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domingo, 10 de março de 2013

Acordo Ortográfico?


Triste acordo, que o não é!

Lembro a mensagem que aqui postei no dia 28 de Fevereiro, em que trouxe o livro de Teilhard de Chardin “O Fenómeno Humano”, para trazer à liça uma lacónica nota dos tradutores, impressa numa daquelas folhas para lá do índice, páginas já sem numeração, a que ainda se segue uma outra que diz – Esta obra acabou de se imprimir na Imprensa Portuguesa, no Porto, em Janeiro de 1970.
Eis a tal nota:
Esta pérola convém ser levada em conta, quanto mais não seja para se juntar ao facto de o Brasil nunca ter aplicado os anteriores acordos ortográficos, nem o de 1931 nem o de 1945, e lembrar que há muito mais a separar-nos além da ortografia. No caso da nota dos tradutores de “O Fenómeno Humano”, se não tive dificuldade alguma com “verisímel” e “inverisímel”, já com “evolver” mais facilmente teria entendido outra coisa diferente de evoluir!
Lembro-me de uma vez, a consultar o manual de um aparelho de espectrofotometria, tradução do inglês para português do Brasil, ter tido dúvidas sobre uma referência a “… diferir 45º do normal”; no original o que estava escrito era “… diferir 45º da normal”. Naquele caso, tive a oportunidade de me deparar com dificuldades provenientes de uma tradução incompetente, mas principalmente, provenientes de liberdades e imprecisões linguísticas incompatíveis com o texto técnico. Ainda hoje, quando o que está em causa são livros técnicos e posso escolher entre uma tradução para espanhol e uma para português do Brasil, escolho o espanhol.
Entendo que na defesa do Português como uma língua de referência no mundo, se tente evitar que dela divirjam padrões, a ponto de se ter que considerar línguas diferentes. Mas também sei, que a opção de agir politicamente sobre os padrões, sendo que se trata da ortografia, é a forma mais fácil mas mais falível de tentar atingir os intentos. Corresponde a, no intuito de reduzir politicamente as diferenças entre ricos e pobres, declarar como pertencentes à classe média todos aqueles que vão do salário mínimo até aos que conseguem gastar em vida todas as suas posses. O problema, se se quiser considerar problema, de o Português ter variantes, aparece logo de região para região, do continente para as ilhas e de ilha para ilha. As diferenças na grafia de determinadas palavras, não serão com toda a certeza mais importantes do que a fria constatação de se ver grafadas uma série de palavras das quais não se entende o significado.
Quem estiver familiarizado com a escrita em imprensa do início do Séc. XX, saberá a variabilidade que caracterizava a escrita da nossa língua por esses tempos. A estabilidade reconhecida na escrita do Português, antes da entrada em vigor do (dito acordo) ortográfico de 1990, tinha um valor imenso, do qual comecei desde logo a ter saudades, por ter a certeza que seria o primeiro a sofrer consequências.
Em Angola já se diz que se Portugal não defende a própria língua, a defendem eles. O Brasil, a quem se dirigia esta portuguesíssima vontade de agradar, adiou para as calendas gregas a aplicação do que por cá se continua a chamar “acordo”! Deparo-me com escritas como a da carta a mim endereçada pela Administração Regional de Saúde do Norte (por motivo de actualização da lista de utentes), onde é visível a vontade de obedecer ao AO, mas faz conviver na mesma página as palavras: contacto, contatar e contato. A ler a mesma carta soou-me mal a forma como li: receção, ativa, atualizar, e outras.
Por mim, até preferia continuar a escrever “sciencia” e “pharmácia”, do que me ver nesta situação, sem ter a quem pedir contas; os que fazem disto, ou fogem, ou escondem-se atrás “da festa que foi”. Continuarei a escrever como sempre escrevi.
Se é por questões de simplificação, esqueçam. Não me mexam na escrita das palavras, nem no som dos instrumentos musicais, muito menos queiram tocar na minha inteligência.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Estado da Nação

1948



 

                                                                                                                ... 57 Pág.


