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segunda-feira, 2 de março de 2015

A BANDEIRA DA VITÓRIA - n.º9


Dos serviços de Imprensa e Informação da Embaixada Britânica




4 Páginas
Medidas da pág. (28x44)cm
Digitalização integral

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Jornal da Mocidade Portuguesa - N.º1


Nova Série, ano 1,  n.º1 - Quinzenário - 31/10/1942
Anunciação por Marcelo Caetano - Comissário Nacional
Digitalização integral













quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

BBC - A voz de Londres na guerra



Fernando Pessa na BBC - Londres

Mr. F. W. Oglivie, Director da BBC
          Livreto no formato (12x18)cm com 32 páginas, impresso em "OFICINA GRÁFICA, LIMITADA" - Rua da Oliveira, ao Carmo, 8 - Lisboa. (Sem data nem referência ao n.º de exemplares impressos)
          Integralmente digitalizado e disponível na página/separador 2.ª Guerra

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Winston Churchill - Capa da NEPTUNO


Winston Ghurchill - Capa da revista NEPTUNO de Setembro de 1942

Contra-capa da revista - Notar o lembrete para que seja "passada"



segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

A face portuguesa pela Alemanha


            A turbulência política criada pelos problemas económico-financeiros na Europa, remete-nos a todo o momento para a segunda guerra mundial, suas causas e suas consequências. Se o conflito Israelo-palestiniano é consequência directa das resoluções tomadas com o desfecho da guerra, já os problemas da Rússia e do leste europeu, que teimam em despontar a curtos espaços de tempo, se enquadram tanto nas causas da guerra 39-45 como no seu desfecho. Quanto à Alemanha, agora, como então, é o centro disto tudo. Assim, o assunto da segunda guerra mundial sobrevirá sempre que tentemos discutir, para compreender, o nosso mundo.
            Hoje trago um documento datado de 1942, composto e impresso na Imprensa do Barreiro – 30’000 ex. – Lisboa. Trata-se de uma simples folha impressa, com um formato muito próximo de A4, dobrado ao meio, apresentado em A5, portanto, e consta alegadamente  numa palestra radiodifundida de António Eça de Queiroz

            Transcrevi e apresento-o abaixo, por motivos de facilitar a pesquisa e a leitura, mas disponibilizei a sua digitalização integral na Página/separador 2.ª Guerra 



             O ressurgimento do espírito nacional pelo fortalecimento do espírito legionário

Palestra radiodifundida de ANTÓNIO EÇA DE QUEIROZ

            Não há legionário que não recorde com nobre entusiasmo aquela noite de 28 de Agosto de 1936, em que milhares de portugueses aclamaram, no Campo Pequeno, a ideia de ser criada uma força voluntária para a defesa de Portugal contra a ameaça comunista.
            Não há legionário que não recorde aqueles meses que se seguiram de intensa preparação legionária. Pelo país inteiro homens de todas as classes e proveniências enchiam as paradas dos quartéis e, comandados por uma “elite” incansável de oficiais de terra e mar, aprenderam o manejo das armas a fim de se prepararem para as possibilidades ameaçadoras de uma batalha imediata.
            O momento era de perigo. O comunismo jogava em Espanha a sua primeira cartada militar para a subversão dos princípios da ordem europeia e da civilização ocidental. Todos o sentiam e compreendiam e por isso fizeram pesados sacrifícios. Foram momentos magníficos. O país via nascer e crescer com um suspiro de alívio uma poderosa força voluntária, força que seria mais uma barreira oposta aos velhos desígnios de Moscovo: a revolução e a ideia comunista alastradas ao mundo inteiro!

