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quinta-feira, 27 de dezembro de 2012
Natal 4
No Natal celebra-se Jesus.
Quando se perde a ligação ao tema, qualquer tema, é-se levado numa trajectória que lhe é tangente, para fora, diverge-se portanto, e sai-se.
Um exemplo de deriva e perda no vazio, é uma hipopótama gorda a dançar rap em malhas.
Outro exemplo, é um velhote vestido com as cores de uma marca de refrigerantes, a atormentar as crianças de todo o mundo com sonhos que nunca serão satisfeitos.
Jesus não libertou só os crentes; trouxe o Amor entre os Homens como mensagem e como caminho e esse Amor serve a todos, mesmo aos que não têm amor para dar.
Subtraído Jesus da equação, voltamos todos à terra ocupada, a abrir a porta ao cobrador de impostos odiado e a sangrar cordeiros no templo de um Herodes qualquer.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Besouros, e coisas assim
Ontem, enquanto via as imagens do que se passava em frente do parlamento, até a mim me doeu! Uma linha de polícias fazia barreira nas escadas, evitando que uma turba as subisse, enquanto aguentava os impactos de pedras da calçada e todo o tipo de objectos arremessáveis que iam pejando os degraus a seus pés. Lembrei-me do efeito que tem o impacto de um pequeno besouro na viseira de um capacete. Quando se passeia de mota, mesmo a velocidades baixas como sejam uns cinquenta ou sessenta à hora, qualquer choque de um pequeno “voador”, no capacete ou na viseira, provoca um estalo assustador; isto quando estamos com sorte, porque se o impacto se dá no rosto ou no pescoço, até se vê estrelas!
Hoje, no fim da intervenção que o presidente da república fez na conferência da COTEC, “Mar de Negócios”, foi abordado por uma quantidade de jornalistas, todos na ânsia de o fazer falar, ligados às redacções por fios e feixes de ondas, sem capacete, sem tempo e sem uma data de coisas, boa parte deles, que se as tivessem até seriam bons jornalistas, o bom senso por ex.
Por um momento, veio-me à ideia a cena de Caco Silva num aperto de campanha eleitoral, empunhando o microfone que um jornalista lhe havia franqueado, esgueirando-se por baixo das mesas de um café e a relatar o que fazia, na terceira pessoa. Por outro momento, tive a esperança de que quando lhe perguntaram se não achava que a polícia tinha agido (ontem em S. Bento) com excesso de força, ele retorquisse:
- A senhora nunca andou de mota?
Estou confiante que isto vai melhorar, mas tenho a certeza que para que isso aconteça, será preciso que um certo discurso, de uma certa esquerda, parvo, libertinário, desconexo, etc., seja deixado de vez. Quando os escaravelhos forem tratados como escaravelhos, as pedras como pedras e as pessoas como pessoas, isto vai melhorar.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
Para mudar de assunto
Sr. L,
não permito que seja para mim
o zahir do Borges.
Agora tinha em mente
uma representação da sua mitose;
uma transformação da sua fronte
em estilo Francis Bacon;
e outra em que lhe poria
a cabeleira do Andy Warhol
e um namorado preto –
- o Basquiat, claro!
Depois, representá-lo num altar
pagão, a oficiar um ritual vodu
e a aspergir tudo com bourbon…
A seguir, desenhar um grafismo
da progressão geométrica
dos quadrados;
mostrar quantos seríamos
se todos deixassem
dois em seu lugar!
Deslargue-me.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Europa ISO
Já escrevi este texto várias vezes e de diferentes formas. Tem resultado invariavelmente num desabafo, incluído sempre palavras duras e grosseiras, longo, longo demais, desfocado e denunciador de um espírito humilhado, ofendido, em grito de socorro ou de vingança. Lido no fim da escrita corrida e compulsiva, vejo-me exposto, revejo-me num dos meus piores ângulos, não gosto, e enjeito-o.
Hoje tento mais uma vez. Alinhei como que um guião, em que me vejo a mim próprio a falar – não posso ser longo, devo refrear a ira, manter a compostura, e essencialmente, ser conciso.
Quero dizer que a responsabilidade pelo estado miserável em que se encontra a maior parte da Europa, é de quem se arroga, há muitos anos, da sua condução. Refiro-me à comissão europeia e ao parlamento europeu. Acresce, que as instituições referidas, são dotadas dos meios que entendem como suficientes, têm sido depositárias da confiança cega dos governantes dos diversos países, têm largos meios de coacção sobre os membros e têm capacidade de determinação sobre os mais ínfimos pormenores que condicionam as decisões das pessoas e das empresas.