 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Carne Picada


Cartoon da Revista VISÃO - Para uma Nova Banda Desenhada Portuguesa
N.º 2 - 15 de Abril de 1975
Assinado por Victor Mesquita



(Confesso que dei por mim a pensar que se trata de um cartoon claramente datado. Desenhado há meia dúzia  de anos, representações vagamente femininas estariam em número aproximadamente igual ao de masculinas, desenhado nos dias que  correm haveria obrigatoriamente um ou outro cavalo entre as pessoas...)

 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Miguel Relvas


Miguel Relvas é um homem odiado!
O que vem a seguir é para pôr na minha conta, por favor:
          - No que toca a Relvas, nem é um problema de auto-estima; o que se passa, é que uma parte dos portugueses, quando se olha ao espelho, ou não gosta, ou não se lembra, ou não compreende o que vê.
          No início dos nossos tempos, um Homem, que nasceu, e morreu porque, e por quê, e como quis, protagonizou uma cena onde teve a oportunidade de mandar atirar a primeira pedra, a quem atirava pedras por muito menos e “seria abençoado por isso”.
          Temos um problema na memória, no espelho, na auto-estima, na cara, na educação, na herança, na identificação dos problemas, no tempo de a fazer, nas pedras que agarramos, nos alvos que escolhemos; temos um problema com os espelhos partidos – dá azar!

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

FORMAT C:



          Mais-valia foi o termo a que Karl Marx deitou mão quando teve que dar um nome e relevância à diferença que encontrou entre o valor do que os trabalhadores produziam e aquilo que lhes era pago. Esta explicação pode não estar completamente fiel, não está com toda a certeza completa, mas é certo que “Mais-Valia” se refere a uma coisa da esfera do lucro, tanto mais que todo o contexto em que nasce é o de “O Capital”, uma série de livros de Marx, onde discorre sobre o Capitalismo.
          Não é fácil, agora, identificar o momento ou as condições em que a expressão saltou literalmente para a rua e passou a ser usada fora do contexto natural. Tenho motivos para dizer que foi por meados do segundo governo de António Guterres, ano 2000, portanto. Por alturas do seu primeiro governo já uma outra expressão tinha sido incubada e dada “à saciedade” para uso indiscriminado; consistia em adjectivar tudo de “sustentado”, tomar todas as decisões de forma “sustentada” e fazer tudo “sustentadamente”. Maria de Belém Roseira, ao tempo ministra da saúde e depois “para a igualdade” (vemos hoje o sustento que o ministério teve) era dos que mais acarinhava e difundia os “sustentos” e deve ter sido, em todos os tempos, quem mais falou em coisas sustentadas. A coisa fez época, e passou.
           Usei acima a expressão “à saciedade”, ela própria também teve a sua época, que situo em torno de 2002 – governo de Durão Barroso. Talvez devido às farturas distribuídas, sem qualquer sustentabilidade e com vista a uma igualdade que se tinha querido impor pelos governos anteriores, a expressão “à saciedade” de que Paulo Portas muito gostava, foi usada a fazer jus a ela própria, e desapareceu praticamente com o contexto político que a difundiu. Viriam a seguir os governos de Sócrates (de má memória e feliz afastamento), com ele veio o “ao invés” e muito português maltratado (deixo o sentido à escolha).
          De trás de todas estas, dos anos 90, veio o “ir ao terreno/ estar no terreno/ conhecer o terreno”, hoje já usada com maior propriedade!
          Voltando à “mais-valia”, em franco progresso, mesmo em tempo de todas as contenções, é usada e abusada e tida em muito boa conta, apesar da pejorativa nascença. Assim, um bom elemento é uma mais-valia, um benefício é uma mais-valia, uma beneficiação também, uma dádiva é uma mais-valia, a sorte também o é… enfim, mais valia que estivessem calados!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Iterações em distanciamento!