* * *
            Mais tarde, a eminência do perigo, na sua forma violenta, esbateu-se. As tropas nacionais de Espanha derrubavam e aniquilavam as hordas vermelhas ”del frente popular” e as brigadas internacionais de sinistra memória… o comunismo sofria ali a sua primeira grande derrota militar.
            Então pouco a pouco, com a diminuição do perigo tangível, a actividade legionária abrandou, sucedendo-lhe um período de acalmia…
            O ritmo dos exercícios tornou-se mais compassado, o espírito de arrancada e sacrifício diminuiu. Dizia-se, inconsequentemente, que o perigo fora afastado, e a alguns até parecia que a Legião poderia licenciar-se, conservando-se apenas uma força simbólica que deveria limitar-se a uma acção de carácter social. A clara chama que um grande vento de patriotismo ateara ardia menos alta… o perigo fora afastado.
            Era este um erro profundo, direi mais, um erro criminoso, pois é crime ser cego, quando a evidência dos factos está, contudo, à vista, e é crime ser surdo, quando o rumor da catástrofe se sente claramente, logo que se presta o ouvido.
            Nesse erro não incorreu o comando legionário. Não podendo manter ao rubro dos primeiros momentos o esforço militar da Legião, resolveu aguentá-lo, tornando-o menos áspero, mas conservando intacta a força material existente, ligando sempre mais as obrigações e o ideal legionário à orgânica do Estado, o que, a breve trecho, deu à Legião Portuguesa uma solidez moral e uma consistência de acção muito superior àquela que tantos lhe supõem e que o adversário, na sua incompreensão, lhe nega.
            Avisado foi o comando, visto que, por esta forma, nos conservou uma força que é hoje mais uma das salvaguardas da nossa existência de portugueses livres e do Estado Novo, que bem podemos considerar como o mais forte baluarte da nossa independência como nação, dos nossos direitos e crenças como homens.

* * *

            Nisto estávamos em 1941, quando dos acasos da guerra surgiu o imenso conflito germano-soviético.
            De novo se alcançavam em armas as hordas de Moscovo. De novo surgiu o perigo na sua forma violenta – mas já se não tratava apenas da escória das brigadas internacionais que haviam tentado assassinar a Espanha, era a força inteira da máquina de guerra comunista voltada contra a Europa toda. Então se pode verificar quanto se enganavam aqueles que julgavam afastado e debelado o perigo comunista.
            À gigantesca força do exército alemão vimos oporem-se as hordas inumeráveis do exército vermelho, e todos, excepto aqueles a quem compreender não era conveniente, compreenderam o incomensurável risco que ameaçara, ameaçava e ameaça o continente europeu.
            Todos puderam avaliar as monstruosas proporções do arsenal de Moscovo e sentir a magnitude da catástrofe que nos assolaria, se a iniciativa do ataque tivesse sido tomada pelo comando soviético ou se a fortuna da guerra tivesse feito pender a balança para o lado de Moscovo!
            Deus seja louvado, essa iniciativa foi-lhe arrebatada, e foi imenso o desgaste que sofreram as forças comunistas. Foi esta uma vantagem salvadora, mas não definitiva, já que não prostrou por completo o adversário, e que não pode evitar o esforço teimoso e renovado da propaganda comunista a minar, a conspirar, a comprar braços e consciências em todas as regiões da Europa e do globo, para acudir ao monstro escarlate, ferido sim, mas ainda vigoroso, que punha à dura prova os soldados da cruzada que, do Mar Ártico ao Mar Negro, atacam o comunismo e defendem a Europa.