Neste novo mundo, dos oficiais do ministério da economia substituídos por polícias de cara tapada e armados até aos dentes, dos programas de gestão de recursos empresarias (vulgo ERP) certificados, do cruzamento de dados informáticos, do fim do sigilo bancário, das escutas telefónicas generalizadas, dos observatórios para tudo e para nada, dos institutos de estatística a quem o fornecimento de dados é obrigatório, etc., sabemos pelo menos, triste consolo, a quem apontar o dedo.
Na fúria do controlo absoluto, a standardização, que no velho mundo foi tão construtiva, neste novo mundo europeu, passou a ser um dos instrumentos mais violentos de “escuta” e vigilância, e dos piores meios de controlo policial dos agentes económicos. A certificação da qualidade, nas pequenas e médias empresas, passou a ser, por um lado, uma enorme intrusão nas melhores atenções dos principais recursos humanos, por outro, um esvair insanável de recursos, e por outro ainda, criadora de imensos postos de trabalho não produtivos – os alimentadores do sistema – e de toda uma leva de profissões adstritas ao circo, mas economicamente insustentáveis.
Já trabalhei numa empresa familiar de administração clássica (autofinanciada), que não subsistiu à concorrência com as outras que se financiaram na banca e absorveram apoios comunitários – o acesso aos apoios comunitários dependia de processos encriptados, incluía o agigantamento dos projectos e sobrevalorização dos equipamentos, incompatíveis com empresas sérias.
Já trabalhei numa empresa certificada (ISO 9001) que viu o Infarmed retirar-lhe o certificado CE de produção e colocação no mercado de dispositivos médicos e dar-lhe ordem de recolher tudo – tudo – o que estava no mercado (o que provocou a falência fulminante), na mesma semana – mesma semana - em que obteve a renovação da certificação da qualidade (?).
Já trabalhei numa empresa de comércio de dispositivos médicos, certificada ISO 9001, que não tinha antes de mim, ninguém que soubesse o que era o Infarmed. O Infarmed também não sabia que a empresa existia (ou sempre se comportou como tal).
Já trabalhei numa empresa de mobiliário com uma implantação oficinal e sem um organograma definido, com uma parte da mercadoria facturada e outra (sem embalagem), com os salários pagos em cheque da empresa mais um envelope, que estava a implantar um sistema ERP completo e em processo de certificação!
Sempre que escrevo a palavra ISO no meu computador, ele corrige-me automaticamente para ISSO. Já poderia ter corrigido esse comportamento sobranceiro e incómodo da máquina, mas mantenho-lhe esse traço de personalidade. Passei a admitir naturalmente, que esta máquina desenvolveu capacidades emergentes de inteligência artificial, não desdenho totalmente dos desígnios do acaso, assim, continuo a permitir-lhe certas liberdades.
Por estes dias, permite-se a venda de produtos alimentares fora do prazo de validade, a preço mais baixo, e ISSO passa-se na Grécia. Isso, e o mais que está para vir. É por isso que quando digito ISO e o meu computador me corrige para ISSO, eu leio – é isso, é isso – andamos todos a ter de deixar “evidências” do que registamos, de forma imposta, em inumeráveis documentos internos de registo, e o que temos à evidência é esta miséria. A esta Europa premiada, gostava eu de dizer – que descanse em paz!
JMP
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Situacionismo
Um burro carregado de livros é um doutor
Um livro carregado de doutores é um burro
Um doutor carregado de burros é um livro
Um burro carregado de doutores é um livro
Um livro carregado de burros é um doutor
Um doutor carregado de livros é um burro
Os burros são livros abertos
Os livros são burros doutores
Os doutores são burros fechados
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Dia Perdido!
Outro dia perdido, na casa da democracia.
Não foi para isto que aquela casa foi feita.
Não foi para espelhar a rua, não foi para inseminar as mentalidades fracas com ideias fortes e falsas. Não foi para exprimir simplesmente as constatações mais óbvias. Não foi para esgrimir indignações como se argumentos fossem.
Pelas palavras, tudo se pode: dignificar o insano e denegrir o inocente, mostrar a mais cristalina sensibilidade do criminoso e a lascívia do casto.
Pelas palavras tudo se pode, mas não será por elas que se semeia o trigo, ou se dessedenta o caído, ou se paga dívidas.
Hoje ouvi um homem a explicar o óbvio, e a seguir, o comentarista de serviço comentou o trecho como brilhante!
As palavras valem o que valem.
As palavras nunca valeram tão pouco.
