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segunda-feira, 4 de março de 2013

Chico Redondo




Chico Redondo
Fotografia da revista ABC n.º 87 – 9 de Março de 1922
A criança é quem viria a ser conhecido por Chico Redondo - D. Francisco de Sousa Coutinho (1866 - 1924)
Esta revista manteve um acompanhamento constante da vida e obra de Chico Redondo desde a data do artigo donde extraí a foto, até à sua morte.
Mais sobre Chico Redondo aqui

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O Estado da Nação

1948



 

                                                                                                                ... 57 Pág.


 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Irene Grave

 


A fotografia é da revista ABC, Novembro de 1922.
Irene Grave aparece mencionada como actriz do Eden-Teatro – a falta da acentuação no “Éden” é para respeitar a escrita da altura.
Na rubrica “teatros”, a ABC noticia que o teatro do género cine-policial está em voga e que se foi anichar no Eden, sendo a peça nacional “O tratado secreto” a terceira a representar-se naquela sala de Lisboa. A peça era de autoria de Adolfo Coelho, João Fonseca e Jorge Serio, este último, marido de Irene que representava uma “graciosa «miss» Mary”.
Encontro o nome de Irene Grave no papel de Teresa de Albuquerque, no filme “Amor de Perdição” de 1921, do realizador francês George Pallu (4/12/1869 – 01/09/1948). É claro que estamos a falar da obra de Camilo Castelo Branco.
É tudo o que encontro sobre Irene; habita agora outras esferas.
 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Auzenda de Oliveira

"Miss Issipi"

Em artigo de crítica de espectáculos da Revista ABC, 2/11/1922 
 
 
     ... chamando a atenção para o seu trabalho na «Miss Issipi», fazer notar a escassa homenagem que aos méritos desta actriz se presta, escorando-lhe simplesmente o nome com puídos adjectivos, sem a referência devida ao esforço inteligente, que ela põe no desempenho dos papéis que lhe confiam. Decerto Auzenda é, como o lugar-comum afirma, «esbelta», «desenvolta», «graciosa», mas mais do que isto e além disto ela é uma artista meticulosa nos seus processos, criando no ambiente um pouco folgado das operetas figuras que vivem e sentem, representando, enfim.
     ...
 

Nasceu na Pocariça em 20 de Março de 1888
Faleceu em 16/08/1960
 
Mais sobre Auzenda de Oliveira aqui


quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Negativos!



     Saqueta de negativos 6x9cm de meados do Séc. XX.
     Os negativos eram entregues ao cliente juntamente com as fotografias. Geralmente eram guardados e não voltavam a ser vistos, mas a necessidade de replicar fotos para oferecer, por ex., fazia com que voltassem ao laboratório para serem projectados sobre papel sensível, em câmara escura, dando origem a novas fotografias. A passagem de negativo a positivo é em si um processo fotográfico, onde se pode refazer o enquadramento, dar mais ou menos exposição, usar papel brilhante ou mate, com mais ou menos grão, etc.
      Pelo actual processo de fotografia digital, as fotografias antes de impressas em papel, residem num suporte de dados. A maior parte das pessoas não tem, nem entre as suas mais leves preocupações, a conservação dos ficheiros informáticos. Apesar de nunca ter sido tão fácil fotografar como na actualidade, em que qualquer telemóvel tem uma câmara fotográfica, é possível que uma grande parte das fotografias que se fazem, não perdurem por mais de meia dúzia de anos; é pena!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Na estação de Novelas



          É uma daquelas fotos que anda no álbum de família, mas que, de família, só teve quem estava por trás da lente. Agora, são pessoas sem nome, e imaginei que tenha sido tirada na estação de Novelas, pertinho de Penafiel. No tempo que os comboios apitavam, com o vento a favor, ouviam-se em Freamunde.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quantos são?



… não passou para sete, não passou para oito, não não, também não passou para nove; nem para nove nem para dez! Também não passou para onze.
Está em doooooozeeee!
Está em doze meus senhores, são dooooozeee e são o-bri-ga-tóóó-rios; é pró menino e prá menina, são dozeeeeee, é obrigatório…
... não os tem? Oh meu senhor, que idade tem? … vamos-lhe arranjar qualquer coisinha… cheguem à frente, quem manda pode, e diz que são doze!
Se não tem os doze, não vai poder receber aquele subsídio que foi cortado a semana passada, e como é que vai arranjar emprego?
Como é que vai arranjar emprego?

Assim como assim é sempre bom saber ler, e escrever qualquer coisita.
Ao fim dos doze, estão uns homens, e umas mulheres!
...