* * *

            E sobreveio o inverno, este inverno inclemente de 1942, que conseguiu parar os soldados europeus na sua marcha em frente para uma vitória que já parecia certa e que, assim o cremos, apenas foi retardada.
            Não podemos duvidar do triunfo, mas é certo devermos constatar que os imensos golpes sofridos pelo exército vermelho lhe não tinham roubado uma notável capacidade  de reacção. Novas hordas se formaram, mal ou bem os seus chefes as equiparam e com um insano desprezo pelas perdas, protegidos pelos rigores da invernia a que estão habituados e pela estratégia defensiva das forças europeias, encontraram energia bastante para se arremessarem ao ataque.
            Isto prova insofismavelmente o grande poder do inimigo a derrubar. Isto prova-nos com eloquência que o perigo ainda existe latente e formidável. Isto prova-nos a demência de todos aqueles que julgam que a acção legionária já não tem para subsistir as razões de 1936, e que são imbecis ou traidores aqueles que declaram absurda, por desnecessária, a rexistência da Legião Portuguesa.
            Por mais qua a ofensiva soviética tenha fracassado, por mais que se desgaste batendo-se no vasto interior da Rússia, ela foi um compasso de espera amplamente aproveitado por um adversário que nada esquece. Ateou um grande movimento de reacção e propaganda nas massas comunistas, comunisantes e comunisadas do mundo inteiro. Em toda a parte a acção lateja e toma corpo.
            Disfarçada sob mil formas, a propaganda comunista trabalha sem descanso. Passeia na rua com o povo, entra na oficina e na fábrica, insinua-se na repartição, trava conhecimento e simula amizade, excita sabiamente à revolta e à sabotagem, aproveita o despeitado e o falhado, acirra o invejoso, oferece o poder ao ambicioso e espalha a corrupção do ouro. Joga com as misérias dos desgraçados e com o terror do avarento. Senta-se à mesa dos cafés, alicia, comenta com habilidade as notícias da guerra na Rússia, dirige subtilmente conversa, fornece o argumento preciso, inventa e espalha o boato. Infiltra-se nas salas; elegantemente derrotista, escarneia a existência do perigo, faz epigramas e críticas venenosas, torce e deturpa as verdades, provoca o escândalo. Invade a revista e a imprensa, onde , sob máscaras mal afiveladas, insinua, deturpa e mente. Forja a calúnia e alimenta a guerra dos nervos.
            Está em toda a parte, vive em todos os meios, mais ou menos invisível, trabalha, actua, corrompe.
            Encontro-a no cavalheiro que não crê no perigo comunista, e que nos pinta uma Rússia ordeira e já burguesa; naqueles que odeiam o Estado Novo porque não conseguem emprego ou os obriga a sacrifícios; no idiota que afirma peremptório que uma vitória soviética não implica uma vitória da política comunista; no cronista de guerra que, dissimulado sob palavrões técnicos de estratégia e táctica, comenta a campanha da Rússia  com uma má fé flagrante; no estadista que, através da rádio, nos diz que para alcançar os seus fins os exércitos soviéticos marcharão através da Europa até onde seja necessário; no orador que proclama com gravidade que ao Sr. Estaline se pode confiar sem receio, ao terminar a guerra, a reconstrução política da Europa. Em todos aqueles que por aí declaram que o comunismo evoluiu e é hoje um caso nacional russo que não pretende a universalidade; nos que se dizem espíritos liberais e democráticos, nos “reviralhistas” que preferem tudo, incluindo o comunismo, ao actual estado de coisas português. Vemo-la infinitamente perigosa, engrinaldada de atractivos, nos filmes de cinematógrafo que inundam e corrompem o mundo inteiro. Observamo-la no mal contido afã com que certas pessoas decoram e comentam o comunicado russo. Notamo-la em todos aqueles que encolhemos ombros, quando se lhes fala no perigo soviético ou se abespinham e nos chamam germanófilos e belicistas, quando desejamos a derrota comunista.
            Existe, evidentemente e notável, só não lhe dando atenção quem por índole covarde fecha os olhos à verdade ou quem a nega por preferência.
            São mil as formas e as manhas. É uma grande, uma teimosa ofensiva; é a tentativa lógica de minar, de perturbar a ordem nas retaguardas europeias, enfraquecendo as nações pela ameaça da revolta e do medo. É a ofensiva do desespero, no qual o comunismo põe tudo em jogo, na esperança de colher resultados favoráveis, antes, se possível, e durante aquilo que Moscovo teme, neste momento, acima de tudo mais e com ela o grande ajuste de contas em que tantas forças morais e materiais da Europa se vão lançar ao assalto da máquina de guerra soviética que aguenta e protege a alma escarlate do comunismo mundial.