(Hoje foram apresentadas e votadas na assembleia da república, duas moções de censura ao governo, por iniciativa dos dois partidos, que se mandassem, não haveria democracia)
terça-feira, 25 de setembro de 2012
Love Padlocks
Contrariando a ideia de que as relações actuais são iniciadas para servir o momento, e de que quem vive a paixão o pode muito bem fazer sem se vergar ao desejo do amor eterno, por todo o mundo são deixadas juras públicas de paixão sem fim.
Aos corações atravessados por setas, gravados a canivete nos troncos das árvores, aos “Amo-te Fulana” escritos com um caco, com um marcador, a pincel ou a spray nos muros, aos “Sicrana ama Beltrano” gravados com o dedo na areia molhada, juntou-se o aloquete.
Dizem que poderá ter começado na Rússia ou na China, alastrou por Florença e chegou a Paris. Já está na ponte Luís I.
Algumas edilidades pelo mundo fora já instalaram superfícies aramadas ou árvores metálicas para que sirvam de templo a esses círios apagados, pretendendo conter o fenómeno que acrescenta todos os dias muitos quilogramas a velhas pontes, e também defender as “juras” dos ladrões de metal.
…/…
Protásio e Clementina dormiram juntos pela primeira vez, dentro do saco-cama, numa caixa de areia junto ao Sena, a que se chama praia, em Paris. Deambularam todo o dia pela cidade e ao fim da tarde, a caminho do Quartier Latin, compraram nos vendedores de rua um padlock made in China. Sentados no tabuleiro da Pont des Arts, comeram as fatias de pizza que levavam com eles e antes de abrir a garrafa de vinho, uma zurrapa espanhola, beijaram-se, prenderam o aloquete na rede das guardas da ponte e lançaram a chave às águas. Assim ficaram a beijar-se longamente, quando se levantaram quiseram olhar uma última vez o cadeado que os unia para sempre. Não o conseguiram distinguir; sabiam simplesmente que estava ali, e ali ficaria.
segunda-feira, 17 de setembro de 2012
Nau de Pedra
O molhe da Foz do Douro
é como uma grande nau de pedra,
encalhada de popa na praia curta
que esbarra na parede alta,
no cimo da qual começa a cidade.
Quem lhe percorre o convés
inclinado para ambos os lados,
em direcção à proa gradeada
e voltada ao mar aberto,
encontra a meio,
gravado a metal,
o Norte, e o Sul.
A grande e velha barca
que não vai a lado algum,
não deixa a quem a aborda,
ir onde não sabe.
JMP
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Jesus, Rei
Isso de haver ou não haver coincidências, é um território escorregadio, que ora traz ao de cima a crença no touro e o temor ao trovão, ora cega o mais evidente e reduz tudo pó.
Não havia dois dias, o meu pai chegou-se ao meu pé com uma moeda na mão a que dedicava uma especial atenção:
- Donde é esta moeda de um euro com a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo?
- Itália; não é o nosso senhor, é um desenho do Leonardo da Vinci, o homem de Vitrúvio, que representa a figura do homem com as medidas ideais.
- Pois…
Os setenta e seis anos de idade têm-lhe deixado um belo e espaçoso campo de manobra. A visão, mesmo corrigida, já perdeu a paciência para “rodriguinhos” com pouco mais de um centímetro de diâmetro.
A viajar em recreio por Trás-os-Montes, dei por mim no santuário mariano de Cerejais. Não uma pequena capela pintada de branco, perdida no alto de um cabeço, de porta fechada e a secar ao sol impiedoso em solo poeirento. O santuário de Cerejais é grande, tem as portas abertas, está repleto de vitrais coloridos por onde entra a limpa luz que ilumina a vidraria colorida e azulejos com representações da Senhora, dos pastorinhos, das visões e da fé de Fátima. O exterior da capela é tratado e ajardinado; na parede sul foi-lhe acrescentado um altar para celebrações campais, servido por uma praça empedrada que tem ao fundo uma imagem de Jesus Cristo.
A imagem de Jesus Cristo que domina o espaço para celebrações ao ar livre do santuário de Cerejais, não representa Jesus de forma costumeira. Jesus não é representado crucificado ou em pose piedosa, nem flutuante, nem proclamativo, nem menino…
No santuário de Cerejais, há uma representação do Filho de Deus como tal: forte, afirmativo, de braços abertos mas sem madeiro humilhante, de queixo levantado, em posição estável com os pés afastados, perfeito, poderoso, Rei.
Ao pé do Jesus do santuário de Cerejais o “Homem de Vitrúvio” é um boneco antropométrico.
