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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vozes de animaes



Palram pega e papagaio
E cacareja a gallinha,
Os ternos pombos arrulham,
Geme a rola innocentinha.


Muge a vaca, berra o toiro,
Grasna a rã, ruge o leão,
O gato mia, uiva o lobo,
Também uiva e ladra o cão.

Relincha o nobre cavallo,
Os elephantes dão urros,
A tímida ovelha bala,
Zurrar é próprio dos burros.

Regouga a sagaz raposa,
Brutinho muito matreiro;
Nos ramos cantam as aves
Mas pia o mocho agoureiro. (1)

Sabem as aves ligeiras
O canto seu variar,
Fazem gorjeios ás vezes,
Ás vezes põem-se a chilrar.

O pardal damninho aos campos
Não aprendeu a cantar,
Como os ratos e as dòninhas,
Apenas sabe chiar.

O negro corvo crocita,
Zune o mosquito enfadonho,
A serpente no deserto
Solta assobio medonho.

Chia a lebre, grasna o pato,
Ouvem-se os porcos grunhir,
Libando o suco das flores,
Costuma a abelha zumbir.

Bramam os tigres, as onças,
Pia, pia o pintaínho,
Cucurica e canta o gallo,
Late e gane o cachorrinho.

A vitellinha dá berros,
O cordeirinho balidos,
O macaquinho dá guinchos,
A criancinha vagidos.

A fala foi dada ao homem,
Rei dos outros animaes:
Nos versos lidos acima
Se encontram em pobre rima
As vozes dos principaes.


                                 Pedro Diniz

_________


(1) Os antigos tinham entre outros preconceitos o de julgar agoureiro o mocho.


 ****


(Tal como no Livro de Leitura da 2.ª Classe, de José Bartholomeu dos Mártyres – 1907)

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Quantos são?



… não passou para sete, não passou para oito, não não, também não passou para nove; nem para nove nem para dez! Também não passou para onze.
Está em doooooozeeee!
Está em doze meus senhores, são dooooozeee e são o-bri-ga-tóóó-rios; é pró menino e prá menina, são dozeeeeee, é obrigatório…
... não os tem? Oh meu senhor, que idade tem? … vamos-lhe arranjar qualquer coisinha… cheguem à frente, quem manda pode, e diz que são doze!
Se não tem os doze, não vai poder receber aquele subsídio que foi cortado a semana passada, e como é que vai arranjar emprego?
Como é que vai arranjar emprego?

Assim como assim é sempre bom saber ler, e escrever qualquer coisita.
Ao fim dos doze, estão uns homens, e umas mulheres!
...


 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Visão (BD)


 

          Em 1985, ainda a feira do livro do Porto era na Boavista, lá comprei os doze primeiros números encadernados da revista de “BD” portuguesa: VISÃO. Na altura era para mim uma novidade; a publicação remontava a 1975, quando eu era um puto da província com dez anos. Iam portanto decorridos outros dez anos, desde que a revista aparecera, e ficou logo muito claro que o progresso do país tinha sido, entretanto, enorme. Tudo parecia muito parvo, como ainda me parece o clip “olha o robot” da Lena D’água!
          O primeiro número data de 1 de Abril de 1975, saía nos dias 1 e 15 de cada mês e custava 20 escudos.
          "VISÃO – PARA UMA NOVA BANDA DESENHADA PORTUGUESA – Edições EDIBANDA", dizia contar com a participação crítica dos leitores: Contamos contigo – a tua visão é fundamental.
          Vou passar a trazer umas pranchas e páginas inteiras de Loucura, Loucura, própria do pós-revolução de Abril.

 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Do arco da velha 16


Acordos, reformas, e coisas assim...


... vem de longe, muito longe, e confunde, e avança o que avança, fica o que tem de ficar, é a escrita das palavras...



quarta-feira, 27 de junho de 2012

Vestidos Negros



           Já aqui tinha trazido a belíssima italiana deko (á direita), leve, alta, um tanto fácil e completamente intuitiva. Hoje voltei a querer estar com ela, tê-la nas mãos e acorda-la. Encontrei-a com a robusta alemã (ao centro), a Ikonta Zeiss Icon, densa, compacta, forte, desdobra-se toda com um simples toque e mostra-se, e fascina.
Vejo-me reflectido nas lentes e nos cromados, babado, feliz, com o sentimento de posse todo desperto.
Sem pudor nem castigo, junto-lhes a inteligente japonesa, a Pentax,  saudosa de 5 anos sem contacto físico nem as intimidades que  trocamos durante anos a fio por esse mundo fora. Tenho-as às três comigo, belas, observadoras, de vestidos negros, minhas.
Não uso mais filmes, não lhes digo. Conduzo-as aos seus aposentos, deixo-as juntas; cá em casa quem usa calças sou eu.




sexta-feira, 11 de maio de 2012

Do Arco da Velha 14

Selos RETA


Lembram-se dos selos RETA?
As imagens que trago são da série azul e a vaga memória que tenho deles no mercado coloca-os nos finais dos anos 60 do Séc. XX. Uma rápida pesquisa que fiz, não ajudou muito; encontrei referências a partir dos anos 50, assim como a imagem acima que publicita um selo por cada quatro escudos de compras, logo anterior aos da série azul, que atribui um por cada dez escudos gastos.
Isto ajuda a enquadrar-nos na realidade dos incentivos ao consumo e à fidelização do cliente, numa perspectiva que começa em meados do século passado o que já é de qualquer forma significativo.
No caso da série azul dos selos recta, é dado ao cliente um selo por cada 10$00 de compras que será colocado numa caderneta grátis de 20 páginas, que ficam preenchidas com 50 selos cada – ou seja, a caderneta preenche-se com 1000 selos, pelo que o cliente a terá completa ao fim de 10’000$00 de compras; nessa altura será trocada por brindes à escolha no valor de 120$00.
Feitas as contas, o comerciante devolve 1,2% (em compras) ao cliente, como prémio deste ter feito consumos acumulados de dez contos.
Na actualidade a cadeia de distribuição “Continente – Modelo” oferece aos clientes um cartão muito parecido com os de débito/crédito onde ao fim de € 500,00 de compras, é disponibilizada a quantia de € 5,00 (para gastar em compras) em qualquer estabelecimento da rede. Neste caso é devolvido ao cliente 1% em compras. O mesmo cartão dá outros benefícios e descontos acumulados em artigos específicos.
Pelo exemplo apresentado, os processos de fidelização de clientes e incentivo ao consumo sofreram uma enorme evolução na forma como são geridos, mas são basicamente os mesmos!






sexta-feira, 20 de abril de 2012

Do Arco da Velha 13

Definitivos
Cigarros fracos
Os cigarros que todos definitivamente preferem


... e havia os Provisórios, vulgo "Mata-ratos"!