* * *

            Se eu desta maneira mostro a extensão do perigo, a força e a astúcia da propaganda inimiga, é porque os conhecemos e porque estamos alerta. Um perigo e um inimigo cujos valores se não ignoram, são elementos que se sabe onde e como combater… mais fáceis, portanto de vencer. Pois já que os conhecemos, saibamos defrontá-los. Não nos faltará, decerto, nem a coragem nem a decisão precisas para, sem temor e com entusiasmo, redobrarmos de energia neste combate que há 25 anos nunca deixou de existir e que alcança hoje o seu terrível apogeu.
            Eu não creio que exista um único legionário português que oponha uma contradição às minhas afirmações. Não o creio; mas se por acaso existe, esse não é legionário e não merece a honra de considerar-se português – consciente ou inconsciente é um amigo da Rússia soviética, um adepto da foice e do martelo, e, como tal, um imigo que deve ser eliminado!
            Julgo que estamos todos de acordo… O perigo existe igual, perfeitamente igual àquele que existia em 1936. Para lutar contra ele, doa a quem doer, custe a quem custar, devemos estar preparados e, recalcando dúvidas ou receios inglórios, prontos cada dia com mais firme vontade a todos os sacrifícios; a combater sem tréguas, por todas as formas ao nosso alcance, este inimigo implacável que, a não aniquilar-se, será a o ariete que deixará por terra o bastião de paz, de ordem e de prosperidade que as fortes mãos de Salazar souberam construir, para glória sua e nossa, sobre as ruinas que havia deixado em Portugal a política demo-limeral precursora da anarquia soviética.
            E assim, fortalecendo o espírito legionário, daremos novo alento à obra maravilhosa do ressurgimento nacional, que só pode vingar e durar o aniquilamento total do espírito comunista.
            O que é que está em jogo? É a liberdade da humanidade cristã ameaçada terrivelmente pela mais execrável das tiranias ideológicas.
            É o claro momento da civilização europeia ameaçado pela mais abominável ditadura da escravização moral e material.
            São os princípios, as ideias, as tradições, o sagrado património que nos foram legados por oito nobres séculos da História gloriosa.
            É Portugal! É a paz, a tranquilidade desta nossa abençoada e querida terra portuguesa!
            Temos a fortuna de sermos guiados por grandes chefes. Tenhamos confiança neles, absoluta confiança. São eles que, a par das nossas consciências, dão a palavra de ordem e nos mostram o caminho na luta contra o comunismo. Não lhes faltemos, nem a eles, nem a nós próprios, para que um dia a geração que nos há-de seguir, salva pelo nosso esforço, possa dizer com orgulho e com reconhecimento: eles foram bons portugueses, bons cristãos e bons soldados na cruzada vencedora da Europa contra o comunismo.


Composto e impresso na Imprensa Barreiro – 30.000 ex. – Lisboa, Julho de 1942

 __________

NOTA:
António d’ Eça de Queirós, 28/12/1889 – 16/5/1968
Foi oficial do exército, escritor, comissário a várias exposições internacionais, presidente da direcção da Emissora Nacional de Radiodifusão, grande oficial da Ordem de Cristo…

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

A cultura como propaganda


            No início dos anos quarenta do século XX ia a segunda guerra em crescendo, e a Portugal, como neutral, chegava muita informação tanto dos aliados como das forças do eixo.
            Aqui neste blogue já publiquei muitos folhetos e livretos, publicações essas etiquetadas com as palavras “propaganda” e “II guerra”. Poderão ser acedidos facilmente clicando nessas palavras na coluna do lado direito em “Etiquetas”. Estão disponíveis também muitas imagens da época na página/separador “2.ª Guerra” e criei ontem uma outra página/separador intitulada “W. Churchill” com material sobre o estadista que tenho vindo a incrementar.

            Hoje trago duas estampas da época, de grande formato (24x18)cm, com conteúdo claramente favorável à boa impressão sobre a Alemanha nazi.



               Assim, ninguém diria que os nazis não eram humanos!

domingo, 4 de março de 2012

Contrapropaganda

"O Calendário dos Agressores"
Folheto (14cm x 21,5cm) 32 páginas
Não possui qualquer identificação de quem o imprime ou de quem o edita.





NOTA: Foram adicionadas imagens na página 2.ª Guerra

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Opúsculo (sem pai nem mãe)

Do início dos anos 40 do Séc. XX, capa colorida, 36 páginas. Uma quinta série, servida da bandeira da nação, anónima! Não diz por quem nem onde foi impressa - tempos de guerra, em Portugal.



Apenas um código (indecifrável ???) no canto inferior esquerdo da contra-capa:





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Ler o Mundo


Em 1942, a distância do solo português às bombas que caíam um pouco por todo o mundo, aliada à fome que se distribuía muito melhor, trouxe-nos uma exposição acrescida à difusão de discursos politizados e interessados disfarçados de exposições claras ou francos relatos. Por essa altura nem se pensava em televisão e a rádio em português tinha a mesma idade do conflito. Os aparelhos de telefonia eram caros e raros, a imprensa escrita corria de forma contida só em meio urbano, e saber ler era quase tudo quanto suficiente para se escapar ao patamar de “ignorante”. Nessas circunstâncias a comunicação panfletária, no sentido de baseada em panfletos, foi rainha – o sentido pejorativo veio em consequência.
Quem em 1942 quisesse fazer a história da guerra que começara em 1938 e que só viria a acabar em 1945, teria com certeza feito uma torpe história. Da mesma forma, quem em 2012 queira fazer a história da crise da economia deflagrada em 2008 e que não se sabe quando terminará, fará de certeza uma história torpe.
            O que tenho tentado fazer com estes últimos postais, centrados em documentos da segunda guerra mundial, é mostrar como precisamos de ter o sentido crítico sempre pronto. Então, como agora, a insídia mistura-se com a informação e má-fé com a simples defesa de convicções.
            Não vou entregar o meu blogue a este tema. Criei uma nova página intitulada 2.ª Guerra, onde postarei imagens e documentos originais da época. Por agora fico por aqui.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Neutralidade, a gosto!