 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Desabafo de Édipo



       ÉDIPO A 451º FAHRENHEIT

            Já lá vão uns vinte anos.
            O meu pai só me dava o dinheiro dos transportes para o Liceu. Quando chovia. Porque o Liceu ficava a três quilómetros de casa e se o tempo estava bom ou assim-assim, eu ia a pé.
             Claro que quando chovia, também ia.. o dinheiro para o eléctrico tinha outras perspectivas mais úteis de investimento, na minha maneira de ver as coisas.
            Não vou agora explicar o meu pai. Há coisas mais importantes que quero contar. Mas era assim. Arrumava-me a pasta, fazia de explicador obrigatório e até de barbeiro.
            Tinha uma mãe que estava casada com ele há mais de vinte anos e portanto já não era gente, e uma avó.
            A avó era uma mulher das arábias. Aos noventa anos foi a atropelada por um jipe e, após um mês de hospital, já saía novamente sozinha para onde lhe apetecia.
            A casa da avó ficava a dois quilómetros da casa dos meus pais, a acreditar nas revelações da agrimensura. Na realidade, vivia noutro mundo.
            O Pátio da Cabrinha ainda existe mas já não é o que era. Nesses tempos ainda não havia a ponte. Nem a Avenida de Ceuta. Estava separada da cidade por um deserto limitado por aquele incrível caminho de ferro que atravessa Alcântara.
            A casa ficava num bloco magnífico. Uma série de casas iguais que trepavam por uma bruta rocha, com filas de celhas de lavar a roupa na base e montes de escadinhas de cimento a dar acesso.
            A minha avó morava numas águas furtadas, no cimo da rocha. E eu vinha da cidade, passava a linha de comboio, atravessava o deserto que separava o mundo dela do meu, subia uma escadaria de cimento – trinta e dois degraus por onde em miúdo caíra aos rebolões – e chegava à base da rocha habitada depois de contornar poças de água cinzento-espumaçada das celhas. Subia quatro lanços de madeira carcomida e chegava lá acima.
            As visitas eram egoístas. A avó enfiava-me sempre dinheiro nas algibeiras quando saía e filhoses ou bolos caseiros quando chegava. E com a minha avó morava um primo.
            Esse primo era o orgulho e a desconfiança da família. Alto, elegante e simpático. Agente técnico de electricidade, o que representava o top intelectual da família. E solteiro!
            Não mostrava interesse em casar e tinha livros. Passava o tempo a ler.
            E, Deus seja louvado, emprestava-me livros.
            Foi assim que, aos dez anos, me iniciei na ficção científica.
            Descia as escadas com filhós no estômago, dinheiro nas algibeiras e três ou quatro livros mágicos debaixo do braço.
            Ao chegar ao deserto, começava a andar e a ler.
            Naquela terra de ninguém, não chocava nada à concepção que tinha do mundo nessa altura, começar a ler um livro editado por cães que discutiam a hipótese duma anterior civilização lendária dum ser chamado homem. Ou entrar no século vinte e seis e acompanhar um magnate que planeia um crime numa sociedade em que os políticos são telepatas.
             Só houve um livro que me chocou. Foi quando travei conhecimento com o bombeiro Montag que andava a queimar livros proibidos por excesso de imaginação. Com essa é que o Ray Bradbury me abalou. Uma sociedade onde a lei impunha à população o mesmo que o meu pai a mim. Onde era proibido Nosperatu, O Pai Natal, a Morte Vermelha, Ambrose Bierce e Walt Disney.
             «451.º Fahrenheit – a temperatura a que o livro arde e se consome».
             A ideia criou-me um choque e uma angústia só comparável quando, aos seis anos, ouvira na rádio a adaptação do capuchinho vermelho.
             Não me importava nada de viver num mundo cujos lideres fossem seleccionados por psicotestes dum computador, ou invadido por homenzinhos verdes a duas dimensões que cuimavam e só queriam chatear a malta. Mas, com aquela polícia, com aquele cão mecânico que detectava sentimento de culpa pelo odor da transpiração e que atacava com um agulhão envenenado, não.
             Ambicionava a vinda de todos os cenários que lia. Governo Mundial com conselheiros psicossociólogos, passeios em barcos de areia nos canais de Marte a colher os frutos de cristal… Suportaria a luta pela sobrevivência num mundo pós-Grande-Estoiro, evitando os lagos fosforescentes à noite e lutando com mantas selvagens. Mas aquela sociedade não.
             Porque aquilo conhecia eu. Viver num mundo onde não houvesse nenhuma chance de encontrar uma avó a fritar filhós num sótão, com um primo que me emprestava Sturgeon , Simak ou Frederic Brown…
             Cresci.
             Quando chegamos á lua, estava eu em Luanda. Ouvi pela rádio o maravilhoso «The Eagle has landed» e desatei a rir de contente. Olhei para o quarto crescente grande, branco e puro tentando vê-los e sentindo a maravilhosa liberdade de ver o meu mundo estendido para as estrelas.
             Apreciei a maravilhosa ironia da rotina dos passeios Apolo. E piscava o olho às sucessivas aparições no mundo real dos meus velhos amigos dos livros mágicos da terra de ninguém. O laser, a engenharia genética, academias de parapsicologia…
             Entretanto, a terra de ninguém macadamizou-se. Os psicólogos (sem a educação anti Aristotélica que Van Vogt preconizava para a sua raça eleita) analisavam a educação, inventavam a  pedagogia, e descobriam nove factores contra quatro a favor da história da Branca de Neve.
             E os livros mágicos foram rareando, sem que ninguém os soubesse aproveitar (não ligues, Kubrick, isto não é contigo). Só certas formas de histórias aos quadradinhos… que começavam a ser estudadas, analisadas marxisticamente e higienizadas.
             E quando dou por mim, estou a viver num mundo de adultos. Aparentemente ao nível deles. Mas eles não gostam da imaginação. É subversiva ou reaccionária ou outra coisa qualquer. Mas é etiquetável seja lá como for. E distribuída racionalmente.
             O que é mais discreto mas tão eficiente como um lança-chamas dos colegas de Montag.
             E começo a sentir vontade de me juntar às bruxas de Shakespeare e aos fantasmas de Bierce e Põe à volta dum caldeirão fumegante e nauseabundo num mundo só sonhado, num canal de Marte, a fazer encantamentos com agulhas e bonecos de cera para mandar todos esses senhores anticépticos para as chamas do inferno.
             Mas é cada vez mais difícil sonhar. E eles já apagaram o inferno.