          Isto de acabar uma conversa ao telefone, tem sofrido uma grande evolução. As frases com sentido têm sido preteridas em favor de palavras repetidas e gralhar decrescente, a lembrar o efeito de afastamento progressivo.
          Se antigamente se terminava  um telefonema com um com licença, gosto em ouvi-lo, bom fim-de-semana,  obrigado pelo telefonema, até amanhã, um beijo, abraço, cumprimentos à titi (quando a conversa era com a prima), etc., passou a terminar-se o mesmo telefonema com tchau  tchau tchau, tchau tchau, ou, beijo beijo beijo tchau tchau, beijo…, ou, até amanhã até amanhã até amanhã até amanhã…, ou, beijinho linda tchau tchau beijiiiinho beijiiiiinho, quando a conversa era com a prima..
          Acontece-me, de longe a longe, voltar a levantar o auscultador depois de ter terminado uma conversa, e ainda lá estar uma palavra a repetir-se! Pouso o auscultador com muito cuidado ou desligo primeiro com a preciosa ajuda do cauteloso indicador.
          Passei com o olhar pelo meu telefone; assaltou-me a dúvida do que ouviria se o levasse ao ouvido, com quem tinha falado da última vez… Pacificou-me a memória do sinal contínuo - tuuuuuuuuuuuuuuuu...

JMP

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quantos são?



… não passou para sete, não passou para oito, não não, também não passou para nove; nem para nove nem para dez! Também não passou para onze.
Está em doooooozeeee!
Está em doze meus senhores, são dooooozeee e são o-bri-ga-tóóó-rios; é pró menino e prá menina, são dozeeeeee, é obrigatório…
... não os tem? Oh meu senhor, que idade tem? … vamos-lhe arranjar qualquer coisinha… cheguem à frente, quem manda pode, e diz que são doze!
Se não tem os doze, não vai poder receber aquele subsídio que foi cortado a semana passada, e como é que vai arranjar emprego?
Como é que vai arranjar emprego?

Assim como assim é sempre bom saber ler, e escrever qualquer coisita.
Ao fim dos doze, estão uns homens, e umas mulheres!
...


 

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Besouros, e coisas assim


           Ontem, enquanto via as imagens do que se passava em frente do parlamento, até a mim me doeu! Uma linha de polícias fazia barreira nas escadas, evitando que uma turba as subisse, enquanto aguentava os impactos de pedras da calçada e todo o tipo de objectos arremessáveis que iam pejando os degraus a seus pés. Lembrei-me do efeito que tem o impacto de um pequeno besouro na viseira de um capacete. Quando se passeia de mota, mesmo a velocidades baixas como sejam uns cinquenta ou sessenta à hora, qualquer choque de um pequeno “voador”, no capacete ou na viseira, provoca um estalo assustador; isto quando estamos com sorte, porque se o impacto se dá no rosto ou no pescoço, até se vê estrelas!
          Hoje, no fim da intervenção que o presidente da república fez na conferência da COTEC, “Mar de Negócios”, foi abordado por uma quantidade de jornalistas, todos na ânsia de o fazer falar, ligados às redacções por fios e feixes de ondas, sem capacete, sem tempo e sem uma data de coisas, boa parte deles, que se as tivessem até seriam bons jornalistas, o bom senso por ex.
          Por um momento, veio-me à ideia a cena de Caco Silva num aperto de campanha eleitoral, empunhando o microfone que um jornalista lhe havia franqueado, esgueirando-se por baixo das mesas de um café e a relatar o que fazia, na terceira pessoa. Por outro momento, tive a esperança de que quando lhe perguntaram se não achava que a polícia tinha agido (ontem em S. Bento) com excesso de força, ele retorquisse:
          - A senhora nunca andou de mota?

          Estou confiante que isto vai melhorar, mas tenho a certeza que para que isso aconteça, será preciso que um certo discurso, de uma certa esquerda, parvo, libertinário, desconexo, etc., seja deixado de vez. Quando os escaravelhos forem tratados como escaravelhos, as pedras como pedras e as pessoas como pessoas, isto vai melhorar.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Europa ISO