Vida Social
O mundo do Trabalho - Documentação e Crítica
N.º 1
Agosto - 1942
Composto e Impresso - Oficinas Estevão de Carvalho - Rua do Século, 150 - Lisboa


Transcrevo a legenda:

NA GRAVURA - A juventude alemã trabalhando num ambiente de calma e florida confiança em que foram transformados os antigos e insalubres lugares de trabalho

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Por Inglaterra

Continuo a trazer palavras, muitas palavras do tempo da segunda grande guerra, para que entendamos melhor as que agora se dizem.
Portugal, posicionado neutralmente no conflito, foi campo aberto à expressão de ambas as partes.

Por Inglaterra:

INGLATERRA
Joaquim Ferreira
8 Páginas
Separata do «Jornal de Santo Thyrso»
Ano 1942 (?)
Centro tip. Colonial - Lisboa


O drama atinge a culminância. Nunca o mundo se trespassou de tão patéticas angústias, nem mais torvas ameaças à cultura europeia rondaram sôbre as almas aflitas.
Esta guerra implica uma significação que poucos medem em seu completo alcance. Não é como as outras guerras: um acto de rapina, a bêsta do Apocalipse desenfreada através das gentes, o espírito do Mal a soprar labaredas das furnas infernais. As outras guerras foram apenas isso; mas esta vai mais longe nos seus propósitos de malvadez: - Será possível o convívio pacífico das nações num pé de igualdade jurídica? Será possível a pessoa humana gozar os seus direitos naturais? Será possível a paz da consciência na ideia de Deus? Ou teremos de substituir as concepções do Cristianismo, baseadas no respeito e no amor aos nossos semelhantes, pelo ódio racial, pelo furor da conquista, pela avidez felina na exploração dos povos oprimidos?
Há dois exércitos em luta, cada qual com a sua bandeira. Qual vencerá? Ignoramo-lo. Todavia, desde já a minha inteligência escolheu entre os dois gigantes que se esfacelam, numa raiva implacável, titânica.
Desde Afonso Henriques vemos a Inglaterra a pugnar connosco. Na tomada de Lisboa, em 1147, lutámos os dois juntos – ingleses e portugueses. O fundador da nacionalidade queria Lisboa, empório comercial de enorme estatura na Europa do séc. XII – mais de cem mil habitantes. Como conquistar aos mouros o imenso burgo, se tão reduzidos eram as suas hostes? Afonso Henriques solicitou ajuda aos cruzados, que aportaram aqui de caminho para a Palestina. Fez-se o assédio, e a cidade agarena caiu em poder dos sitiantes. Os ingleses foram dos mais activos no cerco. Iam também na vanguarda dos que transpuseram as muralhas. E tão grato lhes ficou Afonso Henriques, que o primeiro bispo cristão de Lisboa foi um inglês – Gilberto Hastings.
Decorreu o tempo. O mais sábio dos monarcas afonsinos – D. Diniz – manteve correspondência diplomática frequente com os diplomatas da Inglaterra. As comunicações de comércio eram assíduas. Os nossos navios visitavam os portos britânicos com plena segurança numa época em que a não havia. Os reis Eduardo I e o filho Eduardo II contrataram com D. Diniz auxílio mútuo. Já então a Grã-Bretanha nos distinguia com as preferências do seu poderio marítimo.
Em 20 de Outubro de 1353 o rei Eduardo III contraiu com o rei D. Afonso IV uma aliança, que duraria cinquenta anos: a Inglaterra jurava não associar-se a qualquer inimigo de Portugal, garantindo aos navegadores lusitanos nas suas águas e nos seus portos tratamento igual ao dos próprios ingleses.
Surgiram as desgraçadas questões do rei D. Fernando com Henrique de Trastámara, rei de Castela. O monarca português não primava pela firmeza de carácter nem de coragem. Mas praticou alguns dos actos de profunda sensatez politica. Assim, aproveitando-se das amistosas e leais relações de Inglaterra com Portugal, enviou ali o conde Andeiro (mais tarde assassinado pelo Mestre de Aviz), a solicitar o concurso das suas tropas contra o rei castelhano. Celebrou-se um tratado em 13 de Outubro de 1373. em consequência, os soldados ingleses sob as ordens do conde de Cambridge acorreram a bater-se em nossa defesa com as hordas de Castela.
