sábado, 30 de abril de 2016

Rui Veloso -- Bucólica


JMP - 1997






Bucólica - Miguel Torga / Rui Veloso


A vida é feita de nadas

De grandes serras paradas

À espera de movimento

De searas onduladas

Pelo vento

De casas de moradias

Caídas e com sinais

De ninhos que outrora havia

Nos beirais

De poeira

De sombra de uma figueira

De ver esta maravilha

Meu pai a erguer uma videira

Como uma mãe que faz

A trança à filha .




3 comentários:

  1. Não conhecia nem o poema nem nunca ouvi o Rui cantar esta canção. Deve ser bem dos primórdios da sua carreira.
    Como sempre, Torga a revelar-nos o quotidiano das vidas simples e boas!

    Acho que a tua foto está demasiado colorida, Zé Maria. A P&B teria ficado muito mais de acordo com o poema, digo eu, sem qualquer espírito de crítica negativa, claro!

    Desculpa fazer-te este pergunta, Zé, mas está tudo bem contigo?
    Li, agora, a tua resposta a um comentário meu a uma fotografia tua intitulada: O Deserto e o Mar, e pareceste-me um bocadinho amargo com a vida. Desculpa, pode até ser apenas impressão minha.

    Um abraço, aparece mais vezes lá por casa!

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    1. Olá. Está tudo bem, e quando deixei esse comentário também.
      Houve uma altura que fiquei muito chocado com a descoberta da simplicidade das "almas" mas em pouco tempo percebi que não estava a fazer mais do que viver o meu tempo- apreendi o conceito de "secularidade", fiz o luto necessário e segui em frente.
      Quando as coisas azedam digo para mim - a vida tem disto, vive o tempo, enquanto o tens!
      Beijo.

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  2. P.S. Quanto à foto - depois de muitos anos a respeitar religiosamente o registo original, em que nem no enquadramento mexia, pulei a cerca e agora divirto-me mais.
    Aprendi fotografia a sério quando estudava em Braga. A AFCA - Associação de Fotografia e Cinema amador de Braga fazia uns cursos na Rua do Cabido junto à Sé, o ambiente misto de universitários, fotógrafos tarimbados e artistas em geral, à noite, na Babel... bons tempos! Nessa altura encostei à escola clássica e puritana; o momento de "bater a foto" era o acto em si e no sagrado não se mexe muito. Tive até dificuldade em transitar para o digital - mais do que a minha avó Isaura em passar a rezar o terço pela rádio. Também é verdade que no início o digital padecia do mesmo que todos os inícios.
    Agora pego numa foto e troco-lhe os pixeis todos se me agradar.
    Na foto original da "boiada" a sombra do bovino no alcatrão mal se vê. Levada a exposição e o contraste ao máximo, surtem projecções no solo quais pinturas rupestres. Além disso a fotografia passa a poder ser vista como obra impressionista. A fotografia a P&B também terá as suas narrativas, mas outras.

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