trabalho, de uma série infinita de inquirições e mesmo de uma polícia.
Como aprendeu na escola de Sócrates, que à falta de qualquer outra coisa se pode sempre dizer que foi um grande político, as necessidades são transformadas em questões de justiça. Assim, sendo a maior necessidade do momento o saque de dinheiro, a todos nós, sermos sacados passou a ser uma questão de justiça. E de que se lembrou? Da reintrodução de impostos sobre as sucessões e as doações!
O nosso querido Presidente da República, que não é bem a mesma coisa que o nosso querido chefe, acha que no momento de se receber aquilo para o qual não se contribuiu, é de toda a justiça que se reparta com o Estado. Portanto, parte do princípio que os filhos do agricultor nunca o ajudaram nos trabalhos do campo, que nunca um filho chegou um balde de massa ao pai que construía a própria casa, jamais a filha da costureira chuleou as bainhas da obra da mãe, em tempo algum os filhos do pescador o ajudaram na faina, ninguém depois de se ter licenciado em engenharia ficou a trabalhar na fabriqueta dos pais com um ordenado de merda, enfim… é então de toda a justiça, não tanto por necessidade, que o filho que herda a casa do pai a tenha que vender para partilhar com o outro herdeiro – o Estado, seja lá o que isso for!
Porque intui que quem herda não contribuiu para a construção da coisa? Por motivos de duas ordens:
- A primeira: Toda a gente sabe que os filhos desde cedo vão estudar para Lisboa e depois ficam a dar aulas, se metem na política e vão trabalhar para o Estado, ficando a ganhar da fazenda pública em qualquer caso.
- A segunda: Toda a gente sabe que já não há indústria familiar, que a que houver vai fechar, que não há pesca artesanal e familiar, que não há agricultura praticamente nenhuma, que fomos (os portugueses) uns bons alunos de professores prepotentes e pedófilos, e que transformamos o “jardim” num oásis. Não temos canudos de fábricas a botar fumo nem efluentes tóxicos, nem o som enervante de serras circulares – é só serviços, bonito serviço! Também já não se faz costura em casa.
A pouca memória não ajuda a lembrarmo-nos do tutor que nos levava pela mão.
Voltando ao mapa social, como os livros nos ensinam, é muito difícil detectar todas as peças do património de um indivíduo; daí que eu tema as infindáveis inquirições, a nova polícia, as provas de vida, impressões palmares (para ver se há calos) e coisas que a minha imaginação não abarca. É muito difícil também prosseguir com o saque ao povo comum – podemos estar já muto para além dos limites. Repararam ou passou despercebido?
Povo comum.
No discurso da festa do povo, foi repetido e repisado: - Povo comum! Taxe-se então nas sucessões e doações.
Povo comum será então aquela pequeníssima percentagem de quem não tem eira nem beira nem casa mesmo que hipotecada. É estranho que o termo “comum” seja aplicado à parte mais pequena, mais estranho é que seja a propriedade a definir distinções no povo e mais ainda que defina seja o que for em matéria de justiça.
No mapa social que o Sr. Presidente vai desvendando aos poucos, temos então no fundo o “Povo comum”, depois o “Povo” e depois a “Raça”. De certeza que há muito mais, eu vou manter-me atento, e passar mais tempo no FB.

JMP

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Mala de cartão


Uma “mala de cartão” é muito mais um elemento da expressão, do espaço emocional ou das figuras de estilo. Não obstante o objecto existe, mesmo que já muito estragado. Com uma mala de cartão na mão parte-se para um futuro, muitas vezes incerto, mas quem transporta algo consigo tem uma determinação qualquer.

No dia que quis mostrar a minha mala de cartão, fiquei a saber que faz anos que o Chiado ardeu. É uma coincidência como outra qualquer … ou não!

Dito 7


Quanto mais choras, menos mijas.

domingo, 21 de agosto de 2011

Ericeira

              Passeando pela Ericeira durante as curtas férias que lá fiz há um ano, entrei numa pequena capela de porta aberta para a rua. Espaço exíguo e antigo, abandonei o olhar para que o percorresse. A miúdo entravam pessoas, mais mulheres que homens, mais residentes que turistas, que faziam um curto silêncio em imobilidade entre duas vénias com cruzes desenhadas com a mão sobre a cabeça e tronco. Recolhi duas folhas A4 de dois montinhos que se exibiam claramente para esse efeito, e também eu me despedi com um “Sinal da Cruz” levando um joelho ao chão.
                As duas folhas de papel ainda as tenho comigo, são as que vos mostro a seguir. A primeira, numa única página, intitula-se “A face mais bela” e está assinada pelo Pároco Armindo Garcia; a segunda, em duas páginas, intitula-se “O frenesim do bem – (Texto copiado do livro “Razões para a alegria” do P. J.L. Martin Descalzo)”
               



domingo, 7 de agosto de 2011

Slim

    SHARP OSAKA     SG - 309 H
    1978

    Designava-se por "monobloco", tudo em um - rádio, gira-discos e deck de cassetes.



    (Slim, em 1978)

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Hortênsias

     A partir de uma certa altura, as hortênsias (ou granjas como gosto de lhes chamar) deixam de ter uma simples cor definida como o branco, o azul, o rosa, e ganham um matizado complexo de cores fortes. Mais lá para a frente algumas serão de uma forte cor de ferrugem.