Morreu D. Fernando. Desencadearam-se sobre Portugal os tormentos da guerra, nos quais íamos perdendo a liberdade política. O rei de Castela não desistia de absorver Portugal. D. Fernando, talvez pela nefasta influência da rainha D. Leonor Teles, consorciou a filha única D. Beatriz com D. João I de Castela, estipulando cláusulas nupciais que alienavam praticamente o país ao estrangeiro. Aberta a sucessão ao trono, exigiu D. João I de Castela a entrega de Portugal, conforme o estatuído no contrato de casamento. O Mestre de Aviz e o povo, animados pelo excelso heroísmo de Nun’Alvares, opuseram tenaz resistência ao invasor.
Não poderia o Mestre de Aviz olvidar a Inglaterra nestas pugnas de morte. Partiram para a nação exemplarmente amiga alguns embaixadores. Era então Ricardo II o rei britânico. Logo ele anuiu às suplicas do Mestre de Aviz, e embarcaram para aqui numerosos soldados de infantaria – a melhor do mundo! Não houve na Idade-Média mais valentes archeiros do que eram os ingleses. Eles bateram-se como leões na batalha de Aljubarrota, lado a lado com Nun’Alvares, nessa rude batalha que vinculou definitivamente a independência de Portugal. A Inglaterra colaborara na conquista de Lisboa, e assegurava agora a vida nacional.
O rei D. João I conhecia de perto os ingleses. À sua subtil razão de estadista não poderiam escapar as sumas vantagens de firmar aliança defensiva com tão enérgico e progressivo país. Depois de várias diligências, Ricardo II de Inglaterra e D. João I de Portugal assinaram um pacto perpétuo de amizade e ajuda recíproca. Foi em Windsor, no dia 9 de Maio de 1386. este pacto dura ainda. Devemos manter viva a lembrança de Lourenço Fogaça, chanceler do rei D. João I, porque foi ele o seu principal negociador.
Dispõe a cláusula I: «Haverá entre os mesmos Reis e seus herdeiros e sucessores, e vassalos de ambos, uma liga, amizade e confederação geral e perpétua… de maneira que um será obrigado a prestar auxílio e socorro ao outro contra todos os que tentarem destruir o Estado do outro». Dispõe a cláusula III: «Por nenhum modo nem em caso algum será permitido aos ditos Reis, e a nenhum dos seus vassalos de qualquer estado ou condição… conselhos, socorro ou auxílio nas suas terras e domínios à Nação que tiver sido inimigo da outra».
D. João I foi mais longe na sua aliança com a Grã-Bretanha: casou-se com a filha do Duque de Lencastre. Quanto deve Portugal a esta ilustre senhora – D. Filipa de Lencastre! O sangue inglês nas veias do rei D. Duarte, do infante D. Henrique, do regente D. Pedro… O rei filósofo, o infante descobridor, o regente letrado, - a «ínclita geração de altos infantes» gabada nos Lusíadas, a ais insigne geração de príncipes que floriu no mundo hispânico, - foi da Inglaterra que nos veio no sangue castiço de D. Filipa de Lencastre. Teríamos tido o infante D. Henrique com os seus anseios de aventuras náuticas sem a ancestralidade inglesa? A educação, a índole, a alma dos filhos de D. João I – que prepararam e tornaram possíveis as nossas empresas marítimas – é obra duma aristocrata que veio das ilhas inglesas insuflar um espírito novo nos príncipes da Lusitânia.
 A epopeia dos descobrimentos culminou na viagem de Gama a Calecute e de Cabral ao Brasil, nas façanhas de Afonso de Albuquerque, nos tesouros incomensuráveis da Casa da Índia. Éramos grandes. Éramos temidos. Nos mares do Oriente não circulavam navios sem o salvo-conduto dos nossos almirantes. Contudo, o rei D. Manuel não se afastou da tradição monárquica estabelecida pelos seus avoengos: confirmou o tratado de Windsor em novo acordo com Henrique VIII, em 12 de Maio de 1499.
D. Manuel herdava de D. João II um ceptro riquíssimo e feliz. Isso não impediu o inteligente soberano de revigorar com a sua assinatura um pacto já velho mas ainda e sempre útil.