Já escrevi este texto várias vezes e de diferentes formas. Tem resultado invariavelmente num desabafo, incluído sempre palavras duras e grosseiras, longo, longo demais, desfocado e denunciador de um espírito humilhado, ofendido, em grito de socorro ou de vingança. Lido no fim da escrita corrida e compulsiva, vejo-me exposto, revejo-me num dos meus piores ângulos, não gosto, e enjeito-o.
            Hoje tento mais uma vez. Alinhei como que um guião, em que me vejo a mim próprio a falar – não posso ser longo, devo refrear a ira, manter a compostura, e essencialmente, ser conciso.
            Quero dizer que a responsabilidade pelo estado miserável em que se encontra a maior parte da Europa, é de quem se arroga, há muitos anos, da sua condução. Refiro-me à comissão europeia e ao parlamento europeu. Acresce, que as instituições referidas, são dotadas dos meios que entendem como suficientes, têm sido depositárias da confiança cega dos governantes dos diversos países, têm largos meios de coacção sobre os membros e têm capacidade de determinação sobre os mais ínfimos pormenores que condicionam as decisões das pessoas e das empresas.
            Neste novo mundo, dos oficiais do ministério da economia substituídos por polícias de cara tapada e armados até aos dentes, dos programas de gestão de recursos empresarias (vulgo ERP) certificados, do cruzamento de dados informáticos, do fim do sigilo bancário, das escutas telefónicas generalizadas, dos observatórios para tudo e para nada, dos institutos de estatística a quem o fornecimento de dados é obrigatório, etc., sabemos pelo menos, triste consolo, a quem apontar o dedo.
            Na fúria do controlo absoluto, a standardização, que no velho mundo foi tão construtiva, neste novo mundo europeu, passou a ser um dos instrumentos mais violentos de “escuta” e vigilância, e dos piores meios de controlo policial dos agentes económicos. A certificação da qualidade, nas pequenas e médias empresas, passou a ser, por um lado, uma enorme intrusão nas melhores atenções dos principais recursos humanos, por outro, um esvair insanável de recursos, e por outro ainda, criadora de imensos postos de trabalho não produtivos – os alimentadores do sistema – e de toda uma leva de profissões adstritas ao circo, mas economicamente insustentáveis.
            Já trabalhei numa empresa familiar de administração clássica (autofinanciada), que não subsistiu à concorrência com as outras que se financiaram na banca e absorveram apoios comunitários – o acesso aos apoios comunitários dependia de processos encriptados, incluía o agigantamento dos projectos e sobrevalorização dos equipamentos, incompatíveis com empresas sérias.
            Já trabalhei numa empresa certificada (ISO 9001) que viu o Infarmed retirar-lhe o certificado CE de produção e colocação no mercado de dispositivos médicos e dar-lhe ordem de recolher tudo – tudo – o que estava no mercado (o que provocou a falência fulminante), na mesma semana – mesma semana - em que obteve a renovação da certificação da qualidade (?).
            Já trabalhei numa empresa de comércio de dispositivos médicos, certificada ISO 9001, que não tinha antes de mim, ninguém que soubesse o que era o Infarmed. O Infarmed também não sabia que a empresa existia (ou sempre se comportou como tal).
            Já trabalhei numa empresa de mobiliário com uma implantação oficinal e sem um organograma definido, com uma parte da mercadoria facturada e outra (sem embalagem), com os salários pagos em cheque da empresa mais um envelope, que estava a implantar um sistema ERP completo e em processo de certificação!
Sempre que escrevo a palavra ISO no meu computador, ele corrige-me automaticamente para ISSO. Já poderia ter corrigido esse comportamento sobranceiro e incómodo da máquina, mas mantenho-lhe esse traço de personalidade. Passei a admitir naturalmente, que esta máquina desenvolveu capacidades emergentes de inteligência artificial, não desdenho totalmente dos desígnios do acaso, assim, continuo a permitir-lhe certas liberdades.
           Porque “Internacional Organisation for Standardization” dava origem a diferentes acrónimos nas diferentes línguas, foi decidido usarem a sigla ISO, que deriva do grego “isos” e significa “igual”.
Por estes dias, permite-se a venda de produtos alimentares fora do prazo de validade, a preço mais baixo, e ISSO passa-se na Grécia. Isso, e o mais que está para vir. É por isso que quando digito ISO e o meu computador me corrige para ISSO, eu leio – é isso, é isso – andamos todos a ter de deixar “evidências” do que registamos, de forma imposta, em inumeráveis documentos internos de registo, e o que temos à evidência é esta miséria. A esta Europa premiada, gostava eu de dizer – que descanse em paz!  

JMP

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Pão para o fogo



Transcrição da legenda:
  Aumentar  o preço do pão é agitar uma sociedade, é activar labaredas. O pão atirado assim para o forno da miséria é o peor dos explosivos

Da Revista ABC, Agosto de 1922 (A imagem com a respectiva legenda aparece sem qualquer texto ou outro enquadramento)

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Dia Perdido!