A base da escultura ostenta:
- Cristo vence, Cristo impera, Cristo reina.
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Gioconda
Gioconda, não é somente o quadro mais valioso do museu do Louvre; é provavelmente o quadro mais valioso do mundo.
A técnica usada, o “sfumato”, não lhe confere as melhores características para ser viso á distância, muito menos por trás de um vidro muito grosso e à prova de bala. O tamanho de 77 x 53 cm torna a tela invulgarmente pequena quando comparada com qualquer uma das expostas na mesma sala.
Partilha uma parede inteira com dois avisos de “Cuidado com os carteiristas”, um à esquerda e outro à direita, o que é totalmente justificável, mas ao mesmo tempo ridículo.
À frente da Gioconda há sempre uma turbamulta a fazer o impossível para obter uma fotografia medíocre. Usa-se de tudo, como máquinas fotográficas, telemóveis, e agora até iPads!
O museu do Louvre não é um lugar de culto, é uma prisão que não requer que o visitante identifique o visitado, desde que pague um bilhete de dez euros. De intermeio, também mostra o que andou Napoleão a fazer por aí, assim como o entendimento que tinha de “posse”.
Nas lojas do museu pode-se comprar reproduções do quadro do Leonardo. Essas reproduções raramente têm o tamanho e nunca têm a moldura das que se compram nas nossas feiras.
segunda-feira, 20 de agosto de 2012
Não registado
Este registo pode muito bem ter utilidade unicamente para mim próprio. Sendo feito, pode também denotar uma qualquer necessidade de expurgar uma ou outra coisa, ou de fazer o lugar do que tiver sido deixado por fazer.
Deixar coisas registadas, pode ser de uma complexidade insuspeita. As coisas, quando são encontradas, tendem a deixar-se ser lidas no estado em que se encontram, e pelo espírito em que são encontradas.
Pode haver, sendo levadas em conta estas considerações, outros motivos para o registo do que não fotografei. Em qualquer caso, o que importa agora é dizer que: - Registo o que não fotografei porque preciso de não esquecer os motivos que inevitavelmente me induzirão raciocínios que não deixarei de expressar.
- Confuso? Também para mim.
Então, as fotografias que (recentemente) não fiz, foram:
Uma belíssima jovem asiática lavada em lágrimas, no museu do Louvre, por se ter sentido perdida do grupo, por um lapso de tempo algo maior que o necessário para olhar em redor mais do que duas ou três vezes sem encontrar um rosto familiar; imaginei eu.
Um latagão na casa dos cinquenta, sentado no chão à chinês na Rue Halévy, de olhar ausente e desfocado, na companhia de uma lata vazia e de um pequeno papel que dizia – j’ai faim – senti que a qualquer momento aqueles olhos se poderiam voltar para a pobre lente da Olympus quase sem bateria.
Chãos cobertos de pontas de cigarros fumados até aos filtros, às portas de edifícios altos e aparentemente vazios, quais mares de pequenas rolhas usadas em minicontentores de vidro para sonhos repetitivos e obrigatórios.
Túneis de metro bafientos e com curvas apertadas, como os de verme.
Uma cigana que está sentada no Boulevard des Italiens, em frente do restaurante da Pizza Hut, e vai mudando as fraldas aos putos que o marido lhe traz à vez, depois de os ter ido levar a ver pessoas a comer nos restaurantes.
Foi isto, basicamente, e com o tempo dará os seus frutos.
terça-feira, 17 de julho de 2012
Anjos?
O bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, considera que o Governo liderado por Passos Coelho é “profundamente corrupto” e compara “alguns” ministros a “diabinhos negros”, por oposição aos “anjos” que integraram o anterior Executivo.
(notícia do dia)
| Anta de Lamoso - Paços de Ferreira |
Sempre que um governo PS é arrumado, invariavelmente por indecente e má figura, logo começa por parte da gente desse partido e dos seus interesses a lavagem do passado, a construção do esquecimento, o apontar do futuro e desmaterialização da memória recente.
A figura central da tragédia é removida para um altar distante dos olhos do povo e a partir daí qualquer referência que se lhe faça será rebatida pela ignomínia de se falar dos ausentes. As sequelas que invariavelmente são a fome, choro e ranger de dentes, imediatamente são atribuídas a quem estiver no momento aos comandos, não importa há quanto tempo. Todo um coro de partidários, comentaristas irmanados, independentes comprometidos e interesses instalados em objectivos que só eles conhecem, vêm falar para que nunca se esqueça, de todos os nomes daqueles que, não sendo socialistas alguma vez governaram, e aproveitam para entremear com citações de difusos erros cometidos em altura incerta. Enquanto lembram uns outros, lavam a imagem dos seus. Semeiam nos espaços deixados pelo esquecimento que induzem, os esporos de um incómodo que querem que o povo associe aos partidos da direita.
