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quarta-feira, 19 de junho de 2013

Na Barca



               Rapaziada de Freamunde a andar de barco, não sei onde.
               À frente, do lado esquerdo da foto, Bernardino Pinto de Moura
               De pé, em mangas de camisa, Luís Teles de Meneses


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Poesia Popular



 
Isto é uma coutada?
 
 
Neste nosso País de liberdade
as mulheres, na terra dos capões,
são proibidas por certos figurões
de tocarem na banda da cidade.
 
E os que mandam alinham nisto tudo,
vão dizendo que sim com toda a gente,
entre eles não há nada de diferente,
andam todos ao som do tal "canudo".
 
O que diz a constituição, é entulho!...
o que importa é subsidiar o orgulho
desses ditos senhores da coutada,
 
que dizem para aí, à boca cheia,
a mulher é um bombo em que se arreia...
só serve p'ra parir e p'ra mais nada!
 
2-12-2012
 
Rodela, poeta popular freamundense.


sexta-feira, 7 de junho de 2013

Em Ombros



Naqueles tempos as festas eram feitas nos montes
era lá que estavam os cruzeiros e as ermidas 
à volta as árvores eram pinheiros
o chão de terra e pedras
ainda havia Deus
os ombros carregavam alegrias 

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Parteira improvisada



olá Doutor Miguel Brito 
com que então fez de parteira
duma gata parideira
e nem precisou de apito
pois logo ao primeiro grito
mesmo sem mão calejada
lá foi salvar a ninhada
que se safou inteirinha
graças à sua mãozinha
de parteira improvisada.




Rodela 15-05-2013

sábado, 5 de janeiro de 2013

Cruzeiro de Freamunde

 


 
            Enquanto fotografo o cruzeiro, atravessa a estrada de frente para mim, o poeta António Rodela.
            - Venha cá, também ficou na fotografia.
            - A tirar fotografias ao cruzeiro, é simples, há mais bonitos…
            - É bonito, robusto, e alto
            - Já escrevi umas coisas ao cruzeiro, um soneto, até tenho aqui
            O Rodela abriu a maleta de mão e expôs um grosso monte de papéis escritos com letra muito certinha, e um caderno; localizou a folha com os versos ao cruzeiro como se nunca tivesse tido outra em mente.


            Cruzeiro dos meus tempos de menino,
            Quantas noites inteiras de verão
            Eu faço a minha cama no teu chão,
            Até que para a missa toque o sino.

            E as vezes que eu girei em procissão
            Aqui ao teu redor, de opa ou de anjinho,
            No papel de autêntico santinho,
            Embora fosse só de ocasião.

            Os teus braços velhinhos e cansados
            São a mais linda renda de bordados
            Que a nossa terra põe na mesa.

            Quando tem que assear os seus portais
            Pra receber visitas cordiais,
            Em ti até o sol tem mais justeza.

                  Rodela, 11-10-2002

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

não sou eu





          Desde Dezembro, antes do Natal que não faço nada. Piorei da minha doença, tive de ficar de cama durante um mês, numa inactividade completa. Levantei-me enfim, mas por alguns dias apenas, porque o frio me obrigou de novo a ficar na cama.
          Entretanto, pelo Adalberto, mandei comprar folhas soltas para escrever e para desenho. As folhas chegaram há dias. Eu estava a pé nessa altura… E logo me assaltou uma fúria imensa pelo desenho. Comecei, fiz alguma coisa mas tive de parar.
          Como eu desejaria nesta altura uma saúde de ferro só para poder desenhar à minha vontade, horas e horas sem descanso, até à exaustão! Em vez disso, porém, estou na cama e todo o meu labor se limita a desenhar no vácuo pelo pensamento que não pára, numa sucessão de imagens por vezes tão claras, tão nítidas, que é impossível que alguma coisa não fique em mim para dar fruto num futuro melhor.
          Oh! O que eu sonho de desenhos e de pinturas! E de que forma me ultrapasso e supero neste desenhar e pintar mental! É uma doidice deixar-me arrastar assim, consentir que de tal forma me empolgue a imagem aliada á ideia do que farei … Pois se eu sei que não sei nada! Se mais do que isso eu sei que não posso nada! Como suster, porém, a torrente que brota, que esguicha do meu cérebro livre de distracções por esta quietude de corpo em que estou?
          Em certos momentos, convicto da impossível altura a que pelo pensamento me guindei, fecho as comportas, ponho um tampão neste sonhar louco… Mas de que vale? Daí a nada tudo salta em estilhar; uma nova ideia entra a germinar, a roer… E não sou mais eu quem pensa: é alguém no ar, seguindo a ideia, que se dilata, cresce, atinge proporções descomunais, qual bola de neve rolando do cimo do monte. Entretanto, eu sei, bola de neve ou ideia terão fim idêntico: ou pelo caminho as despedaça um obstáculo imprevisto, ou acabarão seus dias no fundo do precipício onde as forças da natureza ou a realidade da vida as levou…
          Sei isto e no entanto continuo a pensar coisas fantásticas, todo nas nuvens, feliz, de uma felicidade de criança grande, para quem o desmoronar de todo um sonho não é mal maior nem desgraça tão forte que lhe roube a faculdade de pensar, de fantasiar de novo, e sempre mais alto.


                                                        Freamunde, 12 de Fevereiro de 1960
 
João Fernando Correia de Moura (26/0871931 – 18/06/1964)
Autor Freamundense
Prefácio de: José Carlos de Vasconcelos
Edição - Câmara Municipal de Paços de Ferreira
Freamunde, Novembro de 2009