Eis-nos em plena Reforma. Da Alemanha sopravam rajadas de revolta. A Europa estremecia nas insânias do crime… É que Lutero rebelara-se contra a Igreja, e das suas prédicas nasceram escombros, borbulhou o sangue, espraiou-se no Ocidente a cólera homicida. Portugal permaneceu fiel ao catolicismo. A Inglaterra aderiu à seita luterana. Porém, a aliança entre os dois países não esfriou. Tão lúcida era a visão política dos antigos reis!
Alcácer-Kibir… o de-profundis de 1850, causado pela megalomania cavalheiresca de D. Sebastião. O rei de Espanha ia cevar a aspiração dos seus ancestros – aspiração que dormitava nos escaninhos de todos os governantes espanhóis – de se apoderar de Portugal. Vários pretendentes disputavam o trono vago pela morte do cardial-infante D. Henrique. Pois bem! A rainha Isabel de Inglaterra colocou-se resolutamente em nossa defesa contra o temível poder de Espanha, então no auge do seu domínio. Apoiou primeiro a duqueza de Bragança – D. Catarina; apoiou depois o Prior do Crato, em cujo auxílio armou uma esquadra capitaniada pelo mais famoso dos seus almirantes – Drake. O Prior do Crato perdeu a partida. Após a derrota de Alcântara, tentou a expedição aos Açores; e, já nos extremos da penúria, acolheu-se a Londres, sob a protecção quási carinhosa da genial rainha inglesa.
A Espanha roubara-nos a independência. Esta ignomínia só acabou em 1640. os factos são bem conhecidos de todos. Portugal levantou-se em armas para expulsar o déspota espanhol, um dos mais potentes no século XVII. A quem pedir arrimo nesta grave crise? D. João IV era astuto, os seus conselheiros tinham argúcia: dirigiu-se o monarca restaurador à Inglaterra. D. João IV e Carlos I (o Stuart) celebraram um tratado que não só confirmava mas completava o feito em Windsor em 1383. E Cromwell revalidou-o logo a seguir
Transportaram-se para aqui soldados das ilhas britânicas, que por nós combateram as tropas espanholas; os seus magníficos navios agiram nos mares a nosso favor. E a paz com Espanha fez-se pela pressão da Inglaterra em Madrid, intervindo nas negociações e assinando por nós o Conde de Sandwich, embaixador inglês.
Na primeira crise da independência nacional, deu a Inglaterra a sua força ao Mestre de aviz; nesta segunda crise, negoceou connosco, o seu rei escolheu noiva entre nós, e os seus diplomatas quási impuseram ao nosso ferino adversário paz.
Terceira Crise: Napoleão. Passou como arcanjo de Belona este génio sinistro. Os seus arrojos de Hércules semearam a ruína, as lágrimas, desespero, a destruição e a morte. Ele foi o maior general que os séculos já viram, a mais estupenda capacidade bélica de que fala a história.
Napoleão é senhor absoluto da Europa. Os reis temem-no; a sua espada fere mortalmente os povos que lhe resistem; os exércitos franceses derrotam os italianos, os austríacos, os russos, os alemãis… Carlos IV de Espanha, acirrado pelo seu favorito Godoy, combina com o imperador Bonaparte a invasão de Portugal; e 55000 soldados espanhóis entram por Badajoz. Incapazes de nos defendermos, a paz foi-nos imposta por Godoy conluiado com Bonaparte: deveríamos fechar os nossos portos à Inglaterra. Foi isto em 1801.
A Inglaterra não costuma flectir-se nos piores desastres. A sua vontade não conhece o terror nem o desânimo. Pitt governa. Pitt simboliza neste momento todas as virtudes características da sua bela raça: a pertinácia, a visão certeira, o instinto administrativo, o querer vitorioso. A luta com Napoleão prossegue inexorável; e Nelson destroça a esquadra napoleónica em Trafalgar…  D. João VI recusa cumprir a promessa arrancada pela violência: cerrar os nossos portos às naves inglesas. Napoleão ameaça-nos. As suas tropas desbaratam todos os inimigos, e acabam por entrar triunfalmente em Berlim. Mas D. João IV desobedece ao vencedor da Europa, que em 21 de Novembro de 1806 decretara o bloqueio de Inglaterra, permitindo que os britânicos se sirvam livremente dos nossos portos. Napoleão manda-nos invadir, por um dos seus mais hábeis capitãis – Junot. O rei de Portugal, para evitar a humilhação de ser feito prisioneiro, foge com toda a corte para o Brasil, escoltados os navios que o conduziam por navios de guerra ingleses. É a batalha definitiva entre a Inglaterra e o seu implacável adversário – Napoleão – a que se inicia em nosso território. Artur Wellesley trouxe das ilhas britânicas um exército  de 14000 soldados. Portugueses e ingleses batem-se ombro a ombro contra o invasor, como já acontecera em Aljubarrota e na Restauração. Os invencíveis marechais de Napoleão recuam através da Península. E Wellington leva-os batidos até Toulouse (1814). Era a vitória de Inglaterra, a vitória que a sua tenacidade inquebrantável acaba sempre por arrancar às piores catástrofes.