     Mais fotos aqui

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Pirilampo

Corria o mês de Abril de 1985, o tempo estava bom, noite escura de lua nova e eu marchava fardado e de arma à bandoleira com o resto do 2º batalhão de instrução pela Tapada Real. Aquela fase da instrução militar na Escola Prática de Infantaria (EPI) em Mafra designava-se por curso geral milicianos. Era frequente o batalhão fazer marcha nocturna, em duas longas colunas, uma de cada lado dos caminhos ou estradas, som maciço de passos, vozes poucas, grossas e gritadas.
A marcha, mesmo a passo estugado, dava-me prazer e essencialmente espaço para estar comigo que era o que mais me faltava. Mantida a distancia ao homem da frente estava tudo bem, ninguém chateava.
                O ritmo certo dos passos na quietude que a noite põe para a tropa passar era revigorante. O som dos motores dos veículos que encerravam a coluna, lá longe, o cheiro do gasóleo queimado, os feixes de luz a atravessar tudo e a denunciar as nuvens de pó levantadas, o resvalar de botas nos solos secos e pedregosos e os berros, as ordens berradas, imenso o poder gerado pela disciplina! – Chega à frente, chega à frente…
                Tinha só vinte anos, encaixava bem o treino duro, tinha de ser, via-me como num filme, como uma personagem da história, estava a viver uma coisa difícil de explicar, era uma coisa medonha, aquilo não era para todos, eu estava lá!
                - Chega à frente, isto ainda nem começou, chega à frente…
                Ao longe a silhueta irreal do convento distanciava-se.
                - Estão a ver o “calhau”? Ainda vão ter saudades dele!
                Era o que se chamava ao convento, calhau.
                - Chega à frente, formatura da manhã em fato de ginástica, chega à frente…                   
                Ia mudando a G3 de um ombro para o outro para aliviar a sensação de queimadura, uma passada a suceder-se a outra, era Abril, eu era jovem e forte, ao cimo de uma ribanceira uma suave curva à direita ainda a subir e depois uma vereda de matos altos, e uma visão de ficção à altura do melhor de Carl Sagan; numa extensão de centenas de metros uma parede de matos pejados de pirilampos a derramar pelo chão a sua fresca luz verde. Aquilo não era um filme, e eu estava lá. Eu fazia parte de uma cena improvável e sentia-me responsável por uma boa parte daquilo!
                Um dia destes vi uma luzinha verde pequenina nas escadas da nascente. Uma só, um só pirilampo que me fez recordar tanta coisa. Fiz algumas fotografias com muito cuidado consciente que era de mim que se tratava.


domingo, 31 de julho de 2011

Adaptabilidade


Podia ter-lhe chamado outra coisa, como:
    - Por vias travessas
    - Jogo de cintura
    - Procura
    - Fazer pela vida
    - Caminho
    - Lutar
    - Por linhas tortas
Ou simplesmente:
    - Erva daninha
E é por isso, por esta última possibilidade, que amanhã ela e todas as que estão à volta vão ser cortadas e levadas para compostagem. Nesta altura do ano não se deve fazer queimadas.
Ela ainda não sabe.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O grau

- Dei uma volta para aí de mil graus!
- Deste uma volta de 180 graus, foi isso?
- Qual 180? Dei uma volta de 10000 graus, estás-me a compreender-me?
- É muito grau, pá!

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Moral da história


Devo ter integrada em mim toda aquela moralidade implícita nos contos infantis que é suposto terem sido lidos por quem está entre os 40 e os 50. Isso e muitas outras moralidades que o final do século XX português produziu para ser a matéria da comunicação social sob censura, do ensino encarneirado, ou do politicamente correcto que foi ficando até hoje
            Dessa moralidade, e da adquirida no fabulário, nas canções de ninar, nos dizeres do povo, na catequese e no exemplo das tias solteiras e no das casadas, sobrou a criança que fui, pelo lado da circunstância, porque pelo lado do “eu” não tenho o que pensar o que outra coisa poderia ter sido. Cedo decidi deixar a prerrogativa da infantilidade, refiz-me, mas não perdi a memória.
            Estacar feijoeiros fez-me lembrar o conto do João e o feijoeiro mágico. Está muito longe a leitura dessa história, assim como a da Branca de neve e a da Cinderela e a da Princesa e a ervilha, mas sobre estas três últimas confundo muitas passagens e sobre a do feijoeiro mágico tenho-a esbatida mas em estado mais puro. Nunca confundi com nenhuma outra, a história do miúdo estúpido que aplica o provento da venda de uma vaca em feijões mágicos.
            Não devia ouvir a TSF na horta, lá se vai a minha actividade depurante ao ar livre. Estacar feijoeiros a ouvir notícias e a apanhar sol na cabeça, induziu-me uma visão clarificadora e que guardarei como sinopse destes tristes dias:
            - José Sócrates e o feijoeiro mágico. A história é igual à original, só que acaba logo que o moço chega ao topo do feijoeiro, para lá das nuvens. Não se chega a saber o que acontece depois, apenas que a planta é cortada por baixo pela própria pobre e velha mãe, inconformada com o destino dado ao dinheiro da venda da vaca. O moço não devia ter feito aquilo!

terça-feira, 12 de julho de 2011