Outro dia perdido, na casa da democracia.
Não foi para isto que aquela casa foi feita.
Não foi para espelhar a rua, não foi para inseminar as mentalidades fracas com ideias fortes e falsas. Não foi para exprimir simplesmente as constatações mais óbvias. Não foi para esgrimir indignações como se argumentos fossem.
Pelas palavras, tudo se pode: dignificar o insano e denegrir o inocente, mostrar a mais cristalina sensibilidade do criminoso e a lascívia do casto.
Pelas palavras tudo se pode, mas não será por elas que se semeia o trigo, ou se dessedenta o caído, ou se paga dívidas.
Hoje ouvi um homem a explicar o óbvio, e a seguir, o comentarista de serviço comentou o trecho como brilhante!
As palavras valem o que valem.
As palavras nunca valeram tão pouco.


(Hoje foram apresentadas e votadas na assembleia da república, duas moções de censura ao governo, por iniciativa dos dois partidos, que se mandassem, não haveria democracia)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Serviço internet


O que se encontra dentro dos livros!

            Fez-me muito bem reencontrar este pequeno documento.
            É uma “Venda a Dinheiro” relativa ao serviço pela internet da BERTRAND, LIVREIROS. Está expressa em escudos, moeda à beira do desaparecimento naquela data – 27 de Abril de 2001. Reporta-se a tempos em que a data de 11 de Setembro ainda não representava nada de especial. É um documento pequeno, de fácil leitura, e apesar de se referir a uma venda feita pela internet é manuscrito.
            Lembra tempos bons em que não se questionava o lugar das pessoas.
            Exprime o necessário e o suficiente.
            Não clama por um arquivamento nem pela guarda ao arquivo e não quer ser mais importante do que o livro a que se refere.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Anjos?


O bispo das Forças Armadas, D. Januário Torgal Ferreira, considera que o Governo liderado por Passos Coelho é “profundamente corrupto” e compara “alguns” ministros a “diabinhos negros”, por oposição aos “anjos” que integraram o anterior Executivo.
(notícia do dia)


Anta de Lamoso - Paços de Ferreira


              Sempre que um governo PS é arrumado, invariavelmente por indecente e má figura, logo começa por parte da gente desse partido e dos seus interesses a lavagem do passado, a construção do esquecimento, o apontar do futuro e desmaterialização da memória recente.
A figura central da tragédia é removida para um altar distante dos olhos do povo e a partir daí qualquer referência que se lhe faça será rebatida pela ignomínia de se falar dos ausentes. As sequelas que invariavelmente são a fome, choro e ranger de dentes, imediatamente são atribuídas a quem estiver no momento aos comandos, não importa há quanto tempo. Todo um coro de partidários, comentaristas irmanados, independentes comprometidos e interesses instalados em objectivos que só eles conhecem, vêm falar para que nunca se esqueça, de todos os nomes daqueles que, não sendo socialistas alguma vez governaram, e aproveitam para entremear com citações de difusos erros cometidos em altura incerta. Enquanto lembram uns outros, lavam a imagem dos seus. Semeiam nos espaços deixados pelo esquecimento que induzem, os esporos de um incómodo que querem que o povo associe aos partidos da direita.
A figura do pântano é chamada para dizer o que querem evitar. Nessa altura, os sapatos de qualidade e bem engraxados já patinam no lodo que avança por todos os lados, uma humidade fétida já lhes trepa pelos fatos de corte excelente. O partido garante que ninguém olha para o chão, todos sabem para que servirá o lodo no momento seguinte
Ainda alguém se lembra de António Guterres? O homem bem-falante, de resposta rápida e assertiva, o “homem bom” que tudo deu sem olhar a quem; já ninguém fala dele! Os seus governos não são nunca referidos, o seu tempo foi contraído numa pequena e insuspeita virgula que se pode pôr aqui ou ali. O mesmo farão com Sócrates, que um dia voltado do exilio do padrinho (Soares), estará completamente desligado do seu tempo e será lembrado com saudades dos tempos menos maus face aos tempos que lhe sobrevieram.
Ao ver o governo, que lá está há pouco mais de um ano, já tão acossado e tão culpado e tão mal comparado aos que lhe antecederam, nem dá vontade de lhes bater o que merecem.
Ao ver essa improvável figura dita bispo das forças-armadas, sacramentar com os pútridos óleos da confusão, uma comparação entre estes e os anteriores, fica parva a minha alma mas não me tolda o espírito. Que diga que estes são corruptos, bem o pode fazer desde que explique porquê. Que para isso tenha necessidade de começar por fazer dos anteriores “uns anjos” já me parece que é um dos tais arregimentados para semear no sítio dos esquecimentos os implantes da mentira.
Para confrontar os que lá estão com as suas responsabilidades, ninguém deve ter necessidade de começar por lavar as culpas dos governos socialistas. Se o faz é porque tem interesses que não declara. Pode um homem da Igreja Católica trabalhar para o PS do aborto livre e subsidiado, para o PS do casamento de pessoas do mesmo sexo, para o PS da destruição da soberania do povo?
O povo anda confuso, e tem razões para isso. Com pastores destes é bem melhor que tresmalhe do que ser levado ao abismo pela certa.

(Isto sou sem paciência para papar sempre do mesmo)

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Agora a sério


Saída ao fundo
              
           Para se ser trolha anda-se uns anos a carregar massa. Para se ser médico, tira-se uma média impossível, entra-se num curso cheio de competidores e percorre-se uma autêntica via-sacra. Para ocupar um lugar respeitável numa empresa anda-se anos a mostrar trabalho e resultados.
Ao mesmo tempo, para se ser político basta querer muito, acreditar que se tem dotes inatos para gerir a vida dos outros, saber quais as botas que são de lamber, gostar de jogos palacianos e coisas assim apatetadas.
Temos na política pessoas boas, poucas, mas temos. Raramente são os que começaram pelas jotas, geralmente são pessoas convidadas para o clube para legitimar e justificar o aparelho.
Seja como for, as leis que nos regem são feitas por esse tipo de gente pelo que não há maneira de sair disto. É o que temos; é isto que temos de gerir, é o nosso tempo e a nossa vez, mais nada.
Quem deixa correr não tem que se espantar com o curso que as coisas tomam. Quem faz correr não pode ficar-se pelo impulso inicial, mas acompanhar a coisa na corrida. No fim de contas, é a vida.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Moral


NOÇÕES DE MORAL
Livro do ensino primário de Florentino Borges (Prof. Primário)
Livraria Fernandes – 1912
Preço de capa: 120 Réis

...
A Consciência e a educação
A consciência sem a educação é como a terra sem agricultura. É necessário educar a consciência afim de a esclarecer e guiar. – É essa a missão da moral.
A moral cultiva a consciência, como o lavrador cultiva e fecunda a terra. É ela que nos ensina a distinguir claramente os nossos deveres.
            Neste sentido a moral carece dos bons exemplos de nossos pais, de nossos irmãos, de todos os nossos semelhantes.
            ...
            Chegado aqui, e agora sou eu (jmp) a falar, fui confrontado com a dúvida se os parlamentares e membros do governo poderão ser considerados nossos semelhantes. São, não são - são, não são, não são nada! E não sendo está tudo bem...





segunda-feira, 2 de julho de 2012

Pele Trigueira


O recorte de jornal que trago hoje é dos inícios do Séc. XX. Reproduzo-o pela informação implícita sobre a evolução das preocupações da humanidade.
Sobre a informação objectiva que o papelinho contém, mantenho respeitosas reservas. Em todo o caso, desaconselho vivamente a experiência.
Para os dias de calor que todos esperamos, não esquecer a roupinha adequada, os óculos de sol, chapéu de abas largas, e beber muita água.


O que se encontra dentro dos livros!


domingo, 24 de junho de 2012

Urgências


                
                    - Como prefere, em 3 ou em 5 dias?
                    - “#$%5&
                    - Pode falar comigo, então
                    - #»?#*ª**ª
                    - Vai ficar um pouco mais caro, mas compensa
                    - =;&$$#?
                    - Não precisa vir cá, não
                    - #$!*+``»%$?
                    - Paga já, o resultado é garantido