A. TOMÉ
 
Artigo da Revista: VISÃO - Para uma nova Banda Desenhada Portuguesa
Número 1, de 1 de Abril de 1975


quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Visão (BD)


 

          Em 1985, ainda a feira do livro do Porto era na Boavista, lá comprei os doze primeiros números encadernados da revista de “BD” portuguesa: VISÃO. Na altura era para mim uma novidade; a publicação remontava a 1975, quando eu era um puto da província com dez anos. Iam portanto decorridos outros dez anos, desde que a revista aparecera, e ficou logo muito claro que o progresso do país tinha sido, entretanto, enorme. Tudo parecia muito parvo, como ainda me parece o clip “olha o robot” da Lena D’água!
          O primeiro número data de 1 de Abril de 1975, saía nos dias 1 e 15 de cada mês e custava 20 escudos.
          "VISÃO – PARA UMA NOVA BANDA DESENHADA PORTUGUESA – Edições EDIBANDA", dizia contar com a participação crítica dos leitores: Contamos contigo – a tua visão é fundamental.
          Vou passar a trazer umas pranchas e páginas inteiras de Loucura, Loucura, própria do pós-revolução de Abril.

 

sábado, 20 de outubro de 2012

Saudade


           Saudade, é um mal de que se gosta, e um bem de que se padece.


Palavras de D. Francisco Manuel de Melo (23/11/1608 - 24/08/1666)
Desenho de Alice Rey Colaço (1893 - 1978)


quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Velhos gritos do Portugal ocupado


L. P.  DE  O.  PINTO  DA  FRANÇA

SONETO

improvisado junto ao tumulo del rei D. Afonso Henriques,
pelo brigadeiro das tropas de Coimbra, no dia
em que Junot dissolveu o corpo do Exército
Português.

                                   A teus pés, fundador da Monarchia,
                            Vai ser a lusa gente desarmada!
                            Hoje rende a traição a forte espada
                            Que jamais se rendeu á valentia.

                            Oh! Rei! Se minha dor, minha agonia,
                            Penetrar pôde sepulcral morada,
                            Arromba a campa, e com a mão mirrada
                            Surge a vingar a affronta  d’este dia.

                            Eu, fiel qual te foi Moniz, teu pagem,
                            Fiel sempre serei: grata esperança
                            Me sopra o fogo d’immortal coragem.

                            E o pranto, que a teus pés minha dor lança,
                            Recebe-o, grande Rei, por vassalagem,
                            Acceita-o em protesto de vingança.

do Cancioneiro de Coimbra (de Afonso Lopes Vieira)

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Serviço internet


O que se encontra dentro dos livros!

            Fez-me muito bem reencontrar este pequeno documento.
            É uma “Venda a Dinheiro” relativa ao serviço pela internet da BERTRAND, LIVREIROS. Está expressa em escudos, moeda à beira do desaparecimento naquela data – 27 de Abril de 2001. Reporta-se a tempos em que a data de 11 de Setembro ainda não representava nada de especial. É um documento pequeno, de fácil leitura, e apesar de se referir a uma venda feita pela internet é manuscrito.
            Lembra tempos bons em que não se questionava o lugar das pessoas.
            Exprime o necessário e o suficiente.
            Não clama por um arquivamento nem pela guarda ao arquivo e não quer ser mais importante do que o livro a que se refere.