Estamos em 1898. Guilherme II da Alemanha, insaciável, exige territórios no Ultramar. É a Portugal que pretende agora extorqui-los. Propõe a Lord Salisbury um empréstimo anglo-germânico sob hipoteca de Angola e Moçambique; e perante a negativa categórica do nosso país, procura convencer os estadistas de Londres a juntarem-se a juntarem-se a Inglaterra e a Alemanha numa demonstração naval no Tejo…Valeu-nos a viva amizade do rei D. Carlos com o Príncipe de Gales, o futuro Eduardo VII. A Inglaterra, para expressar de modo inequívoco a sua lealdade connosco, firma o acordo de 14 de Outubro de 1899, que restaura na sua integra o tratado de Windsor e os posteriores.
A desolada decepção de Berlim… «Era uma garantia para Portugal e sobretudo um incitamento para este país não onerar as suas colónias» - escreveu o chanceler alemão Príncipe de Bulow. Outra vez a aliança com a Inglaterra nos serviria de escudo contra as arremetidas dos vampiros.
O Sr. Dr. Oliveira Salazar, além doutras coisas boas, tem sabido manter intacto este inestimável património da história nacional… Os vindouros lhe agradecerão a benemerência política de enfileirar com os reis D. Fernando, D, João I, D. João II, D. Manuel I, D. João III, D. João IV, D. Pedro II, D. João VI, D. Carlos e D. Manuel II, que mais eficientemente estreitaram com os nossos aliados ingleses os laços que o tempo não quebrou.
Há quatrocentos anos que disfruta a Inglaterra uma situação de incomparável prestígio no mundo. Deve-se ao seu génio administrativo. Outros impérios se formaram depois e se desmoronaram em esquírolas, enquanto a Inglaterra continua impertèrritamente a sua obra colonizadora. A Austrália, o Canadá, a Nova Zelândia, a África do Sul, a Índia, em todas as latitudes e em ambos os hemisférios o pavilhão inglês ondula soberano sobre milhões de quilómetros quadrados, vivendo e prosperando à sua gloriosa sombra povos de todas as raças com os costumes mais diversos e as religiões mais opostas. Nenhuma nação apresenta melhores serviços à difusão da cultura europeia!
A derrota de Inglaterra seria um golpe mortal na civilização do Ocidente.
De coração trémulo, aterrado, eu rezo humildemente a prece que todos os patriotas deveriam rezar:
- Deus salve a Inglaterra!

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Vitória da Europa

Estamos em guerra. As guerras são assim, enchem tudo com palavras, muitas palavras. As palavras, é sabido, criam realidade. Com as guerras, o que se pretende são sempre novas realidades; então, são lançadas palavras, muitas palavras, e quem as profira, pois.
As palavras puxam palavras, e puxam actos e ódios e sentimentos.
Pensamos com palavras, mas os sentimentos estão antes das palavras. Por isso saem sempre mal tratados quando abusamos delas, das palavras, e deles, dos sentimentos.


(A Turquia nunca esteve no mapa europeu da Alemanha. A Inglaterra também não)
A Vitória da Europa
24 Páginas
Veritas – Verlag G. m. b. H. – Berlim.
1942 ?







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domingo, 12 de fevereiro de 2012

Maçonaria à baila

Paz Democrática
Autores: Távora e Quadros & Sérgio Lima
Ano 1941
36 Páginas

É um opúsculo de propaganda a favor das razões alemãs. De autores portugueses, centra na “maçonaria internacional judaica” a origem dos problemas na Europa que justificariam o conflito,
Deixo a capa,  as páginas 3,  5 e última.

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