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| JMP - 1997 |
Bucólica - Miguel Torga / Rui Veloso
A vida é feita de nadas
De grandes serras paradas
À espera de movimento
De searas onduladas
Pelo vento
De casas de moradias
Caídas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais
De poeira
De sombra de uma figueira
De ver esta maravilha
Meu pai a erguer uma videira
Como uma mãe que faz
A trança à filha .

Não conhecia nem o poema nem nunca ouvi o Rui cantar esta canção. Deve ser bem dos primórdios da sua carreira.
ResponderEliminarComo sempre, Torga a revelar-nos o quotidiano das vidas simples e boas!
Acho que a tua foto está demasiado colorida, Zé Maria. A P&B teria ficado muito mais de acordo com o poema, digo eu, sem qualquer espírito de crítica negativa, claro!
Desculpa fazer-te este pergunta, Zé, mas está tudo bem contigo?
Li, agora, a tua resposta a um comentário meu a uma fotografia tua intitulada: O Deserto e o Mar, e pareceste-me um bocadinho amargo com a vida. Desculpa, pode até ser apenas impressão minha.
Um abraço, aparece mais vezes lá por casa!
Olá. Está tudo bem, e quando deixei esse comentário também.
EliminarHouve uma altura que fiquei muito chocado com a descoberta da simplicidade das "almas" mas em pouco tempo percebi que não estava a fazer mais do que viver o meu tempo- apreendi o conceito de "secularidade", fiz o luto necessário e segui em frente.
Quando as coisas azedam digo para mim - a vida tem disto, vive o tempo, enquanto o tens!
Beijo.
P.S. Quanto à foto - depois de muitos anos a respeitar religiosamente o registo original, em que nem no enquadramento mexia, pulei a cerca e agora divirto-me mais.
ResponderEliminarAprendi fotografia a sério quando estudava em Braga. A AFCA - Associação de Fotografia e Cinema amador de Braga fazia uns cursos na Rua do Cabido junto à Sé, o ambiente misto de universitários, fotógrafos tarimbados e artistas em geral, à noite, na Babel... bons tempos! Nessa altura encostei à escola clássica e puritana; o momento de "bater a foto" era o acto em si e no sagrado não se mexe muito. Tive até dificuldade em transitar para o digital - mais do que a minha avó Isaura em passar a rezar o terço pela rádio. Também é verdade que no início o digital padecia do mesmo que todos os inícios.
Agora pego numa foto e troco-lhe os pixeis todos se me agradar.
Na foto original da "boiada" a sombra do bovino no alcatrão mal se vê. Levada a exposição e o contraste ao máximo, surtem projecções no solo quais pinturas rupestres. Além disso a fotografia passa a poder ser vista como obra impressionista. A fotografia a P&B também terá as suas narrativas, mas outras.