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quarta-feira, 16 de maio de 2012

Tubo de Ensaio (ou lá o que é...)


Num tubo de ensaio não cabe tanta mistela. Quando se quer algo onde se possa meter tudo e nada, para depois destilar os humores e os vapores da salgalhada, usa-se uma retorta. As retortas estão fora de uso, mas ainda é o mais indicado para tão triste alquimia.
Dei por mim a perguntar pelo meu direito de resposta, tanta vez o palhaço rico da TSF se me atravessa no “éter”, me corta o dia entrado de carrinho com os pitões em riste, bate e foge, sempre cheio de razão só porque lhe pagam pelo desplante.
Sirva então este espaço para deixar o desabafo.
Anda a TSF a pagar a um tipo para escrever umas coisas que depois são ditas por aquela triste figura do Bruno Nogueira, armado em parvo sem esforço nenhum porque lhe está na natureza! Os senhores que gerem a estação, gostam tanto, tanto, que até repetem aquele aglomerado de parvoíces várias vezes ao dia. Só muito recentemente passaram a repetir os “Sinais” do Fernando Alves da parte da tarde, mas o programa dito humorístico de João Quadros/Bruno Nogueira é repetido à saciedade desde sempre. Está clara a avaliação que estação de rádio faz do “nível” dos seus ouvintes, quando insiste na difusão de sarcasmo podre e sátira da mais reles, em detrimento da crónica e análise profunda em prosa poética.
Eu não sou o Papa, nem sou clérigo, não sou a Maddie (nem familiar), não sou anão, não sou um deus; sou católico e sou pessoa. Sei muito bem que o humor sempre gozou de grande impunidade, mas não tenho de reconhecer comicidade no que não passa de desfaçatez impune. A dupla de ditos humoristas recalcitra em parodiar figuras fáceis, e nelas inclui os católicos, os seus símbolos, as suas datas, os seus rituais etc. Ora, das grandes características atribuídas aos católicos, não me lembro de estar incluído o extremo e incondicional sentido de humor, nem a espampanante e libertina autocrítica. Não sendo dito nada sobre a linha que o humor não deve pisar, quem dirá depois alguma coisa sobre o que distingue humorismo de agressão?
Vamos ter juizinho?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma Pergunta...


“Onde vão parar os dedos mortos dos pianistas”

«Caligrafia dos Sonhos», de Juan Marsé
«Onde vão parar os dedos mortos dos pianistas». pergunta Mingo, aliás Ringo, o rapaz em quem não é difícil encontrar traços autobiográficos de Juan Marsé, o autor deste romance. Ringo trabalha numa joalharia, quer ser pianista e perde um dedo numa máquina, num momento de distração. O infortúnio há-de fazê-lo trocar o sonho da música pela 'caligrafia dos sonhos' que é a literatura.
O pano de fundo é a Barcelona pobre do final dos anos quarenta. Ringo, que tem 15 anos em 1948 (tal como Juan Marsé), é um rapaz «observador, formal e responsável». Passa as tardes a ler na taberna Rosales. É esse o seu miradouro para os dramas da vida, como o da massagista Victoria, depois de lhe ter fugido o homem com quem vivia. Ou talvez ele não vivesse exatamente com ela, mas esse é outro drama que só o final do romance há-de desvendar.
«Caligrafia de Sonhos» é o primeiro romance publicado por Juan Marsé depois de ter sido distinguido em 2008 com o mais importante prémio para a literatura em língua castelhana, o Prémio Cervantes. Um autor de quem António Lobo Antunes diz, no prefácio a este romance, ser «um dos maiores escritores espanhóis vivos, [e acrescenta:] e não digo o maior porque não os li todos».
Livro do Dia: «Caligrafia de Sonhos», de Juan Marsé; tradução de J. Teixeira de Aguilar, edição D. Quixote.
(Texto da TSF)