A figura do pântano é chamada para dizer o que querem evitar. Nessa altura, os sapatos de qualidade e bem engraxados já patinam no lodo que avança por todos os lados, uma humidade fétida já lhes trepa pelos fatos de corte excelente. O partido garante que ninguém olha para o chão, todos sabem para que servirá o lodo no momento seguinte
Ainda alguém se lembra de António Guterres? O homem bem-falante, de resposta rápida e assertiva, o “homem bom” que tudo deu sem olhar a quem; já ninguém fala dele! Os seus governos não são nunca referidos, o seu tempo foi contraído numa pequena e insuspeita virgula que se pode pôr aqui ou ali. O mesmo farão com Sócrates, que um dia voltado do exilio do padrinho (Soares), estará completamente desligado do seu tempo e será lembrado com saudades dos tempos menos maus face aos tempos que lhe sobrevieram.
Ao ver o governo, que lá está há pouco mais de um ano, já tão acossado e tão culpado e tão mal comparado aos que lhe antecederam, nem dá vontade de lhes bater o que merecem.
Ao ver essa improvável figura dita bispo das forças-armadas, sacramentar com os pútridos óleos da confusão, uma comparação entre estes e os anteriores, fica parva a minha alma mas não me tolda o espírito. Que diga que estes são corruptos, bem o pode fazer desde que explique porquê. Que para isso tenha necessidade de começar por fazer dos anteriores “uns anjos” já me parece que é um dos tais arregimentados para semear no sítio dos esquecimentos os implantes da mentira.
Para confrontar os que lá estão com as suas responsabilidades, ninguém deve ter necessidade de começar por lavar as culpas dos governos socialistas. Se o faz é porque tem interesses que não declara. Pode um homem da Igreja Católica trabalhar para o PS do aborto livre e subsidiado, para o PS do casamento de pessoas do mesmo sexo, para o PS da destruição da soberania do povo?
O povo anda confuso, e tem razões para isso. Com pastores destes é bem melhor que tresmalhe do que ser levado ao abismo pela certa.
(Isto sou sem paciência para papar sempre do mesmo)
quarta-feira, 11 de julho de 2012
Agora a sério
Para se ser trolha anda-se uns anos a carregar massa. Para se ser médico, tira-se uma média impossível, entra-se num curso cheio de competidores e percorre-se uma autêntica via-sacra. Para ocupar um lugar respeitável numa empresa anda-se anos a mostrar trabalho e resultados.
| Saída ao fundo |
Para se ser trolha anda-se uns anos a carregar massa. Para se ser médico, tira-se uma média impossível, entra-se num curso cheio de competidores e percorre-se uma autêntica via-sacra. Para ocupar um lugar respeitável numa empresa anda-se anos a mostrar trabalho e resultados.
Ao mesmo tempo, para se ser político basta querer muito, acreditar que se tem dotes inatos para gerir a vida dos outros, saber quais as botas que são de lamber, gostar de jogos palacianos e coisas assim apatetadas.
Temos na política pessoas boas, poucas, mas temos. Raramente são os que começaram pelas jotas, geralmente são pessoas convidadas para o clube para legitimar e justificar o aparelho.
Seja como for, as leis que nos regem são feitas por esse tipo de gente pelo que não há maneira de sair disto. É o que temos; é isto que temos de gerir, é o nosso tempo e a nossa vez, mais nada.
Quem deixa correr não tem que se espantar com o curso que as coisas tomam. Quem faz correr não pode ficar-se pelo impulso inicial, mas acompanhar a coisa na corrida. No fim de contas, é a vida.
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Para onde foi o dinheiro?
Estou a tomar café com a minha mulher na cafetaria do centro comercial, aqui da terra, no piso um.
O jovem casal que acaba de descer do piso de cima, da praça da alimentação (todas as outras lojas, que não o cinema, já fecharam) tomam café ao nosso lado, ele com um palito atrás da orelha, ela a palitar os dentes à descarada!
Pior, só se o palito fosse o mesmo. O que é que nos aconteceu?
Para onde foi o dinheiro?
terça-feira, 5 de junho de 2012
Portugal, Portugal
Ainda estava eu a ressacar da cobertura noticiosa da partida da selecção nacional para o EURO 2012, quando fui atingido por uma notícia mesmo no sítio onde me nasce o senso.
Ontem vi o autocarro da selecção a chegar ao aeroporto, um jornalista atarefado por arrancar mais umas palavrinhas salvíficas aos jogadores todos enfatuados, muito escarafunchosos nas suas cabecinhas contidas entre grandes headphones. Depois, vi o avião a descolar, e entretanto, o tanto que se disse… A palavra Portugal saía a cada dez segundos, entre “os nossos heróis”, Portugal, Portugal, e a bandeira plasmada em todos os suportes, em tantas caras, nas roupas, no avião alvo e penetrante a subir ao céu. Os noticiários abriram com a notícia de que “os nossos heróis” já tinham partido, já voavam, por aquela hora atravessavam pujantemente as alturas, Portugal lá ia, todos nós com o cinto posto enquanto não se apagarem os sinais de luz A repetição da descolagem e Portugal, Portugal, é Portugal, somos nós a dez mil metros de altitude, a novecentos e cinquenta à hora, a temperatura exterior é de menos oito e quando aterrarmos espera-nos a noite e tempo fresco, Portugal. Há um gajo com o microfone na mão – já lá está! Está à espera que o avião aterre; é Portugal a receber Portugal enquanto Portugal espera, e crê, e ama, e sofre Portugal.
Notícia de última hora, o avião vai aterrar. É de noite fechada mas um potente foco rasga tudo e cresce, cresce… Cresce Portugal, e aterra.
Ainda ressacava da noite mal dormida, da insónia povoada de pessoas com a cara desfigurada por vermelho e verde, de joelhos no chão molhado por lágrimas copiosas. Gritam e batem com as mãos no peito. Das bocas com os dentes por tratar sai Portugal, Portugal… É Portugal a rebentar os joelhos no asfalto, a rebentar o peito com sentimentos vendidos em kit no Continente, a rebentar a boca com refrigerantes gaseificados, açucarados, coloridos, é Portugal.
Ainda ressacava, e ouço que as brigadas da GNR e da polícia que mandam parar os carros, poderão ter a cooperação de um agente das finanças para reter as viaturas de quem tiver dívidas ao fisco. Ao mesmo Estado que nunca paga a horas e gasta à tripa-forra, sobra-lhe para pagar a quem nos trave a marcha, nos tire da estrada com um gesto resoluto e nos lembre do que fizemos de Portugal.
Ai Portugal, Portugal £#?%$'"@?????
Jorge Palma | Portugal, Portugal
quarta-feira, 16 de maio de 2012
Tubo de Ensaio (ou lá o que é...)
Num tubo de ensaio não cabe tanta mistela. Quando se quer algo onde se possa meter tudo e nada, para depois destilar os humores e os vapores da salgalhada, usa-se uma retorta. As retortas estão fora de uso, mas ainda é o mais indicado para tão triste alquimia.
Dei por mim a perguntar pelo meu direito de resposta, tanta vez o palhaço rico da TSF se me atravessa no “éter”, me corta o dia entrado de carrinho com os pitões em riste, bate e foge, sempre cheio de razão só porque lhe pagam pelo desplante.
Sirva então este espaço para deixar o desabafo.
Anda a TSF a pagar a um tipo para escrever umas coisas que depois são ditas por aquela triste figura do Bruno Nogueira, armado em parvo sem esforço nenhum porque lhe está na natureza! Os senhores que gerem a estação, gostam tanto, tanto, que até repetem aquele aglomerado de parvoíces várias vezes ao dia. Só muito recentemente passaram a repetir os “Sinais” do Fernando Alves da parte da tarde, mas o programa dito humorístico de João Quadros/Bruno Nogueira é repetido à saciedade desde sempre. Está clara a avaliação que estação de rádio faz do “nível” dos seus ouvintes, quando insiste na difusão de sarcasmo podre e sátira da mais reles, em detrimento da crónica e análise profunda em prosa poética.
Eu não sou o Papa, nem sou clérigo, não sou a Maddie (nem familiar), não sou anão, não sou um deus; sou católico e sou pessoa. Sei muito bem que o humor sempre gozou de grande impunidade, mas não tenho de reconhecer comicidade no que não passa de desfaçatez impune. A dupla de ditos humoristas recalcitra em parodiar figuras fáceis, e nelas inclui os católicos, os seus símbolos, as suas datas, os seus rituais etc. Ora, das grandes características atribuídas aos católicos, não me lembro de estar incluído o extremo e incondicional sentido de humor, nem a espampanante e libertina autocrítica. Não sendo dito nada sobre a linha que o humor não deve pisar, quem dirá depois alguma coisa sobre o que distingue humorismo de agressão?
Vamos ter juizinho?
terça-feira, 17 de abril de 2012
Movimento Perpétuo
O rapa jogava-se a pinhões por alturas do Natal, geralmente ao serão, com uma braseira por perto e o cão aos pés.
O pequeno pião manufacturado na oficina do bisavô, terá sido obra de um dos tios mais novos, a explorar a habilidade das pequenas mãos nas pesadas máquinas movidas pelo veio comum que girava continuamente, de uma ponta à outra da oficina. Desse veio provido de polias de diferentes tamanhos, pendiam correias de couro em diferentes estados de desgaste; umas escuras e brilhantes a denunciar as tensões e os atritos suportados, outras ainda com o pelo e com a cor do animal. A polia maior estava na vertical do esmeril – um eixo apoiado em duas grandes chumaceiras com uma pedra de cada lado, uma fina e outra mais grossa. Sobre o torno, a grande e larga roda de quatro raios, presa ao veio por dois parafusos, um de cabeça quadrada e outro de cabeça sextavada, brilhava polida em toda a excepcional largura, que havia de dar para qualquer das três polias – logo três velocidades – que o torno tinha.
Imagino todos esses movimentos transmitidos ao pequeno cilindro de latão, a deixar-se burilar, fortemente mordido pelas maxilas da enorme bucha, feita para agarrar desde a fina vareta ao grosso toro de metal.
Quando faço girar o pequeno pião revejo no movimento o acto que o criou, é como se estivesse a devolver a vida ao longo e velho veio primordial, que tudo movia, que tudo deu, impelido numa ponta, e disponível a todo o comprimento.
Não foi feito todo de uma vez, com toda a certeza. O bocadinho de metal foi sendo desgastado e acrescentado de cada uma das suas feições em muitos episódios, em tempos roubados à montagem de um pulverizador, à soldadura do corpo interno de um autoclave de esterilização, ao polimento de um passador…, entre os quais ficava a aguardar atenções juntamente com os finos bicos dos aspersores, irmãos nos cuidados requeridos.
Foi feito girar para aferir o equilíbrio e, para concluir, foram-lhe gravadas as letras R, T, D, P. Logo de seguida rodopiou, pela primeira vez inteiro e completo, até que se horizontalizou, imobilizou e disse:
– Deixa!
Tenho ainda um outro pião que encontrei eu, muitos anos depois de ter sido torneado e fresado, displicentemente adormecido entre bicos de aspersor, num pequeno tabuleiro de madeira, tudo coberto por limalha fina, fuligem do forno de fundição arrefecido há décadas, e pó. Esse pião não rodopia. Dado o impulso próprio, capota desordenado imobilizando-se rapidamente sobre um dos lados que nem sei se é sempre o mesmo ou não. Ele não possui letras gravadas, nem chega a ser um pião – não rodopia – mas também não engana! Dizer que é um pião, é transliterar do passado longínquo a linguagem arranhada pela fuligem do coque, diluída no crepitar do fogo e estalidos de choque térmico, para a vontade de falar sobre o que incorporo do movimento daquele veio e do equilíbrio do meu rapa.
Para ficar a saber tudo sobre o jogo do rapa, aquil
domingo, 8 de abril de 2012
Páscoa de Jesus
Lua cheia.
É a primeira lua cheia da Primavera – a Páscoa.
A potência ocupante está por todo o lado. Cobra os impostos e mantém a ordem, admite as tradições locais e organiza os jogos.
- Jesus ou Barrabás?
A resposta é sempre a mesma, querem o Barrabás, que é afoito, que se entende, que é um dos nossos...
– Queremos o leite, o mel, e os jogos. Queremos vinho, que pode ser transmutado da água (parece que ainda é melhor) e pedras! Queremos atirar pedras. Temos os nossos direitos e pagamos os nossos impostos. Crucifiquem-no…
quarta-feira, 14 de março de 2012
A fórmula de José R. dos Santos
Terça Feira, 13 de Março (ontem), Telejornal - 20h (RTP portanto)
Ao minuto 29:34’’ aparece o José Rodrigues dos Santos muito assarapantado, com a caneta na mão direita, e diz em tom exclamativo:
- O bispo de Beja apresentou a solução para a seca – Rezem. O bispo afirma ser importante pedir chuva a Deus!
Depois seguiu-se uma reportagem com palavras do próprio bispo, sons dos cânticos religiosos dos crentes em novena e imagens dos terrenos ressequidos.
(Não vale a pena clicar na imagem, o link está abaixo, a vermelho no texto)
Mudei de canal para não ter de ver mais uma vez o pivô despedir-se com um piscar de olho; é confrangedor!
Confesso que fiquei de candeias às avessas com o JRS depois de ter lido “A Fórmula de Deus” - 574 páginas nada baratas que me conduziram, com o aproximar da última, à mais profunda sensação de ter sido enganado.
Até aquela altura, já tinha lido muitos livros do Isaac Asimov, do Stanislaw Lem, do Carl Sagan, do Bryan W. Aldiss, do Fred Hoyle, do George Orwell, do Ray Bradbury, do Robert Silverberg e de tantos outros. Estava portanto preparado para tudo, mesmo tudo, o que da ficção científica pudesse vir, e da ficção científica pode vir tudo.
Na sobrecapa do meu exemplar do “A Fórmula de Deus” – Gradiva – um texto de apresentação diz assim:
“… da mais importante descoberta jamais efectuada por Albert Einstein, um achado que o conduz ao maior de todos os mistérios.
A prova científica da existência de Deus.
Uma história de amor, uma intriga de traição, uma perseguição implacável, uma busca espiritual que nos leva à mais espantosa revelação mística de todos os tempos.
… “
Ao longo das 574 páginas fui ficando convencido que tinha caído na fórmula Dan Brown, o que já seria deveras trágico. As últimas páginas já as li desassombrado; completamente consciente que tinha perdido dinheiro, gasto inutilmente o meu tempo, e pior que isso, tinha contribuído para a construção de uma fraude literária.
Explicada a minha antipatia pelo JRS, relembro o Telejornal de ontem (podem ver aqui) e continuo sem saber se aquilo foi sarcasmo para os crentes ou descoberta da pólvora – a Igreja Católica incita à oração – mas penso que JRS não devia trabalhar na RTP.
JMP
sexta-feira, 2 de março de 2012
Nova Idade da pedra
A “Idade da Pedra” não acabou por falta de pedra, acabou porque se iniciou outra com o advento da tecnologia dos metais. Assim a idade do petróleo não terminará pela falta de petróleo, o que em todo o caso ajudará muito. Iremos usar intensivamente o petróleo, bem para lá do que o bom senso aconselha. Quando a quantidade remanescente (do que é tecnicamente passível de ser extraído) deixar de ter um preço compatível com o uso generalizado, passará a ser utilizado nas aplicações que não tendo encontrado alternativas comercialmente viáveis, gerarem apesar do alto preço algum interesse, como seja a aviação. Nessa altura a humanidade encetará o consumo em grande escala de outro ou outros recursos, também eles escassos com certeza, e com danos ambientais associados, pois.
A “Idade do Petróleo” está a dar a vez a uma outra que poderá vir a chamar-se a da “Energia Eléctrica Acumulada”, ou “Idade das Pilhas”, ou outra coisa que nem imagino.
A fase de transição já foi iniciada e, em parte, os problemas visíveis das principais economias devem-se a isso. Estamos a deixar de poder usar a superdesenvolvida tecnologia do petróleo-sem-restrições, e ainda não dominamos bem uma outra tecnologia que a substitua. Obtemos por isso menos rendimento por cada unidade de recurso gasto e isso repercute-se nas nossas carteiras.
As novas potências emergentes terão que emergir de águas turvas para uma atmosfera pesada. O percurso feito ao longo do Séc. XX pelos EUA, pela velha Europa e pelo Japão é irrepetível; foram abertas gavetas que deveriam ter permanecido fechadas, escancaradas portas e emparedadas outras, rasgou-se caminhos por todo o lado e criou-se zonas onde jamais alguém quererá ir, foram extintas espécies, encheu-se de sucata a órbita terrestre, delapidaram-se recursos herdados da fundação da galáxia, etc.
O mundo não acaba aqui, mas que estamos a assistir ao fim do mundo tal como o conhecemos, estamos! Perdida a inocência, está perdida a possibilidade de se voltar a ter a sensação do acto em que se perdeu a dita. Isto está muito bem descrito na Bíblia, outra coisa que não poderá voltar a ser feita – foi Escrita, pronto.
A história dá-nos informações muito detalhadas sobre um período de vários milhares de anos, alguma coisa havemos de aproveitar disso. Querer recuperar as décadas passadas é uma pura ilusão, assim como, imaginar esses tempos a serem vividos a partir de agora, na África, na Ásia, na América do sul, na China ou na Rússia, só por ingenuidade.
O que eu vejo nos círculos mais próximos é uma humanidade que desbaratou recursos, estragou o ambiente, abandonou a religião, e que quer voltar aos tempos em que se dedicou a isso tudo. Deus tenha